Publicado por José Geraldo Magalhães em Música e Arte - 06/11/2013

A importância da boa música na liturgia metodista

edson mudestoSendo Liturgia e Música os assuntos centrais desta matéria, em primeiro lugar creia que o Espírito Santo quer que você esteja a Seu serviço na sua Igreja Local.

Desde os tempos antigos o ser humano buscou formas de entrar em contato com Deus e agradar o Seu coração. Criou expressões corporais (danças, inclinações, prostrações...), utilizou elementos da natureza (flores, plantas, animais), formulou palavras, frases ou discursos e pôs tudo isso a serviço da celebração da vida e do Criador, e em toda sua existência, a música tem sido uma grande companheira destas celebrações. Celebrar significa: dar importância, festejar em massa, realizar uma ação solene, honrar, exaltar, cercar de cuidado e de estima.

O ser humano é celebrativo por natureza. As pessoas se reúnem para celebrar aniversários, conquistas, promoções no emprego, aprovação no vestibular, formatura, vitórias esportivas etc. Os povos de todos os tempos e culturas possuíam e possuem ritos festivos para celebrar momentos centrais da vida. Muitas dessas celebrações são ritos religiosos ligados ao nascimento, adolescência e casamento. Deus se agrada de celebrações que engrandeçam o Seu nome e é por esse motivo que nossos cultos metodistas devem conter liturgias criativas, que possuam um aparato musical bastante rico, com hinos, cânticos avulsos, louvor congregacional, corais, solos, danças, e se possível, orquestras.

O povo chamado Metodista é pioneiro quando se fala em hinologia cristã.  A palavra "liturgia" significa originalmente "obra pública", "á o conjunto de ritos, orações, "e cantos do culto público" que a Igreja presta a Deus, e que é determinado ou reconhecido pela autoridade eclesiástica competente. Carlos Wesley, um dos fundadores do movimento metodista, foi o maior hinista da história cristã com aproximadamente 6.500 composições, e a tradição litúrgica daquela época, estava literalmente inserida em suas celebrações. Eles utilizavam os mecanismos que possuíam em mãos na época, para abrilhantar seus cultos.

No contexto da tradição cristã, a liturgia constata  que o povo de Deus toma parte na "obra de Deus". Pela liturgia, Jesus Cristo, nosso redentor e Sumo Sacerdote, continua em Sua Igreja, fazendo a obra de nossa redenção. A liturgia também é um diálogo entre Deus e seu povo. Esse era o entendimento dos fundadores do chamado movimento metodista John e Carlos Wesley, movimento esse que revolucionou a Inglaterra no poder do evangelho, pais esse que sofria um grave crise em função da Revolução Industrial.

No ano de  1730, quando surgiu oficialmente em Oxford, Inglaterra, o chamado "Clube Santo", João e Carlos Wesley, William Morgan e Bob Kirkham começaram a reunir-se para estudarem e cultuarem ao Senhor. Chegaram a organizar uma pequena sociedade em suas reuniões. Certamente eles também cantavam variedades de hinos ao Senhor tendo em vista o dom de compor hinos que Carlos Wesley possuía. Obviamente eles entendiam que a liturgia simplesmente uma parte do culto, mas era uma profunda e singela expressão de fé. Jesus tendo fixado sua morada entre nós, revelou-nos quem é o Pai e ensinou-nos a comunicar-nos com Ele e louva-lo utilizando meios diversos de adoração inseridos em uma liturgia, e os irmãos Wesley percebiam  isso.

Amados irmãos e irmãs, a variedade musical de nossas igrejas chegou a um nível de pobreza bastante acentuado. Hoje em dia quase não encontramos mais coros mistos quartetos, duetos, corais jovens, corais masculinos e femininos. Vocês percebem que eu bato muito nessa tecla, isso porque percebo o quanto esse posicionamento prejudica os cultos das Igrejas Locais. Hoje, só se fala em louvor congregacional. Isso é muito bom, mas entendo que não é somente isso que Deus quer de nós. O nosso Deus é bastante criativo. Esse Deus magnífico que fez o mundo repleto de variedades na fauna, flora, criador desse universo esplêndido, exige de nós um prefeito louvor; um louvor variado, não discriminatório ou preconceituoso, um louvor agradável aos Seus olhos. O grande erro desse modismo musical, é que os dirigentes de música das igrejas locais abraçaram um estilo musical e desprezaram  em gênero número e grau os demais estilos, ao ponto de proibi-los de serem executados nas Igrejas Locais.

