Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 13/09/2013

Violência vira forma de comunicação entre jovens

Violência vira forma de comunicação entre jovens, diz pesquisadora

Nove em cada dez jovens entre 15 e 19 anos sofrem ou sofreram algum tipo de violência, constatou pesquisa realizada com namorados adolescentes em dez capitais brasileiras, divulgada pela professora e jornalista Kathie Njaine.

ALC
Rio de Janeiro, quarta-feira, 14 de abril de 2010

A violência, disse Njaine em entrevista ao Instituto Humanitas (IHU), "vem se tornando uma forma de comunicação entre muitos jovens, e isso se reflete nos relacionamentos afetivos. Em muitas situações, esses atos estão tão banalizados que acabam por ser incorporados naturalmente na convivência, sem reflexão alguma sobre o que isso pode significar para a vida afetiva sexual."

Outra pesquisa - O Mapa da Violência 2010: Anatomia dos Homicídios no Brasil -, divulgado no final de março pelo Instituto Sangari, de São Paulo, definiu o perfil da vítima preferencial da violência, que coincide com quem os vitima: "É um jovem entre 15 e 24 anos, morador de periferia urbana, pobre, de baixo índice educacional, homem, e que, por motivos culturais, fúteis e banais, mata o outro".

A matança de jovens no Brasil é um traço cultural. Ela "não é natural porque em metade dos países do mundo a taxa é de menos de um homicídio a cada 100 mil jovens. E nós temos 50" homicídios por mil, explicou o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, do Instituto Sangaria, para a repórter Elaine Patrícia Cruz, da Agência Brasil.

O risco de um jovem negro ser vítima de homicídio no Brasil é 130% maior que o de um jovem branco, aponta o Mapa. Estudo realizado de 1997 a 2007, com base nos dados do Subsistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde, o Mapa mostra que nos últimos cinco anos o número de morte por assassinato entre a população jovem branca caiu em 31,6%, enquanto a de jovens negros cresceu 5,3% no período.

Na Paraíba, o número de vítimas negras de homicídios é 12 vezes maior do que o de brancos. Em Pernambuco, morreram 826,4% mais negros do que brancos. No Rio de Janeiro, esse percentual foi de 138,7% e em São Paulo de 47%. O Paraná é o único Estado da Federação onde a população branca correu maior risco que a negra de ser vítima de homicídio. Proporcionalmente, morreram 36,8% mais brancos do que negros.

O estudo concluiu também que não é a pobreza absoluta, mas as grandes diferenças de renda que forçam para cima os índices de homicídio no Brasil. O Mapa verificou que a maioria dos assassinatos no país ocorre entre a população masculina. Em 2007, do total de homicídios cometidos 92,1% foram perpetrados contra homens.

A professora Kathie Njaine verificou, na pesquisa realizada em dez capitais brasileiras, que as meninas passaram a agredir os meninos, pelo menos verbalmente. Muitas delas, ouvidas na pesquisa, justificaram a agressão, alegando que pagam-na com a mesma moeda, reproduzindo atitudes masculinas para revidar as agressões sofridas.

Na avaliação da pesquisadora, atualmente "há uma supervalorização de alguns modelos de consumo, beleza, competitividade e poder, em detrimento de outros modelos, incrementada em grande parte pela mídia. E isso tem provocado uma crise de valores na sociedade."

Waiselfisz assinalou que enquanto não houver soluções para os problemas dos jovens no Brasil não haverá solução para a questão da violência. Uma dessas soluções, indicou, passa pela educação.

"Pela dimensão continental, penso que a nossa estratégia é notadamente educacional. A escola tem um papel muito grande, primeiro porque a própria escola é um foco de violência. E essa violência está, nesse momento, desestimulando os estudos", avaliou o pesquisador do Instituto Sangari.


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