Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral | 12/08/2011 às 11:36:00


Paternidade pressupõe responsabilidade


Veja também sugestão de liturgia para celebrar a data no site da Escola Dominical


 

No segundo domingo de agosto comemora-se o Dia dos Pais. Por oportuno, recordemos: o motivo que inspirou esta homenagem; quais os limites do poder paterno sobre os filhos; a responsabilidade imensa que o homem assume ao se tornar pai; sua insubstituível presença junto aos filhos e a visão bíblica sobre a paternidade.

 

Origem - esta celebração começou em Washington, capital dos Estados Unidos. Uma jovem, filha de um veterano da Guerra de Secessão, movida por um profundo sentimento de gratidão, teve a idéia de homenagear seu progenitor pela admirável dedicação com que desempenhara seu papel de pai, em circunstâncias tão dolorosas. Sua esposa falecera em 1898, ao dar à luz seu sexto filho. Ele, sozinho, fizera renúncias e sacrifícios para cuidar, educar e preparar para a vida, todos os filhos.

Em 1953, a data passou a ser comemorada no Brasil, e, atualmente, é celebrada em muitos outros países.

 

Limites do Poder Paterno - Na Antigüidade Oriental e também na Grécia e em Roma, o pater familia possuía poderes ilimitados sobre os membros da comunidade familiar. Era o temido senhor de tudo e de todos: proprietário de todos os bens,exercia as funções de sacerdote e juiz. Podia eliminar fisicamente quaisquer dos membros e até vender os filhos como escravos.

 

A sucessão dos séculos e milênios trouxe novas concepções sobre o valor e a dignidade do ser humano, em geral, e da família em particular. As transformações culturais e sociais, as conseqüentes mudanças dos costumes e a permanente atualização do Direito foram, lentamente, colocando limites nestes despóticos poderes. Nosso Código Civil de l916 revogou a legislação machista portuguesa (Ordenações Filipinas), mas ainda contemplou o instituto do pátrio poder que conferia somente ao pai a posição de chefe da sociedade conjugal, sujeitando-se a ele a esposa e os filhos, até a maioridade.

 

O novo Código Civil, em vigor a partir de janeiro de 2003, retirou do pai a condição de chefia única da família e instituiu o poder familiar. Este novo diploma estabeleceu a isonomia entre os cônjuges, estribado na Carta Magna de 1988. Logo, homem e mulher, pai e mãe, são iguais em direitos e obrigações e, no tema em tela, dentro da família e no âmbito da sociedade conjugal.

 

Presença Paterna - A relação de dependência dos filhos, sob múltiplos aspectos, é uma realidade permanente. A família - pai, mãe e filhos- é uma instituição fundamental de acolhida, aconchego e abrigo, quer no alvorecer da existência, na fase adulta ou no entardecer da vida. Para evitarem os fatos horrendos e inimagináveis dentro das famílias, veiculados pela mídia, os pais devem, com freqüência, expressar muito amor e carinho no relacionamento entre si e para com os filhos.

 

Para se estabelecer este convívio de afeição e de ternura, a presença do pai é insubstituível. Sua ausência é imperdoável! Psicólogos, sociólogos e pedagogos são unânimes em afirmar a importância do referencial masculino para o filho e para a filha, pois é uma das principais influências na formação e construção moral, social, emocional e psicológica da criança, com vistas ao desenvolvimento pleno de uma pessoa equilibrada.

 

A paternidade ideal há de ser exercida na vivência real do quotidiano. Os filhos querem um pai presente e que seja o exemplo, o amparo, o modelo, o espelho para se mirar e que tenha uma conduta, dentro e fora do lar, digna de imitação. A não ser em situações específicas e justificadas, o pai tem que estar presente atuante e sempre envolvido nos múltiplos aspectos da vida de sua família. Na simbologia de diversas culturas, o pai é representado pela coluna dorsal, sustentáculo da comunidade familiar.

 

Visão Bíblica da Paternidade - Paternidade é relacionar-se intimamente com Deus. Os filhos são presentes do Pai para pais. A Bíblia ensina que Deus é pai. Esta forma de se dirigir à pessoa de Deus está presente em ambos os Testamentos Jesus chamava a Deus de pai e disse que quando quisermos nos comunicar com Deus assim devemos chamá-Lo;" Pai nosso que estás nos céus..." (Mt 6.9). No Getsêmani, em momento de insuportável sofrimento, dirigiu-se a Deus dizendo: "Aba, Pai..." (Aba é a transliteração de uma palavra aramaica usada com ternura e intimidade pelo filho ao dirigir-se ao seu pai e tem o sentido de papai, paizinho).

 

A parábola do filho pródigo descreve a atitude de um pai bondoso, compassivo e perdoador para estabelecer uma analogia entre o pai terreno e o Pai celeste (Lc 15.11-32). A carta aos efésios traz normas que regulamentam a forma correta de convivência entre pais e filhos: "Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe. [...] e vós pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor (Ef 6.1-4). "Ensina a criança no caminho em que deve andar e ainda quando for velho não se desviará dele" (Pv 22.6). É nestes termos que a Bíblia coloca a extensão da responsabilidade paterna; assemelha-se ao inefável amor e cuidado de Deus para com os Seus filhos.

 

Conclusão - Na sociedade permissiva e profana deste terceiro milênio constitui tremendo desafio o exercício responsável da paternidade. Nunca foi tão difícil educar e conduzir os filhos dentro dos princípios cristãos e evangélicos. Há forças poderosas que militam contra a boa orientação que os pais responsáveis desejam ministrar aos seus filhos: o enfraquecimento da instituição familiar com o seu séquito de nefastas conseqüências; a banalização da vida; a degeneração dos costumes; as exibições imorais da internet; a pedofilia; as revistas pornográficas; as drogas e os vícios de todas as formas e alguns filmes e novelas que mostram cenas, atitudes e comportamentos sem nenhum compromisso com a formação ética, moral e espiritual da família.

 

No decurso dos tempos, a família, celula mater da sociedade, sofreu profundas transformações, e, em especial, a posição jurídico-social dos pais. Via meios de comunicação, todos somos testemunhas oculares do descompasso fragrante existente na convivência de muitas delas.

 

Não obstante esta realidade, o projeto de harmonia e felicidade preconizado por Deus para a família humana permanece e o pai é a peça fundamental desta singular engrenagem social. Os pais têm responsabilidades intransferíveis para com seus filhos. Os desafios serão vencidos e as dificuldades superadas à medida em que os pais terrenos buscarem o auxílio e a orientação do Deus-Pai para o exercício de sua sagrada missão:Conseguir formar uma família feliz e abençoada dentro dos parâmetros da Palavra de Deus há de ser o maior propósito e a prioridade máxima de todos os pais, pois, Paternidade pressupõe Responsabilidade.

 

Rev. Ivam Pereira Barbosa

Veja Também:

1 - Sugestões de liturgia para celebrar a data no site da Escola Dominical

2 - Liturgia para celebrar a data


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