Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 13/09/2013

Credo Social na Semana Wesleyana

Cem Anos de Credo Social Metodista

"Vós sois o sal da terra": 100 anos de Credo Social Metodista - experiências e perspectivas. Esse foi o tema que a Faculdade de Teologia da Igreja Metodista, em São Bernardo do Campo, debateu na 57ª edição da Semana Wesleyana, entre os dias 26 e 30 de maio. Aqui você encontra um resumo das discussões.

           

Sexta, 30 de Maio: O último dia da 57ª Semana Wesleyana teve síntese crítica das palestras, culto com o Bispo João Alves e lançamento de CD histórico.

 

Magali do Nascimento Cunha, professora da Fateo, fez uma avaliação das palestras da Semana, embasando seus comentários no pensamento de Richard Niebhur, teólogo americano que refletiu sobre a responsabilidade social das igrejas. "Minha liberdade tem que ter responsabilidade com o outro. Quando jogo o lixo na rua, contribuo com as enchentes que chegam às casas, porque os bueiros estão entupidos. Eu não vivo sozinha", explicou a professora.

A palestrante também fez uma avaliação crítica a partir de algumas frases que foram ditas no decorrer da semana. Por exemplo: "Não é fácil convencer igrejas a se engajarem socialmente"; "Discurso bonito, mas práxis que não diz respeito a esse discurso"; "corremos o risco de vivermos nas igrejas, de vivermos o ensimesmamento (isolamento coletivo)". As igrejas crescem e o cristianismo parece diminuir, reforçando suas divisões partidárias:  progressistas versus conservadores; liberais versus consagrados; ecumênicos versus evangelicais, entre outros. Feita essa avaliação crítica da igreja, ela convocou a plenária a cantar a música Kyrie Eleison (Piedade de nós). Após o cântico congregacional, Magali destacou a missão da igreja que caminha de mãos dadas com o social, e traçou referências missiológicas como: "ganhar almas  para Jesus deve significar ganhar dedicação às prioridades de Deus, que exige uma resposta. Arrependimento e conversão começam na própria igreja". Portanto, "a pregação na igreja deve considerar o pecado social e a conversão social. Niebhur afirma que a igreja responsável é a igreja apostólica" acrescentou.

 

Ações responsáveis

Dentro dessa perspectiva a professora falou sobre a questão da ética cristã, "como uma necessidade de formar o caráter do cristão, necessidade de um comportamento especial na sociedade". Foi mais além ao citar o texto do Evangelho de Marcos 8.11-26 "vocês tem olhos para ver e não vêem, ouvidos para ouvir e não ouvem..." É preciso ver a nossa realidade e denunciar o que não é da vontade de Deus.

Outros pontos destacados foram a necessidade de unidade entre cristãos(ãs) para o testemunho concreto da fidelidade de Deus; a dimensão política como busca de soluções que possam transformar a realidade das pessoas; a atuação política sem partidarismos; os conselhos sociais como um espaço onde a igreja possa testemunhar o amor de Jesus e somar esforços para o bem da comunidade.

Após listar uma série de temas que foram ditos na semana --  justiça econômica, superação da violência, direitos humanos, meio ambiente, educação entre outros -- ela destacou alguns que ficaram de fora - e fizeram falta -- na discussão. Dentre eles: consumo responsável, inclusão do idoso e pessoas com deficiência, situação prisional, o acesso à água e urbanização.  

 

O Grande Julgamento

O culto de encerramento da Semana Wesleyana contou com uma encenação feita pos alunos da Fateo, enfatizando a responsabilidade de fazer o bem aos pequeninos, presos, pobres, marginalizados. A pregação do Bispo João Alves baseou-se no texto de Mt 25.31-46, intitulado pelos exegetas de "O Grande Julgamento". Em um dos momentos de sua fala, o bispo salientou a urgência do trabalho da Igreja para dignificar a vida. Essa deve ser nossa meta, a do crescimento na santificação e no serviço: "A Igreja é peregrina e cresce quando sai de si mesma. É preciso ter ações embasadas em um crescimento de santificação, sem ser individualista. Precisamos trabalhar juntos".

