Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 20/09/2013

Mosaico de fé: um retrato atual da Igreja Metodista no Brasil

 

 

 Mosaico de fé: um retrato atual da Igreja Metodista no Brasil

  Então Samuel tomou uma pedra, e a pôs entre Mizpá e Sem,

 e lhe chamou Ebenézer, e disse:
Até aqui nos ajudou o Senhor.
(I Sm 7:12)

 

 

Durante a realização dos concílios regionais, no final do ao passado, os bispos presidentes e as COREAMs de cada região apresentaram relatórios sobre a caminhada da Igreja Metodista no biênio 2008-2009.

   Entre números e análises conjunturais, destacando diferentes aspectos do trabalho desenvolvido pela Igreja Metodista nas várias regiões do país, os relatórios trazem em comum a preocupação em estimular os pontos positivos e vencer os obstáculos com vistas ao cumprimento da missão.

 

Trazemos aqui um brevíssimo destes relatórios regionais. É possível que ao ler o relatório de uma outra região, o(a) irmão(ã) identifique situações, desafios e metas existentes também em sua região eclesiástica, uma vez que, a despeito das diferenças sociais, econômicas e culturais dentre as várias regiões do país, a Igreja Metodista em todo o Brasil trabalha com o propósito de “testemunhar os sinais da graça na unidade do Corpo de Cristo”.  Todos juntos, os relatórios regionais traçam um retrato abrangente da Igreja Metodista no país, um colorido mosaico de uma Igreja que, a despeito da complexidade do mundo em que vivemos, precisa honrar seu compromisso histórico de ser uma “comunidade missionária a serviço do povo”.

A leitura deste relatório deve despertar nos metodistas duas reações igualmente importantes: a gratidão pelas vitórias alcançadas e o comprometimento pessoal no sentido de vencer os obstáculos que ainda se colocam para o exercício da missão.

 

Primeira Região

 

Em seu relatório, o bispo Paulo Lockmann lembra que vivemos tempos difíceis: à guerra, violência e pobreza juntam-se aos desequilíbrios ambientais, ceifando vidas e esperanças. Para enfrentar essa situação, precisamos nos voltar à Palavra de Deus. Aprendamos com o profeta Oséias, que também viveu tempos de opressão. Ele denunciou a corrupção e a falta de amor e conhecimento de Deus, mas também anunciou a misericórdia para os que se arrependem. “Então, semeai para vós outros em justiça, ceifai segundo a sua misericórdia; arai o campo virgem; porque é tempo de buscar ao Senhor, até que ele venha e chova a justiça sobre vós”.

Olhando para o campo a semear, a Igreja Metodista no Rio de Janeiro estabeleceu como meta chegar a um milhão de discípulos(as) até o ano de 2014, buscando um crescimento que já ocorreu em outras partes do mundo, como África do Sul, Nigéria, Coréia, etc. Segundo o bispo Paulo, o Rio de Janeiro também está em fase de crescimento missionário: nos últimos cinco anos, a cada duas semanas nasce uma nova frente missionária. Neste mesmo período, os relatórios indicam um crescimento de cerca de 60%.

O Ministério de Discipulado tem treinado lideranças leigas para as igrejas locais, atuando nos distritos e também na Escola de Missões. E também os(as) pastores(as) têm sido discipulados, por meio de uma parceria com o SEPAL – Ministério de Pastoreio de Pastores. Outro destaque do biênio 2009-2009 foi a criação do Programa de TV “Vida e Missão”, com grande sucesso. Centenas de testemunhos de conversão e cura têm chegado ao conhecimento do bispo.

 

 Segunda Região

 

O relatório do bispo Luiz Vergílio destaca que vivemos numa sociedade desigual. Enquanto as relações fraternas são substituídas pelo individualismo e superficialidade, cresce a injustiça social, a fome, a miséria, a violência.  A diluição dos valores éticos também atinge as igrejas, diluindo as identidades doutrinárias. Enquanto cresce a teologia anti-bíblica da prosperidade, a maioria dos(as) cristãos(ãs) históricos(as) é afetada pela apatia: mais de 50% não participam de ministérios, escola dominical, grupos de discipulado, sociedades, reuniões de oração... Não contribuem regularmente com seus dízimos e ofertas, não testemunham a sua fé, sequer convidam alguém a visitar sua igreja.

