Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 20/09/2013

palavra episcopal março de 2006

De acordo com as pesquisas que são realizadas por aqueles (as) que se aventuram na história do Metodismo, a mulher tem exercido, desde o princípio do movimento, função preponderante na caminhada da nossa Igreja.

Os historiadores afirmam categoricamente que Susana Wesley desempenhou um papel fundamental, especialmente na formação dos filhos e na caminhada religiosa. Conta-se que, em certa ocasião, sabendo que seu esposo, o Rev. Samuel Wesley, não chegaria a tempo, Susana dirigiu o culto agendado demonstrando sua responsabilidade e compromisso para com a obra de divulgação da Palavra de Deus.

Neste contexto, quero convidar o leitor/a a abrir sua Bíblia no livro de Rute (1.1-22) e relembar, comigo, o interessante episódio que envolve três mulheres: Noemi, Orfa e Rute. Sintetizando, Elimeleque, casado com Noemi, foi habitar a terra de Moabe onde seus filhos se casam com as moabitas Orfa e Rute. Com a morte de Elimeleque e seus filhos, Noemi, Órfã e Rute ficam viúvas.

Diante das perdas, Noemi, que perdera o marido e os dois filhos, toma a decisão de regressar sozinha a Belém, sua cidade de origem. Órfã, então,  regressa para a sua cidade enquanto Rute decide acompanhar a sogra afirmando categoricamente: "... aonde quer que fores, irei eu, onde quer que pousares, ali pousarei eu..." (Rute 1.16).

Esta história fala um pouco de cada um de nós pois é a expressão do nosso cotidiano, do nosso dia-a-dia, do nosso viver e de tudo aquilo que nos envolve.
As perdas, o sentimento que envolve, o abandono, o isolamento são questões inerentes à vida. Apesar de nosso esforço, muitas vezes não temos forças e condições de vencer e superar tais momentos. Pode-se perguntar: O que fazer diante de tantas perdas? Como reagir? Estamos preparados?

Compartilho aqui dois destaques do texto:

I - O desafio do reinício
 
Reiniciar projetos é proposta que raramente imaginamos ou almejamos. Voltar ao início nos amarga, entristece e neurotiza pois imaginamos que o que vale é o caminho percorrido. Recomeçar tem, para nós, o sentido de voltar ao início o que alonga por demais a caminhada.
E se, de uma hora para outra, perdêssemos tudo (casa, veículo, trabalho etc) e precisássemos começar de novo, desde o princípio? Muito provavelmente ficaríamos sem rumo, sem um norteador que possibilitasse uma tomada de decisão no sentido de reiniciarmos nossa caminhada. O pavor, a angústia, a ansiedade, a culpa, as críticas, nos agrediriam de tal modo que, como seres humanos, encontraríamos dificuldades para uma nova etapa. Não se trata de pessimismo, falo como ser humano:  despreparado, talvez,  para enfrentar situação como essa.

No texto bíblico, as mulheres regressam às origens de Noemi de forma bem diferente daquela de quando partiu ("Ditosa eu parti, porém o Senhor me fez voltar pobre" - Rt 1.21) o que leva Rute a, inclusive, tomar a decisão de colher espigas, no verdadeiro sentido do trabalho para sobrevivência.

Ao contextualizarmos o nosso caminhar de fé, temos que pensar naqueles momentos em que inevitavelmente nos convidam para algum tipo de reinício. Quantas vezes cometemos falhas, erros e, a partir de um momento de introspecção, somos desafiados a consertar aquilo que foi errado? Deparamo-nos com as grandes questões da fé, esta fé que tem que nos incomodar, pois ela mexe com os nossos compromissos, em especial, com nosso compromisso com Deus.

Desta forma, reiniciar, sob o ponto de vista da fé cristã, é nascer de novo, é crer no poder de Deus e sentir o que Ele pode fazer com a nossa decisão, com a nossa vida e com os nossos propósitos; Reiniciar é ter a ousadia de compartilhar com Deus as nossas angústias, opressões e fraquezas e também confessar a nossa incompetência de vivermos sozinhos; Reiniciar é viver o novo  de novo; Reiniciar é sentir a experiência do filho pródigo: "...irei ter com o meu pai e direi: Pai, pequei... aceita-me de novo".

Noemi e Rute nos incentivam à fantástica experiência de reiniciarmos de novo pois este reinício está sintetizado na Graça e no Amor de Deus.

II - Fidelidade e fraternidade.

A postura de fidelidade de Rute serve de exemplo e lição para todos nós: "Aonde quer que fores, irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu...".

Fidelidade é uma exigência que Deus faz a todos nós: fidelidade na verbalização, no testemunho, nas grandes e pequenas coisas, no trabalho, no lar, na Igreja. É o compromisso que o(a) cristão(ã) tem com o Reino de Deus. Entretanto, como ser fiel em um mundo infiel, marcado e espremido pela morte? Como ser fiel neste mundo que procura nos subornar, agredir e nos tornar insensíveis?

O texto nos revela que Rute foi não só fiel ao compromisso assumido mas também solidária e fraterna ao escolher ficar ao lado daquela que no passado lhe ofereceu, entre outras, a oportunidade de fazer parte de sua família.

Como Igreja e povo de Deus temos o compromisso de colocarmos na prática a fidelidade e a fraternidade inseridas em nossos corações para que, através de nós e de nosso testemunho, possamos oferecer algo de novo a tantos corações que necessitam deste compromisso.

O calendário registra neste mês de março o Dia Internacional da Mulher. Que ao relembrarmos a data possamos faze-lo através de mulheres que marcaram e sinalizaram a caminhada histórica da nossa Igreja. São mulheres que fizeram e continuam fazendo história, como Susana, Noemi e Rute. Faço votos que as mulheres da nossa Igreja continuem firmes, inabaláveis e perseverantes na caminhada de fé, sinalizando através da pregação, da educação e da reflexão o Reino de Deus, que é marcado pela justiça, paz e amor. Envio às mulheres metodistas e não-metodistas o meu fraternal abraço, almejando que vocês continuem sendo ricamente abençoadas por Deus. Recebam os meus cumprimentos.

Rev. João Alves de Oliveira Filho
Bispo da 5ª Região Eclesiástica


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