Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 13/09/2013

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Fonte: Afrokut


A primeira igreja protestante no Brasil nasceu no Recife, em 1841, pela pregação do alfaiate negro Agostinho José Pereira, letrado, que proclamava a liberdade de negros e negras nos termos bíblicos. Era uma igreja negra, que tinha mais de 300 seguidores.

Essa e outras histórias vêm relatadas em "O Movimento Negro Evangélico, um mover do Espírito Santo de Deus", de Hernani Francisco da Silva, o primeiro livro do Selo Editorial Negritude Cristã, organizado pela Rede de Organizações Negras Evangélicas (Rone).

O novo selo dará guarida a pequenos livros, a custo baixo, que tragam inovação teórica que subsidie o desenvolvimento de novos rumos e novas expressões do pensamento crítico afro-cristão e enriqueça o estudo da história do movimento negro evangélico no Brasil.

A iniciativa também representa uma contribuição para uma pedagogia inclusiva nas escolas confessionais, subsidiando professores na aplicação da lei que introduz o estudo das relações étnico-raciais nos ensino Fundamental, Médio e Superior.

O Movimento Negro Evangélico, que ganha forma a partir de 2000, é uma força no combate ao racismo e na valorização da consciência negra no segmento evangélico, que, apesar de contar com afrodescendentes em suas fileiras, tem uma longa história de constrangimento e racismo.

Histórias para relatar não faltam, desde o alfaiate pregador no Recife até Mãe Maria, negra da nação nagô comprada pelo pastor luterano Karl Leopold Voges, de São Pedro de Alcântara e de Três Forquilas, no litoral norte do Rio Grande do Sul, onde existia uma comunidade de cerca de 250 negros e negras vinculada à igreja de Lutero.

No primeiro livro do novo selo, Hernani apresenta posturas e posicionamentos das igrejas evangélicas históricas, das evangélicas pentecostais e das neopentecostais no decorrer da história.

A Igreja Metodista do Brasil é a única, segundo o autor, que tem um ministério de Ações Afirmativas para Afro-Descendentes, e a Faculdades EST, de São Leopoldo, tem um Grupo de Negros. A Igreja Presbiteriana Unida introduziu no seu calendário litúrgico um "Dia da Consciência Negra", comemorado a 20 de novembro, em memória do líder quilombola Zumbi dos Palmares.

Nas igrejas pentecostais, arrola Hernani, o trabalho de combate ao racismo e a negritude não fazem parte da agenda de nenhuma denominação desse segmento. As iniciativas que existem vêm das bases, de membros e de pastores. Nas igrejas neopentecostais, a Batalha Espiritual reforça a demonização do povo negro, embora contem com o movimento "black gospel".

Fonte ALC - Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação - Quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Foto: Afrokut

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