O bispo alerta para o fato de vivermos um período de muita confusão, que se traduz em uma série de distorções: “Vivemos um período confuso na história. Tempo do Deus sem-teto (sem igreja); do homem e da mulher sem pecado (pecado gera culpa, depressão) e futuro sem juízo (o céu e inferno não existem; e, se existirem, estão por aqui mesmo”. Essas distorções, alerta o bispo, apontam para a necessidade de reafirmação do compromisso missionário da Igreja. É preciso “um despertamento religioso que reacenda a paixão missionária e a compaixão pelos sofrimentos e dores humanas. Um movimento que renove o compromisso da Igreja com o anúncio da salvação”

Mas os relatórios apresentados pelos superintendentes distritais da 2ª RE também indicam sinais animadores. Segundo o bispo, a Igreja Metodista tem crescido de forma quantitativa, qualitativa e orgânica. “Em muitas igrejas percebemos o povo animado, vibrante e o(a) pastor(a) também motivado e mobilizado, contagiando, com seu entusiasmo, a comunidade local. Percebemos pastores e pastoras comprometidos com a capacitação, com o ensino, com a formação de lideranças, com o discipulado, com a evangelização e com o desenvolvimento espiritual, através da administração dos meios da graça. Por isso, suas comunidades estão crescendo. É bem verdade que este crescimento está muito aquém do que poderia ser; pois, ainda temos algumas igrejas locais que passaram o biênio sem receber nenhum novo membro sequer.”. Ele diz que também há pastores que, mesmo após vários anos na mesma igreja, não conseguem motivar a comunidade e até apresentam problemas de relacionamento, responsáveis por muitas situações de tensão e ruptura. Em contrapartida, também há comunidades locais indisciplinadas e insubmissas às orientações pastorais, e que precisam ser exortadas com amor.

A Coream também fez uma avaliação do biênio que revela sinais positivos e desafios a ser enfrentados. Há maior participação nos cultos e grupos de discipulado, retorno de membros(as) afastados(as), envolvimento maior na comunidade e no bairro, crescimento numérico e investimentos na manutenção do patrimônio. Dentre as necessidades da Igreja, é preciso estimular as lideranças leigas, tornar os ministérios mais atuantes, envolver a membresia nas atividades evangelísticas e nas programações semanais, aumentar o número de dizimistas, estimular a visitação e a assiduidade à Escola Dominical.

 

Terceira Região

 

A Igreja Metodista na Terceira Região Eclesiástica dispõe de um Planejamento Estratégico Missionário para dez anos. O bispo considera que ainda há muito que caminhar para cumprir os objetivos propostos por este plano: numa escala de 10 pontos, ele considera que a Igreja avançou quatro pontos. “Ainda estamos longe do que almejamos em termos de um avanço mais corajoso da região em todas as suas áreas de vida e missão. No entanto, temos sinais de esperança, bem como, sinais consistentes da nossa potencialidade enquanto região”, destaca o bispo Adriel de Souza Maia. Ele aponta o aprofundamento da espiritualidade e a paixão evangelizadora como ênfases vivenciadas pelas igrejas locais.

Um projeto que tem rendido bons frutos é o encontro  “CapacitAção”  , que tem reunido diversos segmentos ministeriais com o propósito de cimentar uma Igreja de Dons e Ministérios. Mas é preciso avançar com novas estratégias missionárias e um passo já foi dado neste sentido com a criação do “Espaço Metodista  24 horas” no coração da cidade de São Paulo, que deverá, agora, ser consolidado. Também está na lista de prioridades a realização do primeiro censo da Igreja Metodista na terceira região eclesiástica, de modo a conhecer melhor o potencial a região.

 

Quarta Região

 

O bispo Roberto Alves de Souza exorta os(as) metodistas da 4ª RE de que “não há mais tempo para retroceder à visão arcaica de uma igreja que perdeu a visão missionária, a visão de crescimento, de ganhar almas para Jesus Cristo”. Ganhar vidas para Cristo é a clara orientação episcopal, meta que os vários setores da Igreja têm buscado cumprir.

 A Coream, analisando o biênio 2008-2009, destacou a consolidação do Fundo Missionário, por parte das igrejas locais, o que tem permitido grandes investimentos e projetos de construção, reforma e ampliação de templos.

