Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 20/09/2013

consciencia negra

Dia 20 de novembro - Dia Nacional da Consciência Negra

Pr. Ronan Boechat de Amorim,

Pastor da Igreja Metodista de Vila Isabel

(texto escrito no domingo 19/11/2006)

I - Introdução

Nessa semana passada foi exibido por uma emissora de TV um filme sobre um cantor brasileiro recém-falecido. Embora eu goste de algumas de suas músicas, particularmente da poesia de algumas delas, pensei que a vida desse jovem não é um exemplo para nenhum outro jovem. Confesso que não vi o filme e nunca li nada sobre esse cantor por pura falta de interesse e curiosidade. Mas ele tem ainda hoje legião de admiradores.

A mídia e o mercado criam falsos heróis e quando não é lucrativo, esquece de heróis verdadeiros.

Amanhã, dia 20 de novembro é feriado nacional. E é possível que as pessoas não saibam realmente da grande importância de um brasileiro chamado Zumbi. E por isso estou me propondo a escrever, ou melhor, organizar alguns pequenos textos que encontrei já escritos na internet sobre o dia 20 de novembro e sobre o pouco que sabemos sobre esse herói brasileiro. Que morreu defendendo a vida e a liberdade das pessoas que buscaram refúgio no Quilombo dos Palmares.

Calcula-se que entre 13 a 20 milhões de pessoas negras tenham sido trazidas da África para viverem (???) e trabalharem (!!!) no Brasil nos quase 500 anos que a escravidão aconteceu em nosso país. Eram homens, mulheres, jovens e crianças raptados em suas nações (aldeias), acorrentados e transportados nos porões dos chamados "navios negreiros", vendidos aqui para trabalhar nas minas e lavouras. Muitas famílias brancas se enriqueceram com o trabalho escravo. Muita gente ainda é rica hoje porque recebeu por herança aquela riqueza construída com o trabalho escravo. Grande parte da riqueza de nosso país foi construída com trabalho escravo. E para nossa tristeza hoje em dia, a escravidão era aceita tranqüilamente pela igreja, pelos cristãos, tanto católicos quanto protestantes.

As pessoas que foram escravizadas nunca aceitaram essa condição de serem escravizados. Sempre houve fugas, resistências, rebeliões... e para combater isso também havia castigos severos, torturas, etc...

Ás vezes se fala dos poetas, dos políticos e outros importantes líderes que iniciaram, combatera e ajudaram a extinguir a escravidão em nosso país, o último país do mundo a tornar a escravidão uma prática ilegal. Em geral eram jovens abnegados, advogados, jornalistas e estudantes, como o poeta Castro Alves, quem por primeiro se engajaram. Grande conversão à causa da libertação dos escravos deu-se com a adesão de Joaquim Nabuco, um ilustre descendente do patriciado pernambucano, homem cultíssimo que emprestou a sua pena e a sua inteligência para participar, nos jornais e revistas da época, da guerra ideológica contra os escravocratas em recuo. Ainda entre os abolicionistas temos Rui Barbosa, Luis Gama, André Rebouças, José do Patrocínio, Antônio Bento, etc...

Mas dentre os próprios escravos e a população negra pobre há também grandes heróis. Ganga-Zumba foi o primeiro grande chefe conhecido do Quilombo de Palmares. Era tio de Zumbi, de quem vamos estar falando mais adiante.

Mas leiamos os textos que encontrei na internet.

II - A LEI QUE TORNOU O DIA 20 DE NOVEMBRO O DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA

(extraído de http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/datas/consciencianegra/home.html)

A lei N.º 10.639, de 9 de janeiro de 2003, incluiu o dia 20 de novembro no calendário escolar, data em que comemoramos o Dia Nacional da Consciência Negra. A mesma lei também tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira. Com isso, professores devem inserir em seus programas aulas sobre os seguintes temas: História da África e dos africanos, luta dos negros no Brasil, cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional.

Com a implementação dessa lei, o governo brasileiro espera contribuir para o resgate das contribuição dos povos negros nas áreas social, econômica e política ao longo da história do país.

A escolha dessa data não foi por acaso: em 20 de novembro de 1695, Zumbi - líder do Quilombo dos Palmares- foi morto em uma emboscada na Serra Dois Irmãos, em Pernambuco, após liderar uma resistência que culminou com o início da destruição do quilombo Palmares.

Então, comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra nessa data é uma forma de homenagear e manter viva em nossa memória essa figura histórica. Não somente a imagem do líder, como também sua importância na luta pela libertação dos escravos, concretizada em 1888.

Porém, hoje as estatísticas sobre os brasileiros ainda espelham desigualdades entre a população de brancos, negros e mestiços. Por isso, é importante conhecermos algumas informações sobre o assunto.