A parte musical da liturgia do culto de uma igreja local pode ser renovada, contendo muitas variedades musicais que venham agradar a todos os membros de uma Igreja Local.

HINOS: A utilização de hinos avulsos e do Hinário Evangélico pode ser feita, porém com uma roupagem moderna, sem retirar a tradição de suas composições. Nosso Hinário Evangélico possui um acervo maravilhoso de hinos belíssimos. Podemos selecionar os melhores e aplicá-los no culto.  Não podemos obrigar nossos irmãos, antigos fundadores de nossas igrejas locais a se adaptarem com os sons barulhentos de nossas baterias que, na maioria das vezes são mal executadas. Permitamos que esses amados irmãos também tenham os seus momentos de fé, contrição e enlevo espiritual no contexto do culto.

RITMOS: É essencial a utilização de louvores com ritmos variados na parte musical do culto. Faz-se necessário que aprendamos a selecionar um repertório que seja compatível à liturgia do culto.

ANDAMENTOS: É um elemento fundamental na execução dos cânticos, e se for mal administrado pode fazer desse cântico uma tragédia musical. Normalmente procura-se executar os andamentos originais dos cânticos. Os andamentos musicais são classificados em 3 espécies: Vagarosos, Lentos e Apressados (ou Rápidos). Os andamentos Vagarosos são: Grave, Largo, Lento e Adágio. Os andamentos Lentos são: Andante, Andantino, Larguetto, Allegro, Marcial, Minueto, Scherzo, etc. Os andamentos Rápidos são: Alegro, Allegro Vivace, Presto e Prestíssimo: Para marcar os andamentos musicais o aparelho mais usado é o Metrônomo de Maezel.

GRUPOS MUSICAIS: Os Coordenadores dos Ministérios de Música e Arte das igrejas locais devem ser criativos, organizando grupos musicais variados tais como duetos, quartetos, corais jovens, adultos, solos. Isso enriquece a liturgia do culto e retira um pouco daquela mesmice de uma igreja cantar dez corinhos e ficar uma hora de pé todos os cultos, e nada mais.

BANDAS/ORQUESTRAS: Se a igreja Local tiver condições, organize bandas, Big Bands, Orquestras, Bandas Gospel. Seria mais uma opção para abrilhantar a liturgia do culto.

INSTRUMENTOS MUSICAIS: Se puder, utilize uma variedade de instrumentos musicais; não fique preso somente no teclado, bateria, guitarra e contrabaixo elétrico. Já pensou em utilizar no seu Ministério de Louvor uma trompa, um violino, viola, violoncelo, contrabaixo de cordas, clarineta, flauta doce ou transversal, um violão acústico, um piano de calda. Crie um
nipe de metais: saxofone, trompete, trombone. São instrumentos de boa aceitação.

BACKING VOCAL: Na ministração do louvor, o líder deve criar no seu grupo um backing vocal, dividir as  vozes, trabalhar bem a questão da dinâmica, da afinação vocal, procurando melhorar a cada passo a qualidade musical de seus cantores.

TEMPO DOS CÂNTICOS: Não se deve demorar muito na ministração dos louvores. O ministro deve selecionar cânticos que tenham a ver com o momento do culto, tais como: santa ceia, batismo, missões, discipulado, confissão, ofertório, consagração, etc .

ALTURA DOS INSTRUMENTOS MUSICAIS E MICROFONES: O técnico de som deve regular bem o instrumental, vocal e backing vocal. Ele não deve se esquecer de que, normalmente existe uma vizinhança nas proximidades da igreja. Deve-se aumentar o som o suficiente para que a igreja ouça com nitidez.

Creio que com esse artigo, notou-se o quanto que a execução de uma boa  música enobrece a liturgia de um culto metodista. Por isso, amado/a pastor/a, invista na qualidade musical de sua igreja local. O nosso povo chamado Metodista merece, o Senhor merece.

Rev. Edson Mudesto
Coord. do Dep. Nacional de Música e Arte
E-mail edmud@uol.com.br


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