Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 20/09/2013

amazônia é tema da campanha da fraternidade

BRASIL

BRASÍLIA, 19 de fevereiro (ALC) - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) pretende discutir questões polêmicas que dizem respeito à Amazônia, como o avanço da fronteira agrícola sobre a floresta e a presença de estrangeiros na região durante a Campanha da Fraternidade de 2007, que será lançada oficialmente em Belém, na Quarta-Feira de Cinzas, 21 de fevereiro.

Ao falar da Campanha da Fraternidade para a imprensa, na sexta-feira, 9, o presidente da CNBB, cardeal Geraldo Majella Agnelo, disse que o governo brasileiro precisa discutir novas formas de exploração econômica da região.

"Há uma exploração voltada para o lucro, o benefício privado", afirmou, o que pode ser muito lucrativa para os fazendeiros, para o próprio país, "mas deixa populações inteiras à margem desses benefícios", argumentou.

A Campanha da Fraternidade sobre a Amazônia "poderá nos ajudar a estabelecer novos tipos de relacionamentos com a natureza ao nosso redor. A exploração desenfreada e inconseqüente do meio ambiento poderá levar-nos à autodestruição", frisou em artigo o arcebispo metropolitano de Belém, dom Orani João Tempesta.

O arcebispo lembrou o relatório sobre o aquecimento global, divulgado recentemente por cientistas, destacando que o homem é capaz de destruir o único lugar conhecido onde ele pode morar fisicamente.

Por isso, frisou, "nesse tempo em que precisamos nos converter (tempo da Quaresma), também precisamos reaprender com a Amazônia e com os amazônidas a viver em harmonia com o meio ambiente e nos penitenciarmos sobre os males que já causamos".

A Campanha de 2007 tem como tema "Fraternidade e Amazônia" e lema "Vida e missão neste chão". No lançamento da Campanha serão apresentadas diversas realidades amazônicas.
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Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação

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BRASIL

Organismos sociais questionam ato de lançamento da Campanha da Fraternidade

 

BRASÍLIA, 22 de fevereiro (ALC) - Pastorais sociais e organismos eclesiais vinculados à Igreja Católica boicotaram a participação no lançamento da Campanha da Fraternidade 2007, ontem, na ilha do Cumbu, cerca de duas horas de barco de Belém, em protesto contra o patrocínio do evento pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD).

 

O manifesto intitulado "Deus e dinheiro nos falam de projetos de vida e de modelos sociopolíticos opostos, antagônicos", título tirado do próprio texto da Campanha da Fraternidade de 2007, destaca o acerto da escolha do tema "Fraternidade e Amazônia - Vida e missão neste chão" quando surgem informações sobre as graves conseqüências do aquecimento global da Terra.

 

Mas as nove pastorais e organismos que assinam o documento denunciam a contradição entre o discurso do texto-base da Campanha da Fraternidade e a "prática manifestada no ato de lançamento", patrocinado pela CVRD, "uma das principais responsáveis pela destruição ambiental e por conflitos com as populações tradicionais da Amazônia".

 

O manifesto lembra que a privatização da CVRD será tema de plebiscito popular promovido por movimentos e entidades da sociedade civil, agendado para a Semana da Pátria deste ano (2 a 8 de setembro), coincidindo com a realização do Grito dos Excluídos e a 4a Semana Social Brasileira.

 

"Como é possível que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aceite o patrocínio de uma empresa como esta para o lançamento de uma Campanha que quer chamar a atenção para a defesa e a preservação do meio ambiente, e para a valorização das comunidades e povos tradicionais da Amazônia?" - indaga o manifesto.

 

A CVRD, segundo as pastorais sociais e organismos eclesiais, tem viabilizado a construção de uma série de siderúrgicas na Amazônia que utilizam carvão vegetal para a produção primária de ferro-gusa. Para a produção do carvão são destruídos 300 mil hectares de floresta primária a cada ano na região.

 

No entendimento das organizações que assinam o manifesto, o lançamento na ilha do Cumbu trata-se de "um evento para poucos selecionados e longe da vida das populações amazônicas", principais sujeitos da Campanha da Fraternidade.