III - DIA 20 DE NOVEMBRO: DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA

(extraído de http://www.colegioantares.com.br/saibamais/consciencianegra.htm)

A cada ano, o dia 20 de novembro se consolida como uma data de grande significado no calendário histórico nacional. A memória de Zumbi dos Palmares reafirma-se no panteão dos heróis que escreveram, com a própria vida, a história do povo brasileiro, na luta por ideais grandiosos, tais como igualdade e justiça social. O Quilombo dos Palmares é um dos principais símbolos da resistência negra na época da escravidão, também conhecido por Angola Janga, que significa Angola Pequena. Localizava-se na Serra da Barriga, atual Estado de Alagoas, local de grandes plantações de cana-de-açúcar.


Durante cem anos (1595-1695), Palmares constituiu um foco de resistência aos ataques da Coroa, conseguindo também ter uma vida social extremamente organizada, chegando a contar, em 1640, segundo os holandeses, quase dez mil quilombolas. Era de interesse dos grandes proprietários de terra aniquilarem Palmares, para tentar recuperar escravos e para evitar que, tendo Palmares como referência, os escravos tivessem maior motivação para a fuga. Para Zumbi, o mais importante não era viver livre, mas libertar todos os negros ainda escravos. Em função da sua expressão histórica e da resistência que representa, o dia 20 de novembro, dia da morte de Zumbi dos Palmares, foi adotado pelo Movimento Negro Brasileiro como o Dia Nacional da Consciência Negra, data que é
celebrada em todo o país.

Se prestarmos atenção às pessoas que estão ao nosso redor, veremos que muitas têm avós italianos, pais árabes, origem espanhola, alemã ou portuguesa. Mais claramente, veremos uma grande maioria de crianças ou adultos com traços fisionômicos que evidenciam sua origem negra. O negro é talvez o elemento que maior contribuição trouxe à formação da cultura brasileira. (...) Mas hoje, tantos anos depois de outorgada a abolição da escravatura, ainda podemos acompanhar a luta das ONGs com a questão racial para mudar a imagem social do negro no País.

A cultura negra sempre esteve atrelada à escravidão e ao preconceito. A maioria das pessoas acredita que existe um racismo silencioso, pois muitas delas preferem não falar sobre o assunto. "O racismo explícito, pelo menos no meio urbano, vai se enfraquecendo, principalmente por conta da consciência crescente de que é prática criminosa. Mas o preconceito (que é o racismo subterrâneo) continua. E é fomentado, principalmente, pelas novelas da Rede Globo, que são um veículo muito poderoso", comenta Nei Lopes, compositor e um dos maiores estudiosos de história do povo negro no Brasil.

O preconceito racial é sempre adquirido através da aprendizagem. Em geral, a pessoa é levada desde criança a ter idéias e atitudes preconceituosas, por viverem numa sociedade em que predominam valores racistas. "A sociedade brasileira põe na nossa cabeça - veja os negros sempre fazendo papel de subalternos nas novelas - que nós somos inferiores, porque nossos antepassados foram escravos e os dos donos do poder foram senhores. Prevenir isso só através da Educação Fundamental, com uma revisão completa da História, e por meio de ações governamentais afirmativas", diz Nei Lopes.

Apesar do mito da democracia racial, os índices de desigualdade econômica e social entre negros e brancos demonstram o grau de racismo existente no País. A realidade contemporânea reflete estereótipos do tempo da escravidão, com o negro continuando a viver à margem da sociedade. Ainda segundo Nei Lopes, há razões históricas para isso: "A Abolição foi feita de qualquer maneira e não teve medidas que a complementasse. A sociedade de então optou claramente por branquear a nação pela imigração européia e jogou os recém libertos, literalmente, no lixo. Sob o ponto de vista histórico, o racismo serviu freqüentemente para justificar a dominação e a exploração de um grupo por outro. Hoje, quase metade da população do País é negra, mestiça ou parda, não tendo realizado o sonho das elites brasileiras com a vinda dos imigrantes europeus.

IV - OS QUILOMBOS

(extraído de http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/datas/consciencianegra/quilombos.html)

Os quilombos, que na língua banto significam "povoação", funcionavam como núcleos habitacionais e comerciais, além de local de resistência à escravidão, já que abrigavam escravos fugidos de fazendas. No Brasil, o mais famoso deles foi Palmares.

Criado no final de 1590 a partir de um pequeno refúgio de escravos localizado na Serra da Barriga, em Alagoas, Palmares se fortificou, chegando a reunir quase 30 mil pessoas. Transformou-se num estado autônomo, resistiu aos ataques holandeses, luso-brasileiros e bandeirantes paulistas, e foi totalmente destruído em 1716.

Embora não existam mais quilombos por aqui, comunidades remanescentes se instalaram em vários estados do país. No total, 743 foram identificadas, mas só 29 foram tituladas oficialmente pelo governo.

Localizadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Maranhão, Pernambuco, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Sergipe, Goiás e Amapá, estas comunidades detém os Direitos Culturais Históricos, assegurados pelos artigos 215 e 216 da Constituição Federal que tratam das questões relativas à preservação dos valores culturais da população negra. Além disso, suas terras são consideradas Território Cultural Nacional.

