Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 13/09/2013

Significado da Santa Ceia

O significado da Santa Ceia

 

Um dos principais meios da transformação da pessoa e da sociedade é a educação cristã. Pela formação sistemática ou pelo esclarecimento de questões afins à experiência com Deus, a educação possibilita a maturidade cristã. Sendo assim, nada como melhor do que dialogar sobre temas que são fundamentais na caminhada de fé. Recebemos a seguinte correspondência: "Ao ler a matéria sobre a Santa Ceia no site www.metodista.org.br (também publicada no Expositor de março de 2009) fiquei com algumas dúvidas. Na Igreja Metodista é adotada a transubstanciação ou a consubstanciação? Obrigado, Paulo."  É a Revda. Hideíde Brito Torres, teóloga, jornalista e pastora da Igreja Metodista em Cataguases, MG, 4ªRE, que responde a essa pergunta:

 

   

Ceia do Senhor: seu significado para nós

 

Texto bíblico: 1 Coríntios 11.23-30

 

Frequentemente, a Ceia do Senhor é celebrada em nossos cultos nas igrejas evangélicas hoje de duas formas: como algo tão místico e espiritual que muita gente é excluída; ou de forma tão banal que se faz uma espécie de apêndice no culto para realizá-la; num último momento, com correria porque o horário já venceu.

Mas a Ceia é um dos momentos mais sérios da vida cristã. Desde os primeiros tempos, os cristãos priorizavam este momento e o realizavam com grande freqüência (At 2.42). A Ceia é sinal do nosso compromisso e envolvimento na obra do Reino de Deus. Nós, metodistas, cremos nisto por, pelo menos, três razões principais:

 

1. É uma refeição memorial: Em 1 Coríntios 11.23-30, quando o apóstolo Paulo discute os problemas daquela comunidade relacionados com a prática da Ceia do Senhor, ele afirma: "Eu recebi o que também vos entreguei"; e repete as palavras proferidas por Jesus: "Fazei isto em memória de mim". A palavra recordar, no hebraico, significa "lembrar algo ou alguém de forma tão intensa que esse evento adquire uma dimensão vital, renovada, nova e fresca no presente". Quando participamos da Ceia, a presença de Jesus se renova em meio à comunidade, porque atualizamos sua mensagem, como se nós mesmos estivéssemos lá, com seus discípulos, na noite em que celebrou com eles a primeira ceia.

 

 

2. É uma refeição com a real presença de Cristo: Quando falamos isso, muita gente pensa em termos místicos ou supersticiosos. Muitas lendas surgiram em torno da Ceia do Senhor. Nós, protestantes, cremos que não há modificação dos elementos; não é transubstanciação (os elementos não se tornam mesmo carne e sangue de Cristo. O pão continua pão e o suco de uva continua com sua natureza e substância). Também não há a presença real de Cristo no pão e no vinho (a doutrina chamada consubstanciação). É sim, que o Cristo ressurreto está presente no meio da comunidade cada vez que a Ceia é celebrada. Ele vem por meio de seu Espírito, o qual se faz presente na comunidade e no momento celebrativo. Por isso, quando o pastor ou pastora convida os presentes a partilhar da mesa, o convite não é da Igreja Metodista, mas do próprio Cristo. A graça de Deus não pode ser "sequestrada" por nenhuma igreja ou sacerdote: ela é de todos. Por esta razão, discordamos da prática de algumas comunidades, que limitam a participação da Ceia apenas para seus próprios membros, ignorando que a Igreja de Cristo é mais do que a própria denominação. Por outro lado, é sempre importante lembrar que os cristãos e cristãs são chamados/as a esta mesa por compreender a seriedade deste momento para seu crescimento na fé. Por isso mesmo é que Paulo diz que é um momento consciente: "Examine, pois, o homem a si mesmo e assim coma do pão e tome do cálice". Ele não diz que devemos nos examinar e nos abster de participar! Ao contrário, o auto-exame e a confissão são os passos daquele que quer assumir o compromisso com Deus. Jamais devemos deixar de participar desta mesa, mas sempre temos de fazê-lo com consciência!

 

 

3. É uma refeição que é penhor: Penhorar significa dar uma garantia: A Ceia do Senhor é uma garantia do céu. Jesus mesmo disse: "Não mais beberei do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus" (Lucas 22.18). Participar dessa ceia é ter a promessa do céu. Quem não participa dessa graça aqui não experimentará a futura também; pois indica que não está em comunhão com o Senhor. Mas quem recebe aqui, participará lá. Na ceia, louvamos a Deus pela vida eterna e antecipamos nossa entrada no céu.

 

João Wesley, fundador da Igreja Metodista, no século 18, declarou: "Que todo aquele que tem no seu coração algum desejo de servir a Deus, ou algum amor à sua alma, possa servir a Deus e buscar o bem do seu coração por meio da comunhão, toda vez que isso for possível". E ele disse ainda: "Comer e beber indignamente significa participar do Santo Sacramento de forma tão desordenada e rude que alguns estão com fome enquanto outros se fartam e se embebedam. Mas o que isso tem a ver convosco? Não é possível que estejais fazendo isso - comendo e bebendo de forma tão indigna"?

Assim sendo, fica claro que, então, a questão é o modo de comungar e não o caráter de quem comunga. Pois, exceto Jesus, que era sem pecado, quem é digno de participar da mesa? Por isso, ela é graça. Além disso, é uma ordem de Jesus: "Fazei isso." Quem não o faz está em desobediência a uma ordem direta do Senhor. E que servo é este que desobedece seu Senhor? Que serva é esta que ignora uma ordem direta do Mestre? O chamado à Ceia é um chamado à obediência; é um ato de fé naquele que morreu por nós. E é um testemunho: "Anunciais a morte do Senhor até que ele venha"!

 

Revda. Hideíde Brito Torres

Igreja Metodista em Cataguases, MG, 4ª RE


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