O projeto “Passa à Macedônia” firma-se como um programa regional por meio do qual é possível despertar a paixão missionária dos membros das igrejas locais. Foi, também, significativo o investimento feito pela região nos campos missionários e igrejas locais que passavam por dificuldades pontuais. Mas ainda é preciso maior conscientização de pastores, pastoras, leigos e leigas com relação às suas responsabilidades para com a Igreja. Nota-se, por exemplo, que muitas igrejas deixam de enviar seus relatórios. “Lembramos aos tesoureiros e tesoureiras suas responsabilidade diante de Deus, da Igreja e do governo federal, instâncias a quem prestamos contas direta e indiretamente. Esta postura demonstra um descaso para com a perspectiva conciliar ou, ainda, problemas crônicos da administração local que precisam ser trabalhados à luz da Palavra de Deus”.

 

Quinta Região

 

O relatório do bispo Adonias Pereira do Lago alerta para o fato de que tem faltado compromisso missionário do povo metodista. Estamos numa zona de conforto que nos faz omissos aos desafios missionários que a sociedade os apresenta.  Não há preocupação com o crescimento da Igreja, diz o bispo: “São poucos que, aonde chegam, se não tem Igreja Metodista, iniciam uma a partir de sua própria casa: a maioria vai procurar outra denominação mais perto de sua casa ou de visão litúrgica e teológica que condiz mais com seus desejos egoístas de serem consumidores da fé, em vez de agentes de transformação espiritual e social por meio do Evangelho de Jesus Cristo”.

O bispo revela, ainda, sua preocupação com o cultivo da espiritualidade do povo metodista. Deus não deseja que desenvolvamos uma espiritualidade apenas a partir do culto público, diz o bispo: nossa espiritualidade não deve ser dominical, mas diária, expressa a partir da vivência da família, na escola, no trabalho e na sociedade.

A Escola Dominical, que sempre foi vanguarda no discipulado do povo, carece de atenção nestes tempos marcados pela superficialidade no estudo da Palavra de Deus. “A não importância da Escola Dominical se dá pela perda de interesse no estudo da Bíblia, tanto no contexto da ED como na vida do lar”.  “Busca-se muito as promessas, as bênçãos, os milagres em áreas de interesses materiais, físicos e relacionais, sendo que pouco se busca do caráter de Cristo para o caráter humano. Pouco se busca os mandamentos do Senhor para regular a vida humana, em si mesma e em seus relacionamentos. Uma ED vibrante, entusiasmada, relevante, viva, capacitadora, missionária e discipuladora, mostra um dos sinais da graça que precisamos ver em nossas Igrejas locais. Buscam-se pastores/as, discípulos/as apaixonados/as e comprometidos/as com nossa ED, de maneira mais relevante”.

O bispo também destaca a necessidade de que as sociedades de mulheres, homens, jovens e juvenis tornem-se sinais visíveis do amor e da graça de Deus. As Sociedades de Jovens, em especial, precisam ser fortalecidas, com maior apoio de liderança dinâmica e comprometida com elas, pois estão “deixando a desejar” em algumas igrejas. A boa notícia é que se pode ver a presença de jovens em projetos missionários e em vários ministérios das igrejas locais.

A Igreja Metodista na 5ª região continua crescendo, porém lentamente. Este crescimento poderia ser mais rápido e sólido, afirma o bispo, se os metodistas estivessem abrindo suas casas para a missão.

Da mesma maneira, é preciso maior compromisso com a Escola Dominical, cuja freqüência média caiu levemente de 2008 para 2009.  O decréscimo deve-se especialmente à freqüência de crianças, dado que deve preocupar ainda mais a Igreja.

 

Sexta Região

 

O relatório episcopal da sexta região relata crescimento, tanto no número de membros quanto no numero de  igrejas e campos missionários. Este crescimento, destaca o bispo João Carlos Lopes, “deve continuar de maneira intencional”. Com este propósito, a Coream está propondo um plano de ação, de longo prazo,  enfatizando a presença metodista em cada município dos estados de Paraná e Santa Catarina. A grande maioria das igrejas conta com programas de discipulado. “Já não se admite que alguma Igreja Local ou Campo Missionário na 6ª Região não tenha algum projeto de discipulado. Isso é responsabilidade primeira do/a pastor/a.

As federações têm se empenhado no sentido de fortalecer a visão missionária integral da Igreja, em especial através da liderança do projeto “Julho para Jesus”. Na ação social, além dos  projetos “Bóia Fria” e “Centro Vivencial para Pessoas Idosas”, destaca-se a ênfase na rede de projetos “Sombra e Água Fresca”: três dos trabalhos regionais com crianças se filiaram à rede. E vários esforços locais têm surgido no atendimento a crianças e mulheres empobrecidas.

