Publicado por Marcelo Ramiro em Expositor Cristão | 06/02/2015 às 13:47:30


Expositor Cristão: Igreja na Era Digital


Desde que decidi dedicar minha dissertação de mestrado à análise das relações entre a igreja e as ferramentas de marketing, tenho descoberto que elas podem produzir bons frutos se conduzidas de forma responsável e criteriosa. E a promoção é uma das ferramentas que tem grande potencial, afinal a arte de comunicar é base da ideia de propagar as boas novas do Evangelho, sendo o próprio Jesus um mestre na arte de comunicar com clareza e objetividade.
 
Mas e a Igreja hoje, segue esse mesmo exemplo buscando essa resposta? 
 
Observei que nem sempre as ferramentas de comunicação são tratadas com a importância que merecem frente aos resultados que podem apresentar. E isso não quer dizer que não são usadas, mas que frequentemente são mal usadas.
 
Com as facilidades que temos hoje, com um universo crescente de plataformas digitais à disposição para uso gratuito e, frente ao espantoso número de quase um terço da população mundial conectada, boa parte do dia via smartphones e tablets, é difícil encontrar justificativas para não estar nas mídias sociais digitais. São todas ferramentas úteis, de fácil produção e distribuição, mas que carecem de um comportamento mais responsável e profissional no uso.
 
Vejamos os principais desafios:
 
Manter um grupo de voluntários e voluntárias comprometidos/as: ter um boletim informativo semanal, gravar as pregações para distribuir em um podcast ou mesmo transmitir o culto ao vivo via streaming é técnica e financeiramente viável, no entanto para que isso seja feito de forma adequada, é importante contar com um grupo comprometido e treinado;
 
Periodicidade: ainda pior do que não aproveitar as oportunidades que a internet e os dispositivos mobiles nos dão é fazê-lo de forma descompromissada, não respeitando os prazos e a periodicidade anunciada. Por exemplo, se você assumiu o compromisso de postar as pregações em áudio todas as segundas, cumpra. Na internet quem promete e não cumpre perde a oportunidade de fidelizar o público interessado;
 
Trabalhe suas mídias de forma síncrona e coordenada: planeje sua comunicação e veja quem é seu público. As ofertas de plataformas são muitas mas você não precisa estar em todas. Use uma fanpage do Facebook, um site ou um blog para “concentrar” todo o material produzido, contendo os links da versão digital de seu boletim informativo semanal que colocou no Slideshare ou no Issuu, das gravações de áudio das pregações que estão no 4Shared, iTunes ou SoundCloud, os álbuns de fotos das programações especiais no Picasa ou Flickr e até os vídeos gravados pela igreja e colocados no YouTube ou no Vimeo. É o que chamamos de “ancorar” conteúdo, um endereço que centralizará tudo aquilo que foi postado em seus perfis em outras plataformas especialistas. Isso permite que a pessoa interessada amplie a experiência ao acessar diversos conteúdos de um mesmo culto ou atividade especial;
 
Tenha muito cuidado com a linguagem: se vai falar com o público interno da igreja você pode usar um linguajar com o qual a igreja está acostumada, mas se a ideia é fazer de seus canais digitais uma forma de alcançar os não crentes ou mesmo atender ambos os públicos simultaneamente, leve em conta que muitos dos termos e expressões comuns no dia a dia de um/a cristão/ã não são conhecidos de todo mundo, e acessar um espaço com linguagem desconhecida é um primeiro passo na direção do desinteresse e do abandono. E muito cuidado com a ortografia! Erros de português desviam o foco e prejudicam a imagem.
Ainda teríamos muito a falar desses itens de forma mais aprofundada e também outros itens a observar, mas é um começo. 
 
Fabiano Pereira
Coordenador do Ministério de Comunicação da Igreja Metodista no Matão em Piracicaba/SP
 

                 

 

Tags: era digital, igreja, dicas