Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 13/09/2013

Sociólogo Paul Freston analisa a relação entre Igrejas e Política na Conferência Brasileira de Comunicação Eclesial

"Comunicação, igrejas e política no Brasil. Ecos do período eleitoral 2010"

A abertura do V Eclesiocom, Conferência Brasileira de Comunicação Eclesial, na Universidade Metodista de São Paulo, começou com uma palavra do coordenador da Pastoral Universitária, Luiz Eduardo Prates, seguindo a prática dessa instituição confessional. Ao auditório composto principalmente por estudantes e profissionais das áreas de comunicação, ciências da religião e teologia, o pastor metodista explicou que a espiritualidade, no âmbito da Universidade Metodista, é compreendida não como algo separado da vida, mas como parte dela. Por isso, a atuação cidadã e a consciência política não se dissociam do compromisso de fé.
Prates levou aos/às participantes do Eclesiocom um documento histórico do qual participou: a Carta de Princípios do Movimento Fé e Política, criado em 1989 por líderes religiosos de diversas denominações religiosas. Neste documento, o Movimento Fé e Política define-se “como ecumênico, não-confessional e não-partidário” e afirma a política como “uma dimensão fundamental para a vivência da Fé e a Fé como horizonte da utopia política”.
Para pensar a relação entre Igrejas e Política em um ano eleitoral, a Eclesiocom 2010 recebeu como principal palestrante o sociólogo Paul Charles Freston. Tendo nascido na Inglaterra e vindo ao Brasil em 1976, hoje Paul Freston se divide entre o Canadá, onde desenvolve diversas atividades de docência e pesquisa, em várias instituições, e o Brasil, como docente da Universidade Federal de São Carlos. Freston é autor de vários livros, dos quais o mais conhecido é “Evangélicos na Política Brasileira”, fruto de pesquisas que começaram por volta de 1988, quando a “bancada evangélica” era uma das grandes novidades da política brasileira.
Freston observou que os escândalos de corrupção que marcaram a bancada evangélica estão muito relacionados à prática de oficialização de um candidato por parte de uma igreja. Há uma forte tendência deste candidato ´oficial´ corromper-se, uma vez eleito. Isto ocorre porque, em muitos casos, a Igreja que lança um candidato próprio busca extrair benefícios do Estado para seus interesses particulares e fortalecimento institucional. Nesse processo, os meios de comunicação têm um importante papel. Muitos destes candidatos “oficializados”, disse Preston, são conhecidos por sua presença midiática. Onde o acesso evangélico à rádio e televisão é mais fácil e a comunidade evangélica é numerosa, é forte essa relação entre política e religião.
Segundo o sociólogo, a presença de evangélicos na política tende a crescer, acompanhando seu próprio crescimento numérico o que, certamente, gerará maior responsabilidade política. Paul Freston estima que os evangélicos representem atualmente 20% da população brasileira, podendo chegar a até 35% no futuro. “Quando se é 20 ou 30% da população, a sociedade cobra posicionamento político”.
Como será essa representação evangélica na política? Estarão os evangélicos à direita ou esquerda? Representarão o capitalismo neoliberal ou apoiarão movimentos populares? Diante da complexidade do fenômeno religioso contemporâneo, todo cuidado é pouco nas débeis tentativas de rotulação. Paul Freston citou uma pesquisa realizada pela organização americana Pew Research Center’s Forum on Religion & Public Life a respeito do pentecostalismo em 10 países, no ano de 2006. Os resultados da pesquisa “Spirit and Power” trazem algumas informações que contrariam o perfil tradicionalmente associado ao fiel pentecostal. “Na Guatemala apenas 37% dos pentecostais acham que o governo deve proibir o aborto”, exemplificou Freston. Por isso, o pesquisador deve estar preparado para eventuais surpresas que possam surgir na dinâmica relação entre igreja, política e comunicação.

 


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