Participação leiga: sua importância para o crescimento da igreja

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Publicado por José Geraldo Magalhães em Capacitação do Laicato, Destaques Nacionais  |  29/09/2013 às 19:41:04

jonas mendes barretoUm dos princípios que tem caracterizado o crescimento saudável de várias igrejas de referência ao redor do mundo é, definitivamente, a participação séria e criativa dos leigos. São igrejas que envolvem seus membros nos diversos ministérios, abrindo, assim, espaço para a participação de todos, incluindo os novos convertidos. Entretanto, observa-se que essa participação tem se dado de forma planejada e com uma visão clara de capacitação.

Compreende-se, desta maneira, que a tarefa principal do ministério cristão deve ser a preparação ou capacitação dos leigos para o cumprimento da missão de Deus no mundo. Dentro deste propósito, é necessário atentarmos para alguns princípios bíblicos, objetivando um crescimento saudável.

O primeiro deles é que cada crente deve ser instruído acerca do papel que desempenha no corpo de Cristo. Quando aceitamos Jesus, somos chamados para atuar em sua missão. Para tanto, Ele nos agracia com dons, que devem ser colocados em prática no Reino (Ef 4.11,12). Cada um pode contribuir de alguma maneira, pois possui, pelo menos, um dom dado por Deus. Descobrir, desenvolver e usar os seus dons com excelência são atos de boa mordomia e de serviço a Deus. Desta maneira, a formação dos cristãos para o ministério e a mobilização dos membros como ministros constituem o segredo do crescimento saudável da igreja e tarefa principal dos pastores e lideranças.

Os novos convertidos devem ter a oportunidade de participar ativamente dos ministérios da igreja. Esse é o segundo ponto. Não deve existir quarentena em nossas igrejas impedindo que os novos crentes sirvam a Deus. Certamente, alguns ministérios requerem uma qualificação e um amadurecimento maior. Entretanto, outros ministérios e atividades podem ser plenamente desenvolvidos por eles. Uma das marcas das igrejas maduras e em crescimento é a capacidade que têm de desenvolver o vigor, a alegria e a motivação dos novos convertidos para a participação ativa na vida da igreja.

Não se pode permitir que os novos membros sejam apenas espectadores, pessoas passivas na vida eclesial. Se não lhes forem dadas responsabilidades, eles se tornarão crentes acomodados, satisfeitos em sua zona de conforto, sem assumir a urgência e a visão da missão. Com o treinamento apropriado, os novos convertidos podem se tornar instrumentos eficazes na obra de Deus. Enquanto se desenvolve o treinamento, é importante que o pastor e a liderança assumam o compromisso de enfatizar alguns pontos importantes que serão muito úteis na consolidação da formação desse novo membro:

1.    Mostrar o quanto são importantes para a igreja como um todo. Deve-se imprimir no novo membro um sentimento de utilidade.

2.    Reconhecer seu esforço e a alegria com que realiza o trabalho do ministério trará vigor no desempenho de sua função.

3.    Celebrar seus avanços e crescimento é outro ponto importante e que deve ser observado.

4.    Por fim, deve-se elogiá-lo sempre. O elogio traz senso de dignidade e melhora a autoestima.

É necessário, dentro do projeto de capacitação de leigos (membros mais antigos e novos convertidos), um programa de treinamento bem engrenado para satisfazer suas necessidades e proporcionar crescimento. Nesse sentido, é importante que a Escola Dominical ofereça uma grade curricular bem estruturada, com cursos definidos, objetivos claros, que proporcionem resultados plausíveis. Também a formação de uma Escola de Líderes é outro caminho que pode ser adotado dentro do processo de formação bíblica. É fundamental afirmar que não se pretende preparar pastores, mas treinar leigos para torná-los mais eficazes no processo de ser e fazer discípulos. Deve-se, portanto, adotar uma postura prática na dinâmica de formação, e não de caráter puramente técnico e teórico.

Por fim, é necessário construir uma visão ministerial integrada, pastor e leigo, para que o crescimento seja saudável. Ao desenvolverem essa visão, os pastores se sentirão menos exaustos e frustrados, e os leigos, mais realizados e satisfeitos como parte do corpo de Cristo. Desta maneira, se retornará a um paradigma vital para o cumprimento do ministério da igreja, qual seja: uma maior participação do leigo nas atividades da igreja e a integração dos seus esforços aos do pastor. Ao treinar os santos para servir e desenvolver a missão de forma integrada, a igreja atingirá o potencial pleno do propósito de Deus para ela. Sob a coordenação do pastor, os leigos podem atuar nos pequenos grupos ou células (proporcionando o surgimento de novos líderes; abertura de campos missionários e o crescimento da igreja); na evangelização, nos novos pontos missionários e congregações; nos diversos ministérios reconhecidos pela igreja e grupos societários; nas programações específicas, como "Um dia para Jesus", programa de aconselhamento, evangelização em hospitais e cadeias, projetos missionários. Portanto, a participação dos leigos potencializa o ministério pastoral à medida que se encontra integrado a este.

A participação dos leigos, inclusive dos novos convertidos, na dinâmica de crescimento saudável da igreja é uma necessidade bíblica e prática nas atividades do Corpo de Cristo, pois o leigo é o melhor e maior potencial da igreja.

Rev. Jonas Mendes Barreto
Coord. do Dep. Nacional de Capacitação do Laicato

Bibliografia:

CHO, Paul Yonggi. Muito mais que números. São Paulo: Vida, 1985.

HORRELL, J. Scott (org.). Ultrapassando barreiras: igrejas inovadoras e métodos bíblicos que brotam no Brasil. São Paulo: Vida Nova, 1995. V. 2

PAES, Carlito. Igrejas que prevalecem: 24 princípios para um crescimento saudável e equilibrado. São Paulo: Vida, 2003.

SCHWARZ, Christian A. O desenvolvimento natural da igreja: guia prático para cristãos e igrejas que se decepcionaram com receitas mirabolantes de crescimento. Curitiba: Evangélica Esperança, 2003.

 

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Comentários  ( 1 )

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Mauro Duarte disse em 17/10/2013 às 17:27:12

Creio que esta deveria ser a visão. Mas o que vemos na prática de nossa igreja é uma concentração de liderança pelo corpo clérigo. Tirando as federações e sociedades a maioria dos ministérios estão sob a liderança de um clérigo/a. Os pastores ficam atarefados com suas funções distritais, regionais e nacionais e dedicam pouco tempo a sua função na igreja local. O que vemos são pastores que não pastoreiam seu rebanho, em constantes viagens e reuniões. Igrejas sem um direcionamento e acompanhamento pastoral.

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