Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 22/11/2011

Relatório destaca exclusões e discriminações das juventudes negras na América Latina

"A juventude afrodescendente é um dos grupos mais afetados pelos processos estruturais de exclusão, desigualdade e pobreza”. Isso é o que afirma o relatório Juventude afrodescendente na América Latina: realidades diversas e direitos (des)cumpridos, lançado nesta sexta-feira (18) no Encontro Ibero-americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes: Afro XXI, em Salvador, Bahia. O documento, elaborado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), apresenta um panorama regional das juventudes afrodescendentes, destacando os perfis demográficos e socioeconômicos dos jovens e a importância de proporcionar a inclusão deles na sociedade em geral.

Com base em informações de organizações afrodescendentes, o relatório aponta que esses jovens vivem uma "exclusão tripla”: étnica, por serem afrodescendentes; de classe, por serem pobres; e de geração, por conta idade. As jovens ainda enfrentam uma quarta exclusão: a de gênero. "A juventude afrodescendente se encontra hoje no foco de várias tensões e, neste marco, tem muitas demandas que, em resumo, são as seguintes: diante do resto da sociedade, exigem uma maior exclusão, o pleno acesso ao desenvolvimento e o exercício de seus direitos, enquanto que, diante do mundo, reclamam mais espaços de participação e decisão”, resume.

De acordo com o estudo, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá têm, juntos, 24.009.063 jovens afrodescendentes entre 15 e 29 anos. Desses, o Brasil é o país com maior quantidade de jovens afrodescendentes, com mais de 22 milhões.

O relatório ainda aponta que a maior parte dessa juventude é urbana. Falta de acesso aos bens e serviços públicos, violência, discriminação no emprego e altas taxas de mortalidade por causas externas estão entre os principais problemas enfrentados por esses jovens. O estudo observa que no Brasil, por exemplo, a chance de um jovem afrodescendente entre 15 e 17 anos ser assassinado é 125,8% maior do que um jovem branco.

Outro destaque é a questão sexual e reprodutiva das jovens afrodescendentes. "Na maioria dos países, observa-se uma maior incidência da maternidade entre as jovens afrodescendentes de 15 a 19 anos que entre o resto das jovens. Também se constatou a forte associação entre educação e maternidade adolescente; entre as afrodescendentes mais educadas e com trajetórias educacionais normais, a maternidade é significativamente menor que das que contam com menor educação e com trajetórias escolares atrasadas”, ressalta.

O documento também chama atenção para a desigualdade de oportunidades de estudo e emprego. De acordo com a publicação, em seis dos nove países analisados a porcentagem de jovens afrodescendentes que não estudam nem trabalham é superior que a dos demais jovens.
"Neste marco regional, em que a juventude afrodescendente sofre um processo de exclusão e discriminação, reitera-se que ambas as práticas devem ser erradicadas, dado que constituem uma flagrante violação dos direitos humanos. Desde uma olhada mais economicista, alguns estudos têm mostrado os custos associados à discriminação, pelo que sua eliminação constituirá um investimento significativo para a sociedade como um todo”, revela.

Leia o relatório completo AQUI!

Karol Assunção
Fonte: Adital


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