Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 09/08/2011

Missionário conta como está a situação em Vale do Ribeira, SP

No início de agosto, municípios próximos ao rio Ribeira, tanto do lado paulista quanto do lado paranaense, sofrem com temporais. Entre segunda, 1, e terça, 2, 70% das ruas da área urbana de Eldorado, SP, ficaram debaixo d'água, segundo a Defesa Civil.

O pastor Martin dos Santos Barcala, que atualmente exerce o trabalho missionário nesta região, nos escreve o texto abaixo:

 

Eldorado: um drama que se repete


“Ás margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião”.
(Salmo 137,1)


A recorrência de algumas situações na vida não as tornam mais aceitáveis. A conformação à elas é uma violência ao espírito. Aguardando o tempo passar com força e determinação, consegue-se testemunhar histórias de superação, daquelas que nunca são contadas com satisfação e euforia, mas que deixam perceber um misto de saudade do que era antes e confiança no que ainda virá.

Quando chegamos a Eldorado, no início deste ano, ouvimos histórias deste tipo, de pessoas diferentes, que nos mostravam as marcas de uma enchente ocorrida em 1997. Pequenos resquícios deixados em estruturas agora totalmente reconstruídas. As marcas eram mais evidentes na memória do que nas paredes. Eram cicatrizes na alma de um povo feliz, trabalhador e muito acolhedor.

Andando pelas ruas transitáveis da cidade ontem (03/08), as marcas eram, mais uma vez, evidentes e profundas. A cicatriz tornou-se ferida reaberta. O lastro de destruição era maior do que os olhos poderiam alcançar.

A preocupação com as áreas e, principalmente, com as pessoas que muitos olhos não enxergam – mesmo em tempos em que o rio Ribeira de Iguape transcorre normalmente – crescia à medida que algumas notícias chegavam aos ouvidos. Infelizmente, em situações como estas que testemunhamos em Eldorado, nas quais parece que todos precisam de tudo, muita gente sofre primeiro e por mais tempo.

Na tarde de ontem, a população começava a retirar os entulhos e a lama que invadiu suas casas, lugares de convivência, e devastou suas intimidades. Cerca de setenta por cento das pessoas perderam tudo. Bairros inteiros da zona rural foram devastados. Estima-se que oitenta por cento da produção agrícola escoou nas correntezas do Ribeira.

Sinceramente, não gosto da conclusão do salmo 137. É um daqueles textos bíblicos que leio com a mente cheia de indagações e o coração indignado! Ontem, ao lado de irmãos e irmãs sujos de lama, o primeiro verso daquele salmo resumia as nossas opções de maneira magistral.

Hoje, enquanto escrevo estas linhas, “quero trazer à memória o que me pode dar esperança”! Enquanto caminhava e carregava alguns entulhos, era possível sentir a Presença daquele que ordena o caos! Isso mesmo: Deus está em Eldorado. Ele está lá, com eles, conosco! A enchente não foi capaz de arrastá-Lo, nem tampouco a fé Nele!

Assim como Ele está andando naquelas ruas, reconstruindo vidas e reordenando a realidade, você e eu também podemos participar do que Ele está fazendo. Nossa Igreja Metodista, especialmente na Terceira Região Eclesiástica, pode “participar da ação de Deus no seu propósito de salvar o mundo”, de salvar Eldorado!

Conversei com o Marcelo para definir como podemos ajudar de maneira mais eficiente. Para ele, o que pudermos oferecer será bem-vindo e fará diferença. Roupas, cobertores, agasalhos, alimentos não perecíveis, produtos de higiene e limpeza são necessidades imediatas. Também sugiro que você e sua igreja levantem uma oferta voluntária para suprirmos necessidades em médio prazo. Ainda definiremos qual a melhor forma de fazer com que tais recursos cheguem até a população. Mas, por enquanto, mobilize sua igreja para a arrecadação e possibilite-nos o testemunho de que “o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”!

Fiquem com Deus.
Abraço,

Rev. Martin Barcala
Projeto Missionário Vale do Ribeira

Crédito da 1ª foto: O Globo
Crédito da 2ª foto: Diana Gilli


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