 

     CD e livros lançados na Semana

   Editeo lança livros na Semana Wesleyana 2008

 

           Como nos anos anteriores, a 57ª Semana Wesleyana também contou com lançamento de produções da Editora da Faculdade de Teologia, a Editeo. Foram lançados mais dois exemplares das revistas Caminhando (nº 21) e Mosaico Apoio Pastoral (nº 41) e o livro com os conteúdos da Semana Wesleyana 2007 intitulado Mil Vozes para celebrar, sobre os 300 anos de Charles Wesley e sua contribuição à musicalidade das igrejas.

Foi lançado também o CD Mudança, trabalho de remasterização de um LP gravado plo coral da Fateo em 1984, o "Canto da Terra". A reedição comemorativa traz canções que falam de justiça social e esperança e marcaram época nas igrejas metodistas:  Xote da Vitória, Momento Novo, No Amor de Deus e Lavapés são algumas das composições para ouvir, cantar... e pensar.

José Geraldo Magalhães Jr. 

 

 

Quinta, dia 29 de maio, 19h30: Testemunhos e palestra do professor Helmut Renders nos desafiam. Qual é nosso projeto de Igreja? Nossa mística é isolada ou relacional?

 

Dois testemunhos emocionantes antecederam a conferência de Helmut Renders, professor da Faculdade de Teologia. Marco Antônio da Silva (mais conhecido como Markinhus) coordenador do projeto Meninos e Meninas de Rua em São Bernardo do Campo, falou de sua experiência como integrante da primeira turma que participou do projeto, na década de 80. "Eu estava na rua e me chega uma senhora baixinha, querendo me conhecer". Era a pastora Zeni de Lima Soares que, ao lado de outros pastores, pastoras e estudantes da Faculdade de Teologia procuravam salvar a vida de crianças que viviam ou trabalhavam na rua e eram frequentemente ameaçadas por grupos de extermínio. Muitas meninos e meninas morreram naquela época. Mas muitos foram salvos. "Se hoje muitos são pais e mães de família, é por que a Igreja os protegeu naquela época", testemunha Markinhus. Várias crianças foram abrigadas na própria Fateo. "Os metodistas que conheci não me disseram que eu devia ser metodista. Nunca fomos chamados a ser mais um. Mas nas várias quedas, nos vários sorrisos e choros, sempre esteve presente conosco algum metodista", diz ele.

 

Diná Branchini, coordenadora do Ministério de Ações Afirmativas Afro-descendentes da 3ª Região, contou como "descobriu que era negra". "Como metodista, eu aprendi a ser branca", diz ela. Elementos da cultura negra, como o samba, por exemplo, eram classificados como inferiores ou pecaminosos.  "Mas, como metodista, também aprendi a ter visão crítica. Aprendi a questionar nas classes de Escola Dominical". Assim, diz ela "um pouquinho tarde eu me tornei negra". A partir dessa tomada de consciência, ela começou a organizar cultos no Dia da Consciência Negra, em sua igreja. "Falar de Zumbi dentro da Igreja?" Para alguns irmãos, a figura de Zumbi confundia-se com a do demônio. Para Diná, reconhecer e valorizar a sua herança étnica e cultural  foi um processo de emancipação - que, agora, ela espera levar a outras pessoas que, até hoje, sentem-se inferiorizadas ou discriminadas. "Senti que minha missão na Igreja era trabalhar com a questão racial".

 

Imaginário sócio-religioso

 

Espiritualidade: imaginário sócio-religioso e realidade foi o tema da palestra do Rev.Helmut Renders, na noite de quinta-feira. Por que falar de imaginário religioso numa semana em que o tema central é a ação social da Igreja? Ele explicou: "Há imaginários que favorecem a vivência e a promoção de um Credo Social e outros que fazem desconsiderá-lo e até combatê-lo". Segundo o professor, carregamos conosco muitas imagens de nós, do mundo e das relações, seja com Deus ou com o próximo. Os imaginários são culturalmente falando mais abertos para o seu ambiente do que se percebe.

