Publicado por José Geraldo Magalhães em Expositor Cristão, Expansão Missionária | 03/12/2014 às 15:12:23

O que é Plantação de Igrejas?

Fonte: Pr. Paulo de Tarso Pontes 
Secretário Regional de Expansão Missionária – 5ª Região  
 
 
Um dos grandes desafios e temas do tempo presente é a Plantação de Igrejas. Para isso, tem se percebido alguns movimentos no Brasil e mundo que têm buscado discernir esse conceito da melhor maneira. Em suma, a Plantação de Igrejas se constitui num processo de multiplicação de cristãos/ãs através do evangelismo e discipulado, formando comunidades do Reino de Deus que se reproduzem naturalmente e intencionalmente. Faz-se isso porque plantar igrejas é a própria natureza da igreja de Jesus, é o testemunho histórico do cristianismo e novas igrejas trazem vitalidade e ânimo, bem como cooperam para o cumprimento do “Ide de Jesus”.
 
Vale-nos perceber que o Novo Testamento nos mostra esse processo dinâmico e criativo aonde o povo de Deus foi espalhando o Evangelho por todo o mundo conhecido através do discipulado e evangelismo com a finalidade da formação de novas comunidades cristãs. Em Atos 13.1-3, vemos a igreja enviando Barnabé e Saulo para a obra missionária de plantar igrejas, bem como em Atos 19.8-11 onde percebemos Paulo alugando uma sala na escola de Tirano e discipulando pessoas durante dois anos, afim de que, através dessas vidas, o Evangelho fosse espalhado por toda a Ásia. Podemos encontrar muitos outros testemunhos bíblicos da plantação de igrejas. 
 
Há poucos anos, Rubens Muzio identificou aproximadamente 1.110 cidades no Brasil (contexto urbano) com pouca ou nenhuma presença evangélica, sendo que a maior parte está na região sul do país. 
 
Diante disso, consideramos o fato e necessidade de se desenvolverem cada vez mais projetos intencionais de plantação de igrejas. Em grandes cidades, por exemplo, algumas igrejas trabalham cuidadosamente seu crescimento integral para se reproduzir em novas igrejas na cidade, a fim de ampliar o alcance do evangelho e consolidar a denominação. Isso não quer dizer que a igreja plantada é uma “cópia” da igreja “mãe”. Em boa parte dos casos, essa multiplicação de igrejas acontece justamente para atender demandas contextuais e específicas dentro de uma cidade ou região próxima. Assim, plantam-se igrejas estratégi­cas para a multiplicação.
 
Além disso, existe o desafio da plantação de igrejas em contexto transcultural, ampliando assim esse desafio. Para termos uma visão panorâmica do desafio transcultural no Brasil, identifica-se a necessidade de plantar igrejas entre os seguimentos socioculturais menos evangelizados: indígenas, ciganos/as, quilombolas, sertanejos/as, ribeirinhos/as, estrangeiros/as no Brasil. Por isso, o fato do movimento evangélico estar crescendo no Brasil, não nos faz perceber que estamos perto de superar o desafio que temos.
 
Alguns princípios se destacam na experiência de plantadores/as de igrejas e na literatura sobre o assunto: 1) oração; 2) divulgação abundante do evangelho; 3) plantação intencional e não casual de igrejas; 4) liderança local; 5) igreja célula ou igreja-casa. Da mesma forma, percebe-se que algumas atitudes podem atrapalhar a plantação e crescimento de igrejas: 1) exigir requisitos não bíblicos; 2) reproduzir padrões da igreja “mãe” que não tem a ver com o contexto da plantação; 3) exigir estruturas “pesadas” e difíceis de manter; 4) plantação a partir de igrejas estéreis.
 
Nos movimentos de plantação de igrejas identifica-se que seu desenvolvimento e consequente autonomia, estão ligados ao conceito de igreja autóctone. Para isso, identifica-se as características do autosustento (estrutura a partir das condições locais), autogoverno (formação de liderança locais) e autoproclamação (difusão do Evangelho). Entende-se que o conceito de autonomia não pode ser reduzido somente à situação financeira da igreja. Podemos ter igrejas que mantêm-se financeiramente, mas são extremamente frágeis na difusão do Evangelho e na capacidade de multiplicar líderes através do discipulado. 
 
Uma forma eficaz para plantar igrejas sadias é plantar a partir de uma igreja “mãe”. A igreja “mãe”, que aliás pode ser mais de uma, tem condições de treinar e capacitar as pessoas que estarão envolvidas na plantação, acompanhar, supervisionar e pastorear estas que serão enviadas para este empreendimento. Uma das grandes dificuldades dos/as plantadores/as de igrejas é superar um falso senso de solidão e “abandono” quando se sai para plantar, mas o acompanhamento e pastoreio exercido pela igreja “mãe”, supre e não permite que isso se instale na vida deles/as. A noção de ser parte de algo muito maior, de participar de reuniões regulares do corpo, seguir uma agenda comum, compartilhar dos recursos financeiros e humanos, traz segurança e superação a todos/as.
 
Existem diversas estratégias para a plantação de igrejas das quais menciono aqui as mais conhecidas: plantador pioneiro; equipes missionárias; igrejas satélites; geração espontânea; projeto tribal; adoção; transplante de famílias. O que percebemos em todas elas, como focamos no início, é o fato de que no processo de plantação valoriza-se o desafio de se criar relacionamentos na comunidade onde a igreja está sendo plantada e desenvolver o discipulado eficaz. 
 

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