Publicado por Sara de Paula em Política, Expositor Cristão | 12/04/2016 às 11:00:26


Evangélicos e o Impeachment


 
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O impedimento da Presidente Dilma Rousseff avançou mais um passo na noite de ontem. Com 38 votos a favor e 27 contra, a Comissão Especial do Impeachment aprovou a admissibilidade do processo na Câmara dos Deputados. Agora o mesmo será votado em plenário no domingo, dia 17. 
 
 
Instituições e igrejas cristãs tem se manifestado em relação ao atual cenário político do país nos últimos meses. Todas têm em comum o desejo por uma nação livre de corrupção, mas sem comprometer a democracia conquistada com muita luta e empenho. Nos comunicados é possível sentir o receio de uma possível volta de padrões políticos aplicados durante o Regime Militar, que perdurou no Brasil de 1964 até 1985. 
 
A Igreja Metodista brasileira publicou em janeiro no seu jornal oficial, o Expositor Cristão, a posição oficial do Colégio Episcopal.
 
“Enquanto Colégio Episcopal somos contra o impeachment da Presidente Dilma, pois, ao menos até agora, não há nenhuma acusação de ilícito cometido pessoalmente por ela, da qual tenha se beneficiado economicamente ou politicamente”, disse o bispo Adonias Pereira do Lago. 
 
 
Na última quinta-feira (7), a Diaconia, organização sem fins lucrativos e de inspiração cristã, emitiu um pronunciamento se dizendo confiante no Estado Democrático de Direito, e mostrando preocupação com a cobertura midiática que o caso tem recebido. “Aguardamos pela presença da sabedoria, da prudência e da firmeza na condução desta situação que atinge os poderes da República, onde diferentes atores encontram-se comprometidos com a correção, mas tantos outros praticam descaminhos e malfeitos”, afirma o documento.
 
Semelhantemente, o posicionamento do Conselho Latino Americano de Igrejas (CLAI), fala sobre assegurar um processo democrático, ao afirmar que se juntam a todas as vozez proféticas, que vêm denunciando a injustiça cometida por pessoas ou grupos que querem acabar com a democracia do nosso país. 
 
A Secretaria Regional de Direitos Humanos da 3ª Região Eclesiástica da Igreja Metodista, também tem se manifestado constantemente nesse sentido. No mês de março, a página do departamento publicou histórias de Metodistas que foram vítimas durante o regime Militar. A campanha chamou atenção para o "aniversário" de 52 anos do Golpe de 64. 
 
Foto à esquerda:

"Sou Heleny Guariba.
 
Nasci em Bebedouro, interior de São Paulo em 1941.
 
Fui leiga e professora da escola dominical na Igreja Metodista Central de São Paulo. Formei-me em Filosofia na USP e trabalhei como Diretora de Teatro fundando o Teatro da Cidade. 
 
Fui presa em 1970 e novamente em 1971, para depois ser considerada “desaparecida”.
Fui assassinada pela ditadura na “Casa da Morte”, em Petrópolis-RJ.
Meu corpo nunca foi devolvido à minha família
 
Heleny, Presente!"
 
 
Um movimento de "Evangélicos contra o Golpe" também chamou atenção nos últimos meses. O grupo se mobiliza para colher o maior número de assinaturas possíveis daqueles que não concordam com o impedimento da presidente Dilma. "Impeachment sem crime de responsabilidade, como já foi fartamente comprovado, é golpe! Portanto, não aceitamos essa posição que desconsidera a realidade e é um desrespeito a milhões de eleitores, muito deles evangélicos", afirmam os organizadores na plataforma Change.org, que recolhe as assinaturas
 
Os evangélicos não estão todos de acordo. Uma parcela também se posiciona pelo impedimento da Presidente Dilma, convocando inclusive manifestações para o dia 11 de maio, em Brasília.  A Bancada Evangélica formada por 92 parlamentares de diferentes denominações na Câmara dos Deputados também confirmou na semana passada seu apoio ao Impeachment. 
 
Entre os evangélicos também se destaca o posicionamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que defende o Impeachment abertamente. O parlamentar é acusado de diversas irregularidades e também já protagoniza o processo de cassação mais longo da história do país no Conselho de Ética.
 
O Jornal Expositor Cristão esteve presente nas manifestações do mês de março na cidade de São Paulo, que revelaram a grande polarização política vivida hoje no país. Pessoas foram às ruas em todos os estados brasileiros para se manifestarem pelo fim do atual governo, ou contra a forma como o processo tem sido conduzido. Leia mais sobre as manifestações na edição de abril do Expositor Cristão. 
 
Acesse abaixo o posicionamento de algumas instituições evangélicas emitidas até o momento. 
 
 
 
 
 
 
 
 

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