Publicado por José Geraldo Magalhães em Social, Geral, Pastoral do Combate ao Racismo | 13/11/2013 às 10:39:17

A tradição wesleyana e a luta contra o racismo

Compartilho as traduções de duas cartas de John Wesley (1703-1791) spiritus rector do movimento metodista do século XVIII (Helmut Renders)
 
Carta de John Wesley para Samuel Hoare, 18 de agosto de 1787.
 
"Sem dúvida nenhuma, você deve se preparar para encontrar uma áspera e violenta oposição. Afinal, os escravistas são numerosos, ricos e, conseqüentemente, um grupo muito poderoso. No momento em que você colocar os seus negócios em perigo, você não toca naquilo que lhes é o mais querido? Será que eles não vão concentrar todas as suas forças contra você e reunir os seus amigos de todos os cantos? Será que eles não vão contratar escritores em grande número e que esses tratarão você sem justiça e sem misericórdia? Mas, assim eu confio, senhor, você não vai se assustar nem quando alguns dos seus amigos se tornarem contra você [...]. Admita-me dizer: para homens será impossível, mas sabemos que todas as coisas são possíveis com Deus. O pouco que eu posso fazer para promover esse excelente trabalho eu o farei com prazer. Vou mandar imprimir uma ampla edição do tratado que eu escrevi alguns anos atrás, os Pensamentos sobre a Escravidão, e mandá-lo [...] para todos os meus amigos na Grã-Bretanha e Irlanda."
 
Repare-se com Wesley descreve os métodos da opressão contra os defensores da abolição que sempre apertam mais, pela violência, pela lógica, pela argumentação econômica, pela desintegração dos vínculos de amizade - é uma aula como o terror totalitarista e colocado em função...
 
A segunda carta se torna ainda mais importante por ser a supostamente última que Wesley escreveu:
 
Carta de John Wesley para William Wilberforce, 24 de fevereiro 1791
 
“Estimado Senhor, – a não ser que o divino poder o tenha levantado para ser um Athanasius contra mundum, eu não vejo como você prosseguirá em seu glorioso empreendimento para desafiar [...] o que é um escândalo da religião, da Inglaterra, da natureza humana. Se não foi Deus quem o levantou para esta causa verdadeira, a oposição de homens e diabos o deixará exausto. Mas se Deus está com você, quem poderá ser contra? Todos eles juntos são mais fortes do que Deus? [...] Não tenha medo de fazer o bem! Continue em nome de Deus, na força do seu poder, até que a escravidão na América [...] tenha sido definitiva-mente banida.”
 
  
Veja também este pronunciamento
  
 
Ou leia a Pastoral do Racismo e entenda o posicionamento da Igreja Metodista

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