Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 13/09/2013

medidores de água

Por Christian Johannssen

Em Lesoto, África do Sul e muitos outros países africanos, estão sendo instalados dispositivos que permitem aos consumidores utilizar a água apenas pagamento antecipadamente. O objetivo é financiar uma melhor infraestrutura hídrica. Mas as Igrejas advertem que se trata de uma solução problemática, já que põe em risco o acesso dos mais pobres entre os pobres a este recurso indispensável para a vida.

 
 Os medidores de água pré-paga funcionam de forma muito parecida aos telefones celulares pré-pagos: compra-se um cartão com um crédito correspondente a uma determinada quantidade de água; o usuário introduz o cartão em uma máquina -- no medidor de água do lugar ou em uma fonte pública -- e se pode pegar a água até que se esgote o crédito do cartão.

 Michael Windfuhr, diretor de Direitos Humanos do organismo alemão "Pão para o Mundo", e membro do grupo diretivo da Rede Ecumênica de Água, "esta é uma violação do direito humano à água. Não se deveria poder negar água à ninguém, já que se trata de satisfazer uma necessidade básica de todo ser humano".

No sistema antigo, em que o consumidor pagava a fatura despois de utilizar a água, não se podia cortar o fornecimento a não ser após aviso prévio, explica Windfuhr. Agora as pessoas podem se encontrar de repente sem fornecimento e água potável e se verem obrigadas a utilizar fontes de água possivelmente insalubres.

Windfuhr afirma também que a maioria dos problemas relacionados com a água deve-se às políticas e não à escassez. "Em países muito secos, regam-se campos de golfe. Algumas pessoas utilizam diariamente de 250 a 400 litros de água, enquanto que outras não têm 50 litros por dia."

As comunidades pobres estão desesperadas. Já há casos de resistência contra os medidores de água pré-paga sob o lema "Destruir os medidores, desfrutar a água". Os cidadãos que recorrem a tais medidas podem ser multados e presos. Outros têm recorrido aos tribunais. Em Johannesburgo, a corte suprema determinou que a situação é inconstitucional. 

O que a Igreja pode fazer

Os sistemas de fornecimento de água foram um dos temas principais examinados durante uma conferência da REDE ECUMÊNICA DA ÁGUA, ocorrida em Maseru, capital do Lesoto. Dra. Asa Elfström, assessora superior da Igreja da Suécia em questões relacionadas à água e ao desenvolvimento, afirma: "A Igreja conta com um histórico de apoio aos mais pobres e marginalizados. As pessoas sem acesso à água não têm poder de reivindicar seus direitos. Na maioria dos países a Igreja goza de grande prestígio e, se eleva sua voz, pode fazer com que os governos mudem suas políticas.

A REDE ECUMÊNICA DE ÁGUA é uma iniciativa de igrejas, organizações e movimentos cristãos que trabalham para conseguir acesso à água para todas as pessoas do mundo e encontrar soluções de base comunitária para a crise da água. Seu objetivo é apresentar um testemunho cristão aos debates sobre as questões hiídricas. O Conselho Mundial de Igrejas hospeda a secretaria da Rede e contribui para facilitar a cooperação entre seus participantes.

A Conferência com o tema "Que a Justiça flua como os rios" foi sediada pelo Conselho Cristão de Lesoto.

Fonte: Assessoria de Imprensa da CMI (tradução: Suzel Tunes)

Mais informações: Rede Ecumênica da Água: http://agua.oikoumene.org

Galeria de fotografias sobre os medidores de água no site: http://www.oikoumene.org/?id=5815&L=4

 


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