Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 13/09/2013

ensino de criacionismo em escola confessional

O ensino do criacionismo em escolas religiosas foi o polêmico tema da última edição da revista Cristianismo Hoje (nº 9). O evolucionismo, teoria criada pelo naturalista Charles Darwin, cujo bicentenário de nascimento está sendo comemorado neste ano (ele nasceu em 1809 e morreu em 1882), é aceito pela comunidade científica, mas contestado por alguns grupos religiosos (clique aqui para saber mais sobre esta teoria).

A diretora de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Maria do Pilar Lacerda, declarou à revista que o MEC é contrário ao ensino criacionista nas aulas de Ciências ou de Biologia. "A nossa posição é objetiva: criacionismo pode e deve ser discutido nas aulas de religião, como visão teológica, nunca nas aulas de ciências", disse.

Na reportagem elaborada pela revista Cristianismo Hoje, o pastor e historiador metodista José Carlos Barbosa foi um dos entrevistados. Leia abaixo trecho de sua entrevista:

"... o assunto não é ponto pacífico nem nas escolas confessionais. ?um professor bem formado e consciente não vai falar sobre criacionismo em aula de ciência?, disse Barbosa (...), que é autor de vários livros, dentre os quais, Lugar onde amigos se encontram - Caminhos da Educação no Brasil (Editora Unimep). ?Lembro de uma palestra que ouvi no Salão Nobre do Colégio Piracicabano, ministrada pelo professor Warwick Kerr, membro da Igreja Metodista e importante cientista. Ele disse em 1979 que era cristão e que não via nenhuma incompatibilidade entre a Bíblia e os ensinos de Darwin. Penso como ele?, frisa".

Independentemente da polêmica levantada em torno do ensino do criacionismo nas escolas confessionais, há de se reconhecer o papel de suma importância que essas escolas tiveram na base da educação brasileira. Barbosa afirma que os protestantes foram os principais responsáveis pela educação na agenda do país. Na entrevista à Cristianismo Hoje,ele afirma que "não podia ser diferente, já que para ser protestante era necessário ter um mínimo de escolaridade a fim de ler a Bíblia". O pastor e historiador lembra ainda que no ano de 1837, no Rio de Janeiro, os metodistas criaram a primeira Escola Dominical do país.

Nesse sentido, as escolas confessionais foram responsáveis em promover importantes mudanças na sociedade. Como destaca Barbosa: "A primeira delas é referente à educação da mulher, que não tinha espaço na sociedade brasileira. A criação de um colégio para educar mulheres foi uma coisa escandalosa e ajudou a sociedade brasileira refletir sobre a questão", disse referindo-se ao Colégio Piracicabano, fundado em 1881 no interior paulista. Essas escolas foram inclusivas, pois além de ensinarem às mulheres também priorizavam os pobres. Barbosa diz que, "além das escolas destinadas à educação dos filhos da elite brasileira, as denominações protestantes também organizaram milhares de escolas paroquiais para atender crianças oriundas de famílias carentes". Hoje segundo dados da Associação Brasileira de Instituições Educacionais Evangélicas (ABIEE), o número de Instituições confessionais chega a 900 unidades, que se estende do maternal até o nível superior.

 Para o pastor metodista entrevistado pela revista Cristianismo Hoje (foto), evolucionismo e criacionismo não são incompatíveis

José Geraldo Magalhães Jr.

Informações da Revista Cristianismo Hoje, Edição 9 ano III



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