Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 13/09/2013

bode eleições

Mas, como é que me diga, doutor/ Um danado dum bode ser vereador?

Era pelos anos de 1950. Jaboatão dos Guararapes, terra de muitas guerras, cidade de Pernambuco, fervia com as propostas do comunismo. Por isso, era chamada de "Moscouzinho". Havia uma indignação geral em relação aos políticos que estavam no poder. Foi então que um bode surgiu como candidato a vereador. Vi com meus próprios olhos que a terra há de comer! O bode era chamado de "Bode Cheiroso", exatamente por ser fedorento, claro. Não que todo bode o seja, mas é que esse não recebia nenhum tratamento especial para manter o velho odor. Sabe como é que é, né Doutor, político tem que cuidar da imagem. Acredita-se conquistar mais eleitores.

Como qualquer outro candidato, o Bode Cheiroso tinha sua música de campanha: "Foi na eleição de Jaboatão/ Que o Bode Cheiroso se candidatou/ Quando foi na hora da apuração/ Pela votação o bode levou/ Mas, como é que me diga doutor/ Um danado dum bode ser vereador?"

Uma bandinha especialmente formada para cantar a música do bode acompanhava os comícios. E veja você, Doutor, o bode tinha até comício. Um palanque na praça central da cidade, perto de todo o comércio. Claro que o bode não falava, onde se viu bode falar? Por aqui já se viu boi voar, mas isso é outra história. O bode não falava porque não podia, mas se pudesse, também não falaria. É que em época de campanha as palavras são facilmente manipuladas. Todo candidato diz a mesma coisa, com as mesmas palavras. Em resumo, todo mundo quer o bem do povo. Primeiro e somente, do seu próprio povo, ou seja, de sua família. Coisa que a gente só fica sabendo depois que o candidato ganha. Os mais próximos do bode é que discursavam. E era cada palavra bonita! De encher os olhos e o coração!

O Bode Cheiroso ganhou. Numa situação como essa ele foi eleito. E não foi só por ser bode não. Perto das bobagens que os políticos falavam, o silêncio do bode parecia ser proposta melhor....Ganhou, mas não levou. É que os políticos que estavam no poder não admitiram um bode vereador. Não queriam concorrência... O nome do bode nem constava na cédula de votação, então, o povo escrevia "Bode Cheiroso". Teve gente que aprendeu a escrever só para poder votar. Entre as pessoas que contaram os votos havia partidários do Bode. Coisa de segredo Doutorr, "ce" sabe que nessas horas até a vida está em perigo. Rapidamente se espalhou à notícia da vitória do bode. Foi uma festa! O povo no meio da rua alegre, zombando dos políticos e cantando a música do bode. Que por sinal, merecidamente, vestido com cores da realeza, foi coroado pelo povo. Mas é claro que o bode não pôde assumir.É que bode não é gente, disseram. Mas, eu sei que tem gente que é bode! E aí, no final das contas, assumiram as raposas de sempre da política... E aonde já se viu raposa cuidar de galinhas?

Pois é, Doutor... A festa do bode lavou a alma do povo naquele dia, mas também limpou os cofres da prefeitura...

Ivan Carlos Costa Martins,

presbítero da Igreja Metodista, pastor em Olinda-PE.

E você, o que acha da responsabilidade cristã no exercício do voto?


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