Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 20/09/2013

EECSN Joana Darc

O fim das barreiras regionais

Uma entrevista com a pastora Joana D´Arc, nova secretária nacional da Igreja Metodista

 

 A carioca Joana D´Arc Meireles foi uma das primeiras mulheres nomeadas para o ministério pastoral da Igreja Metodista, no ano de 1978. Quando ela entrou no Seminário, com sede de conhecimento da Palavra de Deus, ainda nem imaginava que um dia seria Secretária Nacional para a Vida e Missão da Igreja Metodista.

Também não imaginava que um dia iria morar em São Paulo, deixando sua família no Rio preocupada: "E o PCC"?A pastora Joana conta que, no Rio, a imagem de São Paulo transmitida pelos meios de comunicação é de assustar: "As pessoas acham que, a qualquer momento, você pode ser vítima de uma enchente do rio Tietê ou de uma rebelião de presídio". Qualquer semelhança com o que os paulistas pensam a respeito do Rio de Janeiro não é mera coincidência! O fato é que, num país tão grande como o nosso, conhecemos pouco sobre a realidade de outros estados. Às vezes, essa falta de conhecimento gera preconceitos e desconfianças que afetam até nossa Igreja. Por isso, uma das metas principais da Reverenda Joana neste novo ministério que passará a exercer na Sede Nacional será a quebra das barreiras e o resgate da identidade metodista. Conheça um pouco de sua trajetória e suas idéias:

Como você iniciou seu ministério pastoral?

Entrei para a Igreja com uns 15 anos de idade. Comecei a freqüentar a Igreja Metodista de Nova Iguaçu por causa do esporte. Eu jogava handebol e a igreja estava formando uma equipe feminina, dentro de um projeto chamado de "Devo-social" - devocionais com atividades sociais.Nessa igreja, o Bispo Paulo Lockmann organizava grupos de estudo bíblico, dos quais comecei a fazer parte e, por incentivo dele, entrei no Seminário para estudar Teologia. Isso aconteceu por volta de 1974.

No ano de 1974 foi ordenada a primeira presbítera metodista, a pastora Zeni de Lima Soares...

Sim, mas eu ainda nem sabia que mulheres podiam exercer este ministério. Eu havia entrado para o seminário apenas com o objetivo de estudar a Bíblia. Em 1977 houve o primeiro encontro de mulheres estudantes de Teologia. Aí eu fiquei sabendo que as mulheres poderiam exercer o ministério. Nessa época, eu comecei a ter sonhos recorrentes, que não conseguia entender. Uma senhora de nossa Igreja, na época mãe do namorado da minha irmã, interpretou esses sonhos como um chamado de Deus ao ministério. E era mesmo. Fui nomeada pastora em 1978 e assumi as Igrejas de Vila Tiradentes e Pavuna, na Baixada Fluminense.

Na primeira região, você já assumiu um cargo administrativo semelhante ao que exercerá agora na Sede Nacional, não é? Como foi a experiência?

Foi uma experiência muito rica. Trabalhei na coordenação regional de atividades da 1ª Região de 1995 a 1998. Eu tinha que acompanhar as áreas de ação da Igreja, as federações, pastorais... Durante este período, também era Superintendente Distrital, do então Distrito de Realengo, cargo que assumi no ano de 1980.

Como você recebeu a proposta para assumir o trabalho na Sede Nacional?

Em todo trabalho que eu faço, entro de cabeça... Mas confesso que agora eu fiquei assustada!Não tinha previsão de sair da Igreja Metodista de Nilópolis, RJ, que já pastoreava por nove anos, e estava fazendo planos para a Igreja. O Bispo Paulo Lockmann me telefonou às 12h30 e queria que eu desse a resposta até às 16 horas. Levei um susto. Foram algumas horas de muita oração. Depois respondi ao Bispo: "se o meu mentor espiritual acha que eu posso assumir esta responsabilidade, eu é que vou discutir?

Como a sua família e a Igreja receberam a notícia?

Com preocupação. Sou solteira e tenho uma irmã casada; meus pais moram em Macaé. Eles ficam apreensivos em virtude do noticiário que vêem sobre São Paulo. Quem assiste TV acha que em São Paulo não tem nada de bom! Quanto à Igreja, tenho trabalhado com os irmãos e irmãs o conceito de missão. E a itinerância faz parte da missão. Recebi a notícia no dia 6 de dezembro e, no domingo subseqüente, o dia 10, informei à Igreja. Eles compreenderam, mas é claro que o impacto inicial foi grande.É difícil; após nove anos de convívio, você cria laços muito fortes. O culto de envio, no dia 7 de janeiro, foi bastante triste. Mas sabemos que esta é a missão da Igreja.

Quais são suas expectativas nesta nova função, na Sede Nacional?

Sinceramente, ainda não sei! Vim com a expectativa de não ter expectativas. Estou estudando os Cânones, "fazendo a lição de casa" e, a cada dia, descobrindo uma coisa nova. Meu papel é fazer com que as quatro áreas de atuação (administrativa, educacional, social e missionária) continuem funcionando bem. Tenho orado muito para que Deus me dê forças. O Concílio tomou uma decisão radical (substituir os quatro secretários-executivos por apenas uma pessoa) e tudo ainda é muito novo. Por isso, neste momento, não está prevista nenhuma outra alteração de funcionários a não ser a saída dos quatro secretários-executivos nacionais, conforme determinação do Concílio.

Como você avalia o último Concílio Geral?

Ele tomou algumas decisões importantes, mas teve algumas posturas radicais. Algumas delegações fizeram propostas sem olhar o todo; a ênfase regionalista foi muito grande.

A que você atribui esse regionalismo?

O mundo todo - e não apenas a Igreja Metodista - está enfrentando um ranço fundamentalista. Na sociedade, na política e no trabalho ocorrem divisões, falta espírito de parceria. Somos atingidos por essa enfermidade: uma região não tem orgulho de ver a outra crescer. Rogo a Deus que mude isso.

Como você pretende enfrentar essa situação?

A gente tem que trabalhar a auto-estima de ser metodista. Respeitando as diferenças regionais, nós somos uma Igreja. Os periódicos da Igreja têm papel fundamental nesse trabalho, de despertar a integração das regiões. Assim como as instituições de ensino fizeram, com a criação da rede, dando ênfase ao nome "Metodista" em cada escola, precisamos, também, fazer um "marketing interno", reforçando a identidade metodista em todo o Brasil.

Suzel Tunes


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