Publicado por Herbert em Discipulado, Expositor Cristão | 13/04/2014 às 19:59:40

Artigo: Dinâmica do Discipulado

Expositor Cristão/Pr. Ubiratan Silva



Quando Paulo instruiu a Timóteo que transmitisse a homens fiéis e idôneos o que dele aprendeu e que estes deveriam também ensinar a outros, contemplo claramente no texto a dinâmica de discipulado. Entendo que essa dinâmica abrange dois conceitos: o dinamismo pessoal e eclesiástico e a vivência da essência que o discipulado requer.

Para falar do primeiro conceito, faço uma pergunta: o dinamismo do discipulado é para todas as pessoas? Sim! Para todas as pessoas que aceitam o discipulado como estilo de vida, que desejam conhecer intimamente Jesus Cristo, viver como ele viveu e estar disponível em fidelidade e submissão à visão que Deus deixou para a sua Igreja: "Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações" (Mt 28.19).

O dinamismo do discipulado acontece porque é um movimento gerado no sopro e na dependência do Espírito Santo para aqueles/as que se dispõem. Essa verdade está nas Escrituras quando Jesus, em João 20.21-22, envia seus discípulos para fazerem novos discípulos e sopra sobre eles o Espírito Santo. O movimento do discipulado capacita homens, mulheres, jovens e crianças a se tornarem frutíferos/as no reino de Deus. O discipulado é a visão, dinamicamente movida pelo Espírito Santo, que Deus deixou para o crescimento espiritual e numérico de sua Igreja, tornando-nos fiéis e idôneos. Tornamo-nos fiéis, porque passamos a priorizar a visão de Deus de ir e fazer discípulos. E idôneos porque temos o caráter tratado e somos capacitados/as para discipular outros/as, gerando dessa forma uma comunidade dinamicamente viva que ganha, consolida o novo na fé, discípula e envia na perspectiva da salvação, santidade e serviço.


A fidelidade à visão de Deus também nos ajuda a sair de rotinas eclesiásticas, do ativismo religioso e de eventos sem propósitos; rotinas que fazem uma comunidade pensar que tem vida, mas infelizmente, passam anos e anos sem acrescentar uma vida à comunhão da igreja. As atividades e eventos devem ser objetivamente voltados para as pessoas que precisam ser alcançadas pelo evangelho de Jesus Cristo e discipuladas segundo os princípios bíblicos; dessa forma experimenta-se a alegria de, dia a dia, receber pessoas salvas em Jesus Cristo para comunhão da igreja.

O segundo conceito da dinâmica do discipulado está em sua essência. Sabemos que o discipulado acontece a partir de relacionamentos pessoais comprometidos e com propósito entre duas pessoas. Porém, é necessário conceituar sua essência, para que o discipulado não se torne um mero programa. Para isso, precisamos observar três aspectos.

O primeiro é vida com Deus. A pessoa que discipula, em seu relacionamento com seu/sua discípulo/a, precisa ensiná-lo/a que o importante em primeiro lugar, é ter vida devocional profunda com Deus, na qual a oração, leitura da Palavra, adoração, santidade, contemplação, submissão, renúncia, serviço, inteligência espiritual, autoridade espiritual e tudo que emana da nossa busca pessoal por Deus devem impregnar o viver de um/a discípulo/a.
O segundo é a autenticidade dos relacionamentos pessoais que devem ser comprometidos, transparentes e com propósito. Essa etapa é importantíssima. O/a discipulador/a só conseguirá desenvolver, de forma plena, a fidelidade e idoneidade de seus/suas discípulos/as se barreiras e máscaras forem retiradas. Para que isso aconteça é necessário que o/a discipulador/a testemunhe ter vida com Deus, com isso ele ganhará a confiança do/a discípulo/a, abrindo caminho para compartilhar as dificuldades, para confessar os pecados, pedindo a Deus perdão e a cura.

O terceiro aspecto integra o ensino e aprendizado em obe­diência à instrução de Jesus: que deveríamos ensinar a guardar tudo que ele nos ensinou. Essa é uma etapa, digamos, essencialmente de santificação, em que um/uma discípulo/a mais maduro/a junta-se a um/a mais novo/a, com o objetivo de ensiná-lo/a a viver os ensinamentos deixados por Jesus Cristo. Nessa etapa, o testemunho pessoal do/a discipulador/a é fator importante, pois ninguém pode ensinar aquilo que não vive.

O discipulado verdadeiramente dinâmico é aquele que gera, na esfera comunitária e pessoal, fidelidade à visão de Deus, vida devocional profunda em santidade, amor às vidas e comprometimento em servir a Deus e uns aos outros. Se não é assim, o discipulado é apenas um instrumento de resultados.


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