 

O imaginário religioso brasileiro está bastante marcado pela experiência mística. O cristianismo na América Latina teve sua espiritualidade configurada por três místicos ibéricos: Teresa D´Ávila, João da Cruz e Inácio de Loyola. "A mística é parceira da modernidade, quer uma reação contra o racionalismo, quer parte integrada e integradora da busca das identidades religiosas brasileiras", disse o professor. Ele salientou que a mística contemplativa não responde de forma plena aos desafios da vida; é necessária uma sinergia divino-humana e uma mística relacional -  como ensinava John Wesley, para quem a contemplação consistiria na cessação de todas as obras (e, como se lê em Tiago 2.17, a fé sem obras é morta).

 

Helmut Renders analisou, então, duas publicações evangelísticas que representam dois diferentes projetos de espiritualidade --  vigentes até hoje, e em permanente conflito. Inicialmente o professor mostrou o folheto "Somos deste mundo", editado em 1963. Esse folheto dá ênfase aos problemas sociais e à responsabilidade da Igreja na busca de soluções. Mas essa publicação não ficou tão popular quanto uma outro, mais antiga, que ficou conhecida como "Livrinho do Coração".  

   

O Livrinho do Coração traz o desenho de um coração humano que, afastado de Deus, fica cheio de figuras de animais, cada uma representando um pecado (por exemplo: o desenho do pavão representando o orgulho e a tartaruga, a preguiça). Ao centro desse coração pecaminoso, destaca-se a figura de Satanás, devidamente "equipado" com tridente, chifres e rabo. Quando o Espírito Santo entra no coração (representado pela figura da pomba), as figuras do mal batem em retirada, mas ficam à espreita, do lado de fora, esperando apenas um mínimo descuido para retornar.

 

O autor desse livrinho que ficou famoso em todo o meio evangélico era um (vejam só!) um missionário católico alemão. A influência católica se vê, por exemplo na descrição dos "pecados capitais". O livro foi publicado em 1732 e chegou ao Brasil em 1914, tendo sido reimpresso inúmeras vezes até 1970 (inclusive pela Imprensa Metodista). Mas, durante esses anos, ele não sofreu alterações ou atualização da mensagem. A mensagem, elaborado no contexto das guerras napoleônicas, trazia a visão de um mundo ameaçador. O crente, para se manter fiel à Palavra de Deus, deveria manter-se afastado do mundo, evitando se contaminar pela sua malignidade. "Quem imagina assim o mundo, como vai abraçar o Credo Social?" - questionou o teólogo.

Ficou, para a Igreja, a questão fundamental: qual é nossa visão de espiritualidade? Uma mística relacional ou uma mística isolada?

 

Suzel Tunes

 

 

Quinta, 29 de maio, 8h: Aspectos do Credo Social para o Século XXI. Componentes da mesa: Padre Benedito Ferraro, Marilia Schuler e pelo Professor Nicanor Lopes. 

Por meio das palavras do professor Nicanor Lopes, fomos convidados a refletir sobre a crise de alimento no Brasil, sobre o tradicional "arroz com feijão" que a cada dia fica mais caro. Nesse sentido, ele perguntou: "o que uma leitura de modernidade e pós-modernidade nos oferece sobre a realidade da vida humana? Muitas vezes são ferramentas sociológicas importantes, mas essas não resolvem os nossos problemas". John Wesley, em 20 de janeiro de 1973 também refletia sobre a escassez de alimentos, e em sua época combateu o mesmo problema: no contexto era a falta de aveia, pois estava sendo utilizada para alimentar cavalos que seriam vendidos à França em troca de impostos. Hoje nosso grão é produzido para ser utilizado como bio-combustível.