Ainda há desafios a vencer na área da educação cristã. O relatório da Coream aponta a necessidade de elaboração de currículo e processo didático para a Escola Dominical, bem como a criação de um currículo mínimo de doutrinas bíblicas e ênfases metodistas. “Todas as nossas doutrinas são bíblicas. Entretanto, existem ênfases que são específica do movimento metodista que precisam ser conhecidas e vivenciadas pelo nosso povo.  Também é necessário conscientizar os/as metodistas de que “o testemunho evangelístico não é tarefa de um ministério  específico, e sim de todo o cristão”. Com esta visão missionária espera-se não apenas alcançar todas as cidades da região, mas estabelecer a presença metodista em outros países, por meio do envio de missionários/as transculturais.

 

Rema

 

A Região Missionária da Amazônia ainda busca o objetivo da autoproclamação, autosustento e autogoverno. Nessa busca, o bispo Adolfo Evaristo de Souza espera que as igrejas locais conheçam e sigam o Plano Regional, fruto de muito trabalho e oração. Um grande desafio para a Igreja Metodista na região tem sido a implantação do Programa Nacional de Discipulado, que começa a ser adotado pelas igrejas locais. Organizar a igreja local em dons e ministérios também é um processo lento, mas é parte do Planejamento Regional atuar de forma mais incisiva com o discipulado e o seu aperfeiçoamento em dons e ministérios.  Segundo o bispo, a implementação do programa de Dons e Ministérios, depende muito do pastor e da pastora e “o corpo pastoral ainda se mostra muito centralizador”, devendo trabalhar mais o “núcleo essencial do ministério pastoral (Oração, Palavra, Visitação), fundamentados por meio de discipulado e complementados por meio da disciplina eclesiástica (Cânones) e programas missionários (Clam)”. “Tal implementação é lenta, mas não pode ser desprezada, porque senão a igreja local não terá seqüência ministerial e não tendo seqüência ministerial, não haverá enraizamento, pois estará fadada a dons pessoais do pastor e da pastora, provocando o cresce e decresce rápido que temos observado”.

Um ponto positivo destacado pelo relatório episcopal é o maior envolvimento das comunidades com a expansão dos grupos societários, que tiveram bons e proveitosos Congressos regionais. Também é com alegria que o bispo destaca um aprimoramento no cuidado com as crianças, por meio de articulações distritais e programações que têm interagido com a área nacional, propiciando a realização de ótimas Escolas Bíblicas de Férias. “Tal é a valorização ao que aqui se tem feito que nossas coordenadoras dos trabalhos com crianças receberam a incumbência de prepararem o Caderno da EBF para 2010”. A Rema conta, ainda, com o crescimento – lento, mas firme – do Projeto Sombra e Água Fresca para dar nova direção às crianças que, antes, ficavam a mercê das ruas.

 

Remne

 

A bispa Marisa de Freitas, em seu relatório episcopal, destaca que é preciso conquistar avanços no governo, na expansão missionária e no sustento da comunidade metodista. Para obter essas conquistas, estão sendo firmadas várias parcerias: com institutos de formação missionária (como o ImForm e Mission Society), com outras regiões eclesiásticas e até com igrejas locais. Um destaque especial é dado à atuação missionária das Federações, que tem trabalhado no mesmo foco regional: “Cada Metodista Um/a Missionário/a, Cada Lar Um Igreja”. As atividades e congressos têm sido momentos de fortalecimento da vocação missionária metodista nordestina.

Nos dois últimos anos a Remne cresceu em número de membros. Foi ultrapassada a casa dos 4.500 membros, com dados de até setembro de 2009. “E mais: além de

ganharmos pessoas para Jesus, estreitamos o portal de saída. Este é um bom

sinalizador”, comemora a bispa. Novos pontos missionários foram criados: um em Teresina, PI; dois em Vitória da Conquista, BA e um em Salvador, BA. E o número de pequenos grupos, tanto evangelísticos quanto dos de discipulado vêm crescendo. “Ao nosso Deus a gratidão por alargar as nossas tendas. Também a Ele o nosso pedido para que nos fortaleça poderosamente enquanto nos dispomos a edificar muros de proteção e

acolhimento a todos/as que se encontram em desolação”, conclui a bispa.

 

 Suzel Tunes


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