Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 26/08/2010

Luteranismo avança no Terceiro Mundo

Interessado em pesquisar a expressão do luteranismo num contexto global, o teólogo Vítor Westhelle acredita que nos próximos dez anos a maioria dos luteranos esteja vivendo ao sul do Equador, região que concentra 60% de todos os cristãos do mundo.

“Essa situação impõe novos desafios para a Teologia na medida em que os cristãos estão disputando espaço com outras religiões”, pontuou Vítor. Na continente asiático, os cristãos correspondem a 3% da população de maioria budista e hindu, realidade essa que confronta a sociedade ocidental norte-atlântica com questões com as quais não se preocupava até o início do século passado.

Professor visitante da Faculdades EST, Vítor esteve em São Leopoldo na sexta-feira, 13, para estabelecer contato com professores e referenciais teóricos que pudessem auxiliá-lo no desenvolvimento de suas pesquisas como docente na Escola Luterana de Teologia de Chicago, nos Estados Unidos.

Em entrevista ao site da Faculdades EST, ele avaliou o atual momento ecumênico e definiu-o como marcado pela tensão entre o respeito às peculiaridades religiosas e a tentativa de uniformização de todas as expressões. “Essa busca por uniformização é o que também provoca cismas dentro do cristianismo e fragmentação nas bordas daquilo que é unificado”, asseverou.

Na avaliação do teólogo luterano, a expansão do pentecostalismo representa, antes de tudo, um sinal de vitalidade do cristianismo, obrigando as igrejas históricas a lidar com novos desafios dentro de seus próprios parâmetros e dentro de sua própria teologia.

“Nossa confessionalidade precisa ser retrabalhada e descongelada para que possamos travar um diálogo mais próximo à sociedade, especialmente junto às populações mais carentes”, enfatizou Vítor.

Questionado sobre as relações entre o governo Lula e Obama, o pesquisador disse que o atual presidente norte-americano vê no presidente brasileiro um modelo de estadista, e que os projetos sociais implementados por Lula têm servido de inspiração a Obama.

“Esse é o motivo pelo qual o presidente estadunidense está querendo que o Estado tenha uma intervenção mais enérgica dentro da organização social e econômica do país”, que ainda sofre com os efeitos da alta taxa de desemprego. Na medida em que os Estados Unidos apresentar uma melhora nos indicadores econômicos, declarou Vítor, certamente isso terá reflexos imediatos nos índices de aceitação de Obama, que chegam hoje a 49%.


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