Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 20/09/2013

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Sabedoria se mede, não pela quantidade de experiências vividas, mas o que se fez com elas. Muita gente passa literalmente pela vida, e não aprendeu nada, não viu nada, não se apercebeu de nada. Espera-se do cristão que a cada momento vivido, que a cada luta enfrentada, a cada doença sofrida, seja para ele uma oportunidade para desenvolver seu ser.

Como diz o psiquiatra Augusto Cury: "há jovens que são velhos pois são engessados  e rígidos intelectualmente. Há velhos que são jovens, pois são livres e estão sempre dispostos a aprender". Sim, há jovens que  passam pela vida como velhos cansados e exaustos, fechados em si mesmos, sempre com as forças exauridas, sempre enfastiados não se sabe exatamente com o que, e muito pouco abertos a aprender.  E há velhos que mantêm a jovialidade, um lampejo no rosto e a mente aberta para receber o novo a cada manhã.

Creio que essa diferença de postura está no desejo de aprender, na maleabilidade da alma, no permitir-se errar -  pois a obrigação de acertar sempre nos impede de agir. Só quem se coloca na posição de um eterno discípulo pode aprender com o Mestre. Sábio não é alguém que chegou a algum lugar, mas que reconhece ser um caminhante.

Infelizmente vivemos uma geração de cristãos que pouco refletem, que não examinam detidamente as coisas, que buscam respostas padronizadas, e vivem atrás de  facilidades para suas vidas. Não é difícil ouvir alguém orando:  "Senhor, me facilita isso; Senhor, me facilita aquilo". Chega a ser engraçado: agimos sem refletir, não buscamos conselhos, nos metemos em confusão, e depois esperamos que Deus quebre as leis naturais, pare a rotação da Terra, segure o sol, e mude o coração de todos os inimigos que criamos, só para tirar-nos  daquela confusão. Deus se torna, então, o nosso grande quebrador-de-galhos. 

Este mundo evangélico tem produzido uma geração de crentes que sofre de um grande alheamento existencial, pois a igreja tem se preocupado em enfatizar conceitos e doutrinas,  que muitas vezes não passam de  "letra morta", que não trazem vida, que não resolvem o problema existencial de ninguém, e ainda  impõem, regras e deveres, cujo resultado é uma vida de medo e culpa constante. E toda alegria, espontaneidade e criatividade se perdem para que a pessoa se encaixe em modelos doutrinários do tipo faça-o-que-o-líder-mandar. Jesus, ao contrário, levava os discípulos a saírem do lugar-comum, a quebrarem seus paradigmas, a viverem na liberdade de vida que Ele era o portador.

Quando permanecemos numa vida cristã dominada por conceitos, caímos no mesmo erro de Felipe: "Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta".  Felipe tinha seu conceito de Deus, de vida religiosa, de espiritualidade. Ele não entendeu nada do que Jesus mostrou em todo o seu ministério: não entendeu a importância da simplicidade, da misericórdia, da tranqüilidade dos pássaros, não entendeu nada sobre o perdão, sobre a graça que vem sobre maus e bons, nada, nada, nada. Ele buscava um Deus que se encaixasse em seu conceito.

Muitas vezes, em meu ministério pastoral fui abordado  por perguntas e questionamentos. Se eu percebia que o interlocutor queria apenas uma resposta fácil e não uma compreensão da situação, despedia-o com algum versículo bíblico. Não adiantava me aprofundar, pois não era isso que ele estava buscando. Mas se percebia a pessoa sedenta, querendo encontrar algo mais do que uma resposta, então em dizia: "sente-se aqui, vamos conversar". Parece-me que a maioria das pessoas não busca sabedoria, e sim soluções  para seus dilemas.

Não se pode separar a vida espiritual da vida existencial. Muitas vezes imaginamos que a espiritualidade se resume em orações, cânticos, meditações... e deixamos a "existência"  de lado. Temos, então,  um cristão que tem um coração bom, mas quando ele age na vida, é um desastre! Vida cristã não é só ter o conceito certo, mas buscar a existência certa.

Sabedoria não é quantidade de diplomas, não são cursos realizados, não é conhecimento acumulado. A sabedoria tem sua base naquilo que recebemos de Deus. É aquele entendimento que aguça a minha sensibilidade. Ter sabedoria é ter a alma e todos os sentidos abertos, é ter percepção  do que acontece dentro de si e à sua volta. É sensibilidade do mundo interior e abertura para a transcendência. Quem tem sabedoria jamais será um alienado do mundo e das coisas do seu tempo.  

Sabedoria é uma qualidade divina, da qual o homem pode participar mediante a iluminação que o Espírito Santo traz. Sabedoria é discernimento que vem do Alto, é abertura dos olhos, da mente e da intuição; é a capacidade de viver bem, de resolver problemas, de entender o outro, de compreender a Palavra.

"Se alguém necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e ser-lhe-á concedida " (Tg 1.5). Sim, Senhor, nós queremos. Dá-nos dessa Sabedoria!

Daniel Rocha

Pastor da Igreja Metodista, e psicólogo


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