Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 20/09/2013

Bagagem de esperança

Bagagem de esperança

 

O que cabe dentro de uma mochila?  Dentro das mochilinhas confeccionadas pelas mulheres da Igreja Metodista no Planalto, Belo Horizonte, 4ª RE, foi colocado um kit básico de estudante: 3 cadernos pequenos (para os menores), um caderno grande, de seis matérias (para os maiores), um lápis, uma borracha, duas canetas, uma tesourinha, uma caixa de lápis de cor, uma caixa de canetinha hidrográfica, uma cola de 90 g. Esse material, entregue a crianças do povo indígena Tremembé, no Ceará, era o que podia ser visto. Mas dentro daquelas mochilas decoradas com a turminha dos Aventureiros em Missão havia muitas coisas que não podiam ser vistas, apenas sentidas:

Solidariedade
 Os recursos para a confecção das mochilas e compra dos materiais vieram da Igreja Metodista na Alemanha, numa mobilização que se iniciou no Natal de 2005. A campanha, intitulada "Escola embaixo das Palmeiras" tinha como principal referência a Escola Indígena Tremembé, no município de Itarema, Ceará, onde a Igreja Metodista atua por meio do Projeto Tremembé. A proposta surgiu a partir de uma visita feita por Thomas Kemper, secretário de missões da Igreja Metodista na Alemanha, ao projeto Tremembé, alguns anos atrás. Na ocasião ele conheceu a ação da Igreja, as escolas indígenas da redondeza, a missionária Marly Schiavini de Castro e lideranças locais.

Comunhão
 A produção das mochilas ficou a cargo do Projeto Gerar, criado pela Sociedade de Mulheres e do Ministério de Ação Social da Igreja Metodista no Planalto. O objetivo inicial do projeto era promover encontros nos quais as mulheres da igreja local e da comunidade pudessem compartilhar seus problemas e sofrimentos, mas também, alegrias e esperanças. Da comunhão nasceu a ação: foram organizando grupos para pintar e bordar, costurar e cozinhar. "O trabalho visa melhorar a saúde mental e emocional e, assim, cooperar na melhoria das condições de vida. O método inclui cursos de capacitação para desenvolvimento pessoal e comunitário, reuniões de reflexão, vivências e apoio pastoral", diz Lúcia Leiga de Oliveira, assessora do projeto.

Auto-estima
 As escolas indígenas beneficiadas pelas doações não têm apenas o papel de transmitir conhecimentos do currículo básico mas, acima de tudo, colaborar no resgate da cultura e da auto-estima do povo tremembé que, durante muitos anos, sofreu as conseqüências de uma colonização cruel (veja box). Contudo, o Estado mantém as escolas de forma muito precária e a Igreja Metodista tem colaborado com a manutenção material e pedagógica destas instituições. Atualmente, a Igreja está envolvida no projeto de construção de uma nova escola na comunidade de Mangue Alto, construída em regime de mutirão. "Enquanto crescem as paredes, crescem também a capacidade de articulação e organização do povo, pois todo o processo de construção física é acompanhado da discussão política, com a participação de professores, lideranças, famílias, incluindo as crianças, que dão "show", quando expressam suas opiniões e são ouvidas com seriedade e respeito pelos adultos", conta a missionária Marly. "Deus tem abençoado de tal maneira esse trabalho, que o pessoal da comunidade de vez em quando diz: "parece até que esse dinheiro tá criando"... Aparece ajuda de onde a gente menos se espera, até de pessoas que nem sabiam que existiam índios por aqui. Está sendo uma experiência e tanto, pra todos nós, e até as dificuldades que surgem se transformam em bênçãos, com as lições aprendidas".

Suzel Tunes


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