Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 13/09/2013

A Igreja, as Crianças e o culto Cristão

   No culto cristão celebramos, com gratidão e alegria, a grande dádiva de amor revelada na encarnação, na pregação, na morte e na ressurreição do Senhor Jesus. Mas, que espaço as crianças têm nesta celebração?

 1 - Sobre os "modelos" de participação da criança no culto com os demais membros da Igreja

1.a) As crianças no templo com as pessoas adultas

A participação da criança se dá por meio de coreografias, utilizando na maioria das vezes músicas de adultos, por não se divulgar e/ou trabalhar músicas infantis.

Em algumas igrejas, o culto do 5º domingo tem ficado reservado para criança, sendo dirigido na maioria das vezes por professores. Quando a criança participa é utilizada em momentos específicos como: leituras bíblicas, oração e cânticos. Vale ressaltar que mesmo sendo um domingo separado para a participação da criança, ela não tem acesso à preparação da liturgia ou do programa do culto. No chamado "momento do louvor", sua participação resume-se apenas em apoiar o "Ministério do louvor" em pequenos atos. Outras vezes a participação ocorre por meio de dramatizações e/ou em datas especiais que acabam se tornando mais um "show" do que uma celebração a Deus.

Encontramos também algumas igrejas que estão se valendo das "crianças prodígios" (que se destacam por habilidades especiais, diferentes da maioria das outras crianças) para "ministrarem" a palavra, levando-as a serem meras repetidoras de termos, posturas e atos dos adultos.

 

1.b) As crianças no "cultinho" ou no "culto infantil"

Constatamos que na maioria das igrejas as crianças ficam no templo até o louvor e logo após saem para participarem do "cultinho", onde são realizadas atividades como brincadeiras, ensaios, reprodução de vídeos (evangélicos ou não). Também encontramos igrejas em que as crianças nem entram no templo, ficando excluídas do momento de congregar para prestar culto ao nosso Deus.

 

1.c) A criança e a Ceia do Senhor

Em muitas igrejas a ministração da Ceia para as crianças é feita separadamente, sendo ministrada pelo pastor/a ou leigo/a. Em outras, a participação ocorre no templo junto com os adultos desde que sejam orientadas pelos/as professores/as e familiares sobre o significado do sacramento. Em algumas situações elas não participam da Ceia por dois motivos: por não serem membros da Igreja ou simplesmente por serem impedidas e/ou não autorizadas pelo/a pastor/a. Também ocorre a substituição da ceia pela festa do amor e em alguns casos encontramos a utilização de apenas um dos elementos da ceia: ministra-se o pão, deixando de servir o vinho (suco de uva!) às crianças.

Alguns pastores/as  estipulam idade mínima para que a ceia possa ser servida.

 

2 - Sobre o problema com o uso de alguns termos, palavras e expressões

2.a) O que é culto?

            É a reunião para adoração a Deus e celebração da fé da comunidade, que atualiza a memória da ação salvadora de Cristo em favor do povo no passado e no presente, e onde ocorre instrução para as crianças, assim como para as pessoas adultas (Dt. 6.7).

             No A.T. a instrução era passada de geração em geração conforme  Deuteronômio 6.

            No N.T.  a comunidade  se reunia para o ensino dos apóstolos, a comunhão, o partir do pão e orações nas casas com toda a família (At 2.42-47).

 

2.b) Por que culto com crianças?

Porque "as crianças são ?agentes mirins? da Missão e, como herdeiras do Reino e parte do povo de Deus, têm o direito de serem educadas na Palavra e no Amor de Deus, de louvá-lo e cultuá-lo, de participar na celebração cúltica."

O termo ?culto infantil? tem em nossa sociedade sentido pejorativo, que diminui a importância da participação da criança, e exclui o envolvimento da pessoa adulto no processo.

Da mesma forma, entendemos que o termo ?cultinho? é extremamente errado e não tem razão de ser utilizado.

Sugestão do grupo: a) que se estude o nome mais adequado para o culto das crianças. 1: a utilização do termo Culto com Crianças. b) que o pastor/a possa participar e ministrar às crianças nos seus cultos; c) que haja um espaço físico adequado, material e recursos apropriados ao culto que as crianças darão ao Senhor.

 

2.c) A Criança

É a pessoa que está em processo de crescimento físico, emocional, psíquico, que vai do nascimento até a puberdade. Sugere-se que, para fins de participação no culto para crianças, sejam consideradas especialmente as crianças de 4 a 11 anos. Entendemos que as crianças de 0 a 3 anos devem estar sob os cuidados dos pais.

 

            3) A participação das crianças no culto com as demais pessoas da igreja e a  importância de uma linguagem apropriada do culto com crianças

            Considerando que hoje se utiliza o culto como espaço para manifestação das múltiplas funções da Igreja, em grande parte desses momentos, a linguagem é inapropriada para atender as necessidades específicas da criança.

            Por isso, percebe-se a tendência de separar a criança do culto realizado no templo quando o ideal seria a reformulação da celebração cúltica a fim de que a criança pudesse sempre ser incluída neste momento da vida da Igreja. Mas, tendo em vista a dificuldade em romper com esse modelo, pensamos em algumas alternativas possíveis para implementação de uma linguagem que atenda simultaneamente a adultos e crianças da comunidade de fé.

            Percebemos a necessidade da utilização de uma linguagem que exprima de forma simples e concreta a verdade do Evangelho; que desenvolva além do verbal o uso dos outros sentidos corporais; e que considere em seu conteúdo as questões infantis, tanto no nível do desejo quanto no que é necessário ser ensinado. Para isso, é preciso que além das pessoas que trabalham diretamente com as crianças; pastores e lideranças recebam orientação quanto ao uso de uma linguagem mais adequada ao universo infantil e que além da palavra, invista-se em outras formas de comunicação em que estejam presentes o uso de outros sentidos - olfato, tato, paladar e visão (linguagem multissensorial), que possibilite o diálogo, e contemple a dimensão racional e espiritual de seus participantes.

            Trabalhando no resgate da ordem litúrgica, e pensando na criança como sujeito que integra a comunidade, faz-se necessário marcar tais momentos de forma significativa - história, símbolos, cânticos, recursos visuais, etc. - redimensionando o corpo como instrumento de adoração, confissão, louvor, edificação e dedicação.

            Ao tornar o culto uma expressão de fé significativa para a criança, desejamos que seja perceptível a ela o desafio de ampliar sua relação com Deus para os outros espaços de sua vivência, provocando mudanças de atitude, reflexão, prática de fé, e crescendo no corpo de Cristo que é a Igreja.

Que o Deus misericordioso seja conosco! Aleluia!

 

Ronan Boechat de Amorim, pastor da Igreja Metodista de Vila Isabel, RJ


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