Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 13/09/2013

Palavra Episcopal dezembro 2008

 

Adriel de Souza Maia, Bispo da 3ª Região Eclesiástica.

 Escrever uma reflexão na última edição do ano não é uma tarefa muito fácil. Há muitas motivações no calendário da Igreja. Por exemplo, Dia dos Direitos Humanos, Dia da Bíblia, Tempo do Advento e Natal, bem como uma palavra sobre o novo ano que se aproxima.

Igualmente, o mês de dezembro é uma boa oportunidade para avaliar a caminhada da Igreja no ano que se encerra, especialmente a partir das prioridades estabelecidas pela Igreja em seu Plano Nacional de Atividades.

A pauta da Igreja está focada no desafio da Carta Pastoral do Colégio Episcopal para o biênio 2008-2009 - "Testemunhar a graça e fazer discípulos e discípulas". A presente Carta Pastoral objetiva impactar nossas igrejas a fim de que elas possam ser "Semelhantes a Jesus". Nessa linha, indicando o caminho da prática do discipulado encarnado por Jesus Cristo, da Igreja Primitiva, de Paulo e do insigne fundador do Metodismo, John Wesley. Por isso, nós, metodistas, entendemos que "O Discipulado é modo de vida, que caracteriza a vida daqueles que estão comprometidos com o Reino de Deus, que fazem da Nova Justiça, ou seja, dos valores éticos e da justiça do Reino, uma prioridade na sua vida e que se dedicam integralmente ao serviço cristão, ao evangelismo e ao testemunho, no cumprimento à vontade de Deus". (Série Discipulado 1 - Biblioteca Vida e Missão, Editora Cedro, São Paulo-SP).

A referida Carta Pastoral será um embasamento de grande importância para acolhermos a Carta Pastoral para o novo biênio 2010-2011: "Testemunhar o sinais da Graça na unidade do Corpo de Cristo", a ser lançada por ocasião dos Concílios Regionais no final de 2009.

A unidade cristã é um sinal do discipulado comprometido com a prática de Jesus. Não é uma questão de opção, mas de mandamento do Senhor para a Sua Igreja. Jesus orou suplicando: "a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste" (João 21.21). A Oração Sacerdotal do Senhor Jesus Cristo tem o sabor de seu sofrimento, de sua morte e da gloriosa vitória do Evangelho na dinâmica de Sua ressurreição.

Nessa esteira, é bom trazer as palavras do Evangelho: "Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor" (João 10.16). Certamente, essa Carta Pastoral poderá ajudar a nossa Igreja fortalecer seus marcos essenciais e, nesse sentido, avançar na prática de um discipulado marcado pela unidade e santidade.

Essa correspondência pastoral chegará numa hora muito importante na vida da Igreja Metodista.

No momento, constatamos a "existência de rupturas na unidade da Igreja", ou seja, o ofuscamento dos referenciais emissores de autoridade. Nessa linha de pensamento, é bom relembrar as palavras da Carta Pastoral "Servos e Servas...": "eis o fator a refletir na vida eclesial, conduzindo à defesa de posicionamentos do tipo ?eu faço o que acho melhor e me parece correto?. Onde está a fonte de autoridade da Igreja? A voz de comando? Quem emite o som inicial, ao qual haverá de afinar-se toda a orquestra? É preciso lembrar as instâncias às quais a Igreja tem a se referir - a Palavra de Deus contida no Antigo e Novo Testamentos, a tradição cristã (que, para os metodistas, passa pelo referencial teológico vivido por Wesley), os documentos escritos e aprovados pelo metodismo brasileiro e o corpo pastoral eleito pela Igreja Metodista no Brasil para exercer o ministério da orientação doutrinária e prática da Igreja. Esse corpo pastoral, dessa mesma Igreja, recebeu a tarefa de ajudá-la a discernir os sinais e apontar os alvos da caminhada, submissos ao Espírito Santo e aos elementos de autoridade que todos antecede. Esse corpo pastoral é o Colégio Episcopal".

Por isso, percebemos nesse cenário:

  • A desobediência pessoal e grupal, pura e simplesmente feita em desrespeito ao instituído.
  • Práticas pastorais que não têm consistência bíblica e nem conferem com a legítima tradição wesleyana. As práticas pastorais e ministeriais identificam a Igreja Metodista como Corpo de Cristo. São ações próprias de sua natureza, visando o seu compromisso com o Reino de Deus. Nesse sentido, as práticas são da Igreja e os pastores e as pastoras orientam-nas com uma dimensão do ministério total da Igreja.Elas caracterizam a Igreja Metodista, em sua identidade, desenvolvem e mantêm sentido de comunidade eclesial. Celebradas no seu essencial, cooperam para a unidade da nossa denominação.
  • Tentativas de encontrar soluções por caminhos de atalhos. São comportamentos desagregadores da comunidade, que desacreditam a existência da autoridade eclesial, semeiam o individualismo em meio ao Corpo de Cristo e espalham o divisionismo e sectarismo.
  • Fortalecimento do regionalismo e congregacionalismo e, conseqüentemente, enfraquecimento da tríade: Conciliar, Episcopal e Conexional.
  • Descaracterização da ética comportamental. O compromisso ético na perspectiva do Evangelho inclui coerência de vida e testemunho. Não se afina com acordos que não sejam compatíveis com a proposta do Reino de Deus.
  • Forte crise envolvendo as instituições de ensino da Igreja Metodista com ressonâncias internas e externas.
  • Descaracterização das marcas centrais da nossa eclesiologia, a fim de que ela seja uma Igreja: Cristocêntrica, Pneumática e Missionária.
  • Modelo de gestão confuso, lento e com muitas vozes de comandos, nos termos da Legislação vigente. Ao mesmo tempo, enfraquecendo o governo episcopal.

Portanto, a Correspondência Pastoral "Testemunhar sinais da Graça na unidade do Corpo de Cristo" poderá ser um instrumento de convocação do povo metodista, a fim de que "reafirmemos a consciência de que Deus nos convoca e vocaciona para sermos fiéis e obedientes à missão que nos tem dado."

É tempo de Advento e Natal! Uma excelente oportunidade para elegermos um novo estilo de vida ministerial à semelhança do Senhor Jesus. Apesar dos desacertos, bem como sinais de desesperanças, lá no fundo do horizonte divino nasceu a luz. O evangelista descreve: "A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram com ela[...]E o verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai" (João 1. 5 e 14).

Desejo que a bênção do Natal, Deus Conosco, renove as esperanças de todas e de todos. Feliz Natal! E, também, um novo ano de 2009 marcado de "fé, esperança e amor".


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