Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 20/09/2013

laço branco

 

 Laço Branco é coisa de homem

Por Stephen Newnum, de Maringá

Gostei da foto do prefeito Sílvio Barros da cidade de Maringá ao lado do jogador Ricardinho, capitão da seleção brasileira de vôlei, ambos usando um laçinho branco no pulso. Uma atitude com poder de estabelecer um elo entre os homens da cidade, um elo extraordinário, ou seja, incomum e só dos homens.

Ricardinho é de Maringá e junto com seu time é um campeão. Mas na cerimônia de abertura da Campanha do Laço Branco na cidade, que lançou o vídeo dele anunciando o objetivo da Campanha do Laço Branco, foram duas mulheres que o representaram: sua mãe e sua sogra. Na verdade, eram as mais indicadas para "atestar" que Ricardinho é também um campeão fora das quadras.

Sou norte americano e vim para o Brasil como missionário há 26 anos. Como convidado nesse país, obviamente tive a convicção que estava aqui para apreender e não impor minha cultura. Logo percebi que as coisas boas daqui eram tão boas ou melhores que nos Estados Unidos e que as ruins não eram melhores que lá. Só Bush parece crer que até o nosso ruim é melhor que outros países.

Dentre o que os Estados Unidos têm de pior está a questão da violência, tanto nas instâncias institucionais como privadas e isso inclui a violência contra a mulher. Lá e cá a superação dessa realidade exige o comprometimento de governos e da sociedade.

Quando jovem, em meu país, participei de várias mobilizações a favor da não violência. Fui às ruas contra a guerra do Vietnã, contra discriminação das mulheres e dos homossexuais. Me recordo o incomodo que sentia ante a possibilidade de ser confundido como homossexual quando marchava e usava bottons dessas campanhas. Mas superei o medo e fiz o que achava certo.

Quando participei da Campanha do Laço Branco em Maringá, me lembrei disso. Houve casos (poucos felizmente) de homens que diziam apoiar a campanha, mas que não queriam usar a fitinha branca, pois não era coisa de "macho". Não entendi bem; minha esposa (a teóloga Maria Newnuim) ajudou com isso.

Mas com humildade, penso que nos países onde certos homens se orgulham de bater em mulher é preciso ficar destacado os que se "orgulham" de achar que isso é vergonhoso e covarde. O grupo de homens que começou essa campanha no Canadá viu, num simples Laço Branco, uma maneira de se mostrarem aos agressores. Foi como se dissessem: "Prestem atenção nesse laço ele nos distingue de vocês."

Nos Estados Unidos existem homens que têm vergonha de chorar, mas não de bater em mulher. Acho que é mais vergonhoso o segundo caso.

Nenhuma violência se justifica; menos ainda contra as mulheres. Elas nos recebem com um beijo quando nascemos, cuidam de nós durante a vida e choram sem vergonha, quando algo ruim nos acontece. Certamente quando morrermos será uma mulher que se despedirá de nós com um beijo na testa, pois, há homens que acreditam que isso não é coisa de "macho".

Dos altos de meus 56 nos não me envergonho de dizer que ainda sou "machão" em muitas coisas que só fazem sentido para os homens. Fazer o quê? Sou homem. Mas aprendi que existe algo mais... ser um "atleta vencedor" da vida, significa ser "campeão" num sentido mais amplo. Tenho consciência que posso ser, mas não preciso ser "machão"; posso ser apenas um homem.

Os medos da minha juventude ficaram para trás e hoje posso afirmar: Um Laço Branco pode não ser coisa de macho; mas pode ser um simples símbolo que me distingue dessa condição menor de mim mesmo.

É por isso que me sinto honrado em usá-lo e oferecer à outros homens.

Robert Stephen Newnum é missionário, doutor em Ciências da Religião, professor e integrante Movimento Ecumênico de Maringá.


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