 

Sob a inspiração da frase dita por Jesus aos discípulos quando uma multidão precisava ser alimentada: "Dai-lhes vós mesmos de comer" (Lucas 9.13), o reverendo Nicanor Lopes nos trouxe sugestões em nível macro e micro, sugestões práticas de atuação social por parte das igrejas, para que essa seja eficiente junto à comunidade em que está inserida. Considerou também que as comunidades de fé não podem perder o referencial de ser a "voz profética" à nação: contra o pecado estrutural, devemos lutar pela redistribuição de renda e poder, pois se existe escassez para uma maioria é porque existe uma minoria acumulando.

 

O padre Ferraro falou sobre a importância do comprometimento social, e que esse deve contemplar os campos do respeito e diálogo com "o diferente de mim". Devemos ter a sensibilidade para entender que trabalho social só é possível mediante maturidade ecumênica e atuação inter-denominacional. Segundo ele, aí sim, a paz no mundo será uma conseqüência do fato concreto de existir paz entre as Igrejas.

 

Segundo Ferraro, precisamos preservar uma doutrina social dinâmica, cujas bases sejam a - considerando como fonte principal da fé a Bíblia - e a Razão. Nossa reflexão deve estar aberta às intuições humanas (o chamado senso comum) e também às reflexões sistematizadas, ou seja, das ciências humanas e sociais, dentre outras. Segundo ele, o problema social é fruto de um "pecado social", o que gera uma violência institucionalizada. Sob a frase de Gregório de Nissa (330 d.C) -  "de que vale consolar um pobre se tu fazes outros cem?" -  Ferraro trouxe-nos a reflexão de que todas as pessoas têm uma igualdade básica, e que nesse sentido amamos "o pobre", matriz geradora da Bíblia, quando trazemos libertação da opressão da miséria. Em sua conclusão, seu apelo é para que coloquemos o ser humano em primeiro lugar, nos seguintes quesitos: no emprego e trabalho; que a ênfase seja a pessoa humana como a privilegiada e não o capital; porque, segundo ele, a iniqüidade social é um processo, promotor de injustiças múltiplas, bem diferente de "pura obra do demônio".

 

Marilia Schuler falou sobre a necessidade de nos comprometermos com a sociedade. Ela se baseou na parábola do Bom Samaritano, relembrando a pergunta: "quem deve ser o meu próximo?". Schuler enfatizou que o nosso próximo é o coletivo, e que no coletivo toda a criação de Deus experimenta a plenitude da realização. Em nossa consciência e atuação cristã, o social deve ser o cerne e não o periférico, o apêndice. Porque ao Senhor pertence o mundo e sua plenitude. Devemos, portanto, lutar contra "os salteadores da vida humana", por exemplo, racismo, exclusões, dentre outros. Enquanto a sociedade humana é oprimida por salteadores intolerantes à liberdade religiosa, segundo ela, expressão legítima de liberdade, nosso próximo conta conosco para modificarmos a realidade na qual estão sendo subjugados. Nesse sentido, ser cristão é muito mais que defender uma "bandeira denominacional": é fazer parte da "Oikoumene" de Deus, enquanto no todo, obras legítimas do processo criador de Deus.

 

Contribuição: Antônio Luiz de Freitas Junior. Aluno do 3º Ano, matutino, da Faculdade de Teologia/Universidade Metodista de São Paulo.

 

Quarta, 28 de maio, 8h: O reitor da faculdade de teologia, Rui de Souza Josgrilberg, fala sobre o tema Credo Social - uma proposta teológica. O professor Paulo Garcia foi o mediador.

