Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 19/11/2010

Confira aqui uma mensagem do Dia da Consciência Negra

“Como são belos nos montes os pés dos que anunciam boas novas, que proclamam a paz, que trazem boas notícias, que proclamam salvação, que dizem a Sião: o seu Deus reina.” Isaias 52.7


Há 25 anos começou na Igreja Metodista  o movimento que promoveu a reflexão e levantou vozes contra  o racismo, provocando ações dentro e fora  das igrejas. Muitas pessoas negras metodistas levantaram suas vozes,  às vezes de forma isolada, outras vezes engrossando o coro, para anunciar as boas novas aos negros e negras na sociedade e nas igrejas cristãs.


Anunciar boas novas não é coisa fácil, requer força, e perseverança e senso de direção para abrir caminhos; mas é do alto do morro que nossos olhos podem deslumbrar a amplidão do horizonte, admirar novas paragens e  nossa boca anunciar boas notícias.


Neste 20 de novembro queremos prestar nossa homenagem a todos e todas que anunciaram e anunciam as boas novas: rasgando a cortina que oculta o racismo, a discriminação e preconceito racial dentro das igrejas e na sociedade; abrindo horizontes para que as pessoas negras cristãs percebam o amor de Deus para com o povo negro, sem a necessidade de ter “alma branca” ou de ser “mais alvo que a neve”.


Benditos são os pés daqueles e daquelas que caminham por escarpas  e  espinhos  para que outros e outras possam também subir o  morro para deslumbrar e anunciar novos caminhos.


Negros e Negras das várias regiões eclesiásticas da Igreja Metodista têm se doado no trabalho das pastorais de combate ao racismo, na formação de corais de negros e negras,  na criação de ONGs voltadas para a inclusão racial. Atuam em instituições sociais e públicas, em escolas e nos sistema de saúde, em comunidades rurais e áreas urbanas, com a consciência do valor de pertencer ao segmento negro.


Nos dias de hoje continuamos a subir o monte para deslumbrar boas novas. Ainda há muito a se conquistar para uma vida digna para a maioria da população negra, particularmente as crianças e juventude.  Nosso desejo é que neste novembro negro, ecoem em todas as igrejas metodistas as boas novas: de inclusão com respeito às diferenças; de igualdade