Estima-se que 2 milhões de pessoas vivam nestas comunidades organizadas para garantir o direito à propriedade da terra. Segundo a Fundação Cultural Palmares, do governo federal, que confere às comunidades o direito ao título de posse da terra, os habitantes remanescentes dos quilombos preservam o meio ambiente e respeitam o local onde vivem. Mas sofrem constantes ameaças de expropriação e invasão das terras por inimigos que cobiçam as riquezas em recursos naturais, fertilidade do solo e qualidade da madeira.

V - ZUMBI DOS PALMARES

(extraído de http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/datas/consciencianegra/zumbi.html)

Zumbi foi o grande líder do quilombo Palmares, considerado herói da resistência anti-escravagista. Estudos indicam que nasceu em 1655 no quilombo,sendo descendente de guerreiros angolanos.Com poucos dias de vida, foi aprisionado pela expedição de Brás da Rocha Cardoso, sendo entregue depois a um padre, conhecido como Antônio Melo que o batizou com o nome de Francisco.

Aos 15 anos, ele foge da casa do padre e retorna a Palmares, onde muda o nome para Zumbi. Ficaria conhecido em 1673, quando a expedição de Jácome Bezerra foi desbaratada. Um ano antes de sua morte, caiu em um desfiladeiro após ser baleado num combate contra as tropas de Domingo Jorge Velho, que seria mais tarde acusado de matá-lo. Dado como morto, Zumbi reaparece em 1695, ano de sua morte.

Aos 40 anos, ele morre após lutar contra milícias organizadas por donos de terras durante dezessete anos. Durante mais uma incursão comandada por Domingos, Zumbi foi abatido no seu esconderijo descoberto depois da traição de um de seus principais comandantes, Antônio Soares, que revelou onde o líder se encontrava.

VI - A IGREJA METODISTA E O DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Não há um documento da Igreja falando sobre essa data, mas o Metodismo, desde que surgiu no século XVII na Inglaterra, teve a luta contra o tráfico e a escravidão uma de suas bandeiras. O Rev. John Wesley, fundador do metodismo era enfático sobre a grande tragédia e indignidade em que se consistia a escravidão. Coube a William Wilberforce, um leigo metodista, assinar em 25 de março de 1807, na condição de Primeiro Ministro da Inglaterra, a lei que aboliu o tráfico de escravos em todos os territórios do Império Britânico. Nelson Mandela, o herói sul-africano e mundial também é um cristão metodista.

Nós da Igreja Metodista de Vila Isabel temos um compromisso com a história e somos gratos a Deus pela vida das pessoas que contribuíram para que nosso mundo fosse um lugar melhor de se viver, um lugar melhor para todas as pessoas, e muito particularmente as pessoas injustiçadas, confinadas na miséria, vítimas do racismo e condenadas a falta de futuro.

Foi na comunidade metodista de Coelho da Rocha, em São João de Meriti, que depois de abandonado e esquecido, João Cândido, o Almirante negro, herói da "Revolta da Chibata", encontrou amigos, uma "família" e uma viva fé em Deus que o ajudou a enfrentar a velhice e a extrema pobreza. Ele entrou para marinha em 1894, aos 14 anos de idade, e para a história por liderar, em 1910, o levante armado dos marujos contra o uso de castigos físicos (o uso dos açoites com a chibata) na Marinha brasileira, foi perseguido durante toda a sua vida, mesmo quando recluso e doente, tendo a polícia vigilante até mesmo durante o seu enterro em 1969, quando então tinha 89 anos de idade. "Nós queríamos combater os maus-tratos, a má alimentação (?) E
acabar com a chibata, o caso era só este" ? declarou João Cândido, em 1968, em depoimento ao Museu de Imagem e do Som.

A maioria esmagadora dos negros brasileiros não são pobres por causa da cor da pele, mas como conseqüência de séculos de exploração, escravização e abandono após a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel.Pobreza e miséria têm a ver com injustiça e não com cor da pele, com etnia.

Dia 20 de Novembro: Dia Nacional da consciência negra. Dia de Consciência para que as pessoas de cor negra e seus descendentes e pessoas de quaisquer outras étnicas e tons de pele saibamos que fomos criados por Deus, somos amados por Deus e somos chamados a servir a Deus, lutando por mudanças sociais e estruturais em nosso país que têm ao longo dos séculos criado uma imensa população de pobres e miseráveis e igualmente lutar por mudanças na cultura brasileira, que durante séculos "satanizou" a cultura negra.

Deus criou os diferentes. O pecado criou as desigualdades e os desiguais.

Por fim, se você quiser informações sobre os assuntos relacionados ao Dia Nacional da Consciência Negra, visite os sites:

www.palmares.gov.br
www.quilombhoje.com.br
www.mundonegro.com.br


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