Você sabe qual foi o primeiro Credo Social histórico? Ele está publicado no Antigo Testamento! Nesta quarta-feira o reitor da Faculdade de Teologia, Rui de Souza Josgrilberg, deu continuidade à Semana Wesleyana inspirado no tema: Credo Social - uma proposta teológica. "Há alguns fundamentos que às vezes esquecemos: por exemplo, somos humanos e parte da Criação de Deus", disse o reitor. Para ele, a nossa autonomia não é para viver em torno de si, mas com o próximo. Essa é a razão de ser do Credo Social, uma contribuição como marca metodista e é também, uma contribuição para toda a sociedade.

A junção de "eu creio" e "nós cremos" é um aspecto fundante do ser cristão, ou seja, a proposta de recuperar o social na condição cristã é a dependência um do outro. A correlação nada mais é que relacionar-se com o outro, não existe o social e o pessoal, mas uma dependência recíproca.

O professor Rui citou também a Constituição da Igreja Metodista como documento maior de nossa igreja. Ele citou o Art. 3º nos parágrafos 1º e 2º, que descrevem sobre nossas doutrinas. Nessa perspectiva, ele diz que o Credo Social tem 4 itens:

1.A responsabilidade cristã é a Palavra de Deus. A Bíblia tem o povo, a sociedade e tudo que acontece como "pano de fundo";

2. Testemunho de Wesley;

3.Unidade cristã e serviço comum que prestamos;

4.Contexto científico e tecnológico. "Vamos unir crença e máquina global há tanto tempo separada", afirmou.

Ele expôs as bases bíblicas para o Credo Social, mencionando a Trindade como percepção de que Deus está na humanidade. "O que está em jogo é uma dimensão cósmica. Só podemos ser salvo com o outro e não individualmente. Para entender a humanidade, é preciso estar enraizado com o outro no social, e romper o ensimesmamento envolvendo-se com o outro, o Reino e sua justiça". Em sua definição de Reino, ele afirmou que é a "maior organização coletiva que está em nós e entre nós".

O Senhorio de Cristo em sua concepção é "o Senhor da terra, das instituições e de toda a realidade. Ele é o Senhor das instituições. A mensagem evangélica não é somente uma mensagem para pessoas, mas uma mensagem social para o povo" . Citou o exemplo da Marcha pra Jesus que reuniu mais de 1,5 milhão de pessoas, mas não teve atuação social.

Certa vez, contou o prof. Rui, Wesley procurou um determinado "homem sério", um conselheiro para lhe esclarecer sobre como servir a Deus e o caminho da salvação. O tal homem sério respondeu: "busque seus amigos, se não os tem, faça-os".  "A salvação é entendida como processo da nova criação. Wesley percebeu que não podia ser cristão sem amigos, viver isoladamente, ou seja, a fé cristã é social. Esse é o pano de fundo que às vezes é esquecido", destacou.

Muitas pessoas podem não saber qual é o primeiro Credo Social. Quem foi à palestra do reitor da Fateo não tem mais essa dúvida. O primeiro Credo Social está em Dt 26.5-10 .

José Geraldo Magalhães Júnior

 

Terça, dia 27 de maio, 8 h: Que tipo de Credo Social o nosso tempo está pedindo? Os professores da Fateo, Bispo Paulo Ayres e Rev. Cláudio Ribeiro falam sobre questões que desafiam as igrejas locais.

Cláudio Ribeiro, que atua como pastor na Igreja Jardim Santo André, na periferia da cidade, destacou que uma das maiores preocupações de sua comunidade é com trabalho e emprego. Para o neo-liberalismo, que descarta a participação do Estado na regulação da economia, não há cidadãos: apenas peças descartáveis da engrenagem.

Paulo Ayres lembrou-se de uma experiência chocante pela qual passou sua irmã, que realizava trabalho de ação social no morro Chapéu Mangueira, no Rio de Janeiro. Ela encontrou lá um menino que conhecia, portando uma metralhadora e tentou alertá-lo para o perigo de ingressar no crime. A resposta dele foi categórica: "Meu pai foi pobre a vida inteira. Se eu morrer, pelo menos morro de Nike no pé".