 

Assinam o manifesto a Articulação Nacional da Pastoral da Mulher Marginalizada, a Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil, a Comissão Pastoral da Terra, o Conselho Nacional do Laicato do Brasil, o Grito dos Excluídos, o Grito dos Excluídos Continental, a Pastoral da Juventude Rural, a Pastoral do Menor e o Serviço Pastoral dos Migrantes.

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Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação 

 

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Com tema Amazônia, igreja abre embate com o governo

Campanha da Fraternidade, lançada hoje, ataca "omissão" do Estado na região

Religiosos questionam reintegrações de posse de terras sob alegação de que latifúndios têm origem esdrúxula ou são ilegais

LEANDRO BEGUOCI
FOLHA DE S.PAULO, 21 de fevereiro de 2007

A Igreja Católica retoma após oito anos o embate frontal com o governo e com empresários em uma Campanha da Fraternidade. O tema deste ano é a Amazônia e, entre as propostas, está o fim da concessão de liminares de reintegração de posse a fazendeiros que têm terras invadidas. O lançamento nacional, que pela primeira vez ocorre fora de Brasília, será em Belém (PA), às 12h de hoje.
Nas décadas de 80 e 90, as campanhas falavam de fome, falta de moradia e não era raro a troca de farpas com os governos. Mas, desde 2000, o eixo mudou. Foram feitas campanhas pelos direitos dos idosos, dos deficientes físicos.
O último tema apimentado foi o de 1999, quando o mote era o desemprego na gestão de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) -que chamou as críticas de "ingênuas".
A campanha surgiu em 1964, começa na Quarta-Feira de Cinzas e termina na quinta-feira anterior à Páscoa. O objetivo é discutir um problema com a sociedade e propor soluções.

Família humana
Dom Odilo Scherer, secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), diz que a igreja não teme novos embates: "O fundo da questão é antropológico e ético. A Amazônia está na perspectiva da família humana. É preciso cuidar do que é de todos".
Apesar da cautela de d. Odilo, o texto que orienta os fiéis para a campanha é contundente.
Em um dos trechos, diz que os cristãos devem denunciar e se opor a "projetos de dominação político-econômica que perpetuam modelos econômicos colonialistas" na região.
Segundo a igreja, "o Estado foi omisso no cumprimento de suas funções", pois "deixou de fazer a regularização fundiária, foi incapaz de fiscalizar cartórios e grileiros e de controlar a corrupção". O texto-base da campanha diz ainda que "os latifúndios, na Amazônia, têm origem esdrúxula, quando não ilegal, e que "a concessão de uma liminar de despejo, num conflito com o latifúndio, parece, pelo menos, temerária".
Três fatores, segundo a Folha apurou, pesaram na escolha do tema: os alertas mais freqüentes sobre o desmatamento, a necessidade de mobilizar os católicos a contribuir com os projetos da igreja na Amazônia e a perda de fiéis na região.
O conteúdo do texto se explica porque o catolicismo amazônico é fundamentado, sobretudo, na Teologia da Libertação. Esta corrente sustenta que a igreja deve se empenhar na transformação social.
Sobre a destruição das florestas, D. Orani Tempesta, arcebispo de Belém, afirma que a campanha pedirá, sobretudo, uma mudança de mentalidade: "Não vemos a Amazônia como uma região a conquistar, mas como espaço para dialogar".
Em relação aos outros dois motivos, predomina a cautela, mas a explicação é simples.
Metade das dioceses da Amazônia possui bispos estrangeiros. Eles pertencem a congregações religiosas de países como França e Itália, que, por sua vez, enviam dinheiro ao Brasil. "Os fiéis me perguntavam se brasileiro podia ser padre", lembra d. José Maria Pinheiro, bispo de Bragança Paulista (SP), que morou 20 anos em Rondônia e no Amazonas.
Mas estes recursos não são suficientes. A diocese de São Gabriel da Cachoeira (AM) tem uma área semelhante à da Itália continental e conta com apenas 24 padres. O bispo é chinês.
Para piorar o quadro católico, há o crescimento evangélico. O censo de 2000 aponta que 19,2% da população do Amazonas é evangélica. Em Roraima, o índice sobe para 23,6%, e, em Rondônia, chega a 27,7%. "Há áreas em que já não há mais católicos", lamenta d. José.


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