Ele afirmou que o tráfico de armas, o narcotráfico e a prostituição respondem, segundo pesquisas, por 61% da circulação de recursos econômicos em todo o mundo. Ou seja, 61% da economia mundial tem origem ilícita.

Há, ainda, outras questões para as quais as igrejas devem acordar, como a questão agrária, indígena, a luta dos quilombolas e o racismo que ainda impede expressões culturais afro-brasileiras nos templos protestantes.

A palestra da manhã não fechou questões. Ficou aberta a pergunta: precisamos construir um novo credo social para o nosso tempo? Ou precisamos conhecer os documentos que temos e aplicá-los realmente?

Suzel Tunes

Segunda, dia 26 de maio, 20 h: Semana Wesleyana começa trazendo duas pessoas que fizeram história na Igreja Metodista e no país: Lídia Santos e Aldo Fagundes

Na Semana Wesleyana de 2008, segunda-feira à noite, participaram da mesa de discussões com contribuições teóricas para nossa reflexão, Lídia Santos e Aldo Fagundes.

Lídia Santos, com seus 84 anos de idade, falou de suas experiências de vida, relembrando momentos em que atuava na Junta Geral de Ação Social da Igreja Metodista na condição de assistente social, emocionando os/as presentes com sua simplicidade. Dentre alguns exemplos concretos que ela deu sobre esse período, ela destacou os diálogos feitos com a Funai em prol das reservas indígenas. Na concepção dela, atualmente se canta muito bonito, mas pouco se faz em nível de comprometimento social. Fechados dentro das quatro paredes das nossas Igrejas, mostramos que o nosso belo discurso não condiz com nossa prática. Segundo ela, hoje nem mesmo se lê o Credo Social dentro das Igrejas. Seu apelo foi para que saiamos de dentro de nossa "zona de conforto" e que se planeje uma ação realmente eficiente junto à sociedade, na comunidade local em que estamos inseridos.

Aldo Fagundes, metodista de grande renome político, tendo atuado inclusive como ministro do Superior Tribunal Militar, abordou em sua palestra 10 temas sobre o Credo Social da Igreja. Dentre eles, abordou o início do movimento metodista e os aspectos que evidenciam a ênfase com a preocupação social. Segundo ele, como metodistas, nosso lema evidencia o "invadir o mundo", e não nos "evadirmos" dele. Segundo Aldo, um certo espiritualismo atual que não responda concretamente às demandas sociais é diferente da proposta do cristianismo primitivo e do metodismo original. Em sua palestra, abordou aspectos históricos do Credo Social, inclusive as mudanças efetivadas no mesmo com o passar do tempo. Segundo Aldo Fagundes, temos a tendência de querermos modificar os documentos, porque isso é mais fácil do que trabalhar para modificar almas.

O Credo Social faz jus à tradição do metodismo no tocante à sua atuação na Europa do século XVIII, período do iluminismo e racionalismo, na busca pela valorização da pessoa, pois a pessoa é maior que a instituição, as pessoas, sim, precisam mudar. Nesse sentido, sua proposta é de uma fé cristã participativa, onde se considera que crescimento numérico não é eficiente se não está diretamente relacionado com uma renovação social, uma dimensão de transformação que passa muito mais pela dimensão ética.

Contribuição de: Antônio Luiz de Freitas Junior.

Aluno do 3º Ano, matutino, da Faculdade de Teologia/Universidade Metodista de São Paulo.

VEJA TAMBÉM:

Saiba mais sobre as RAÍZES DO CREDO SOCIAL DE WESLEY ATÉ O SÉCULO XIX.

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A UNIMEP, em parceria com o Grupo de Pesquisa Protestantismo e Educação do Programa de Pós-Graduação em Educação, promoverá, nos dias 6 e 7 de junho, a VII Jornada Wesleyana com o tema: Historiografia da Educação Metodista do Brasil - século XXI. O objetivo do evento é levantar, catalogar e divulgar os resultados das pesquisas sobre o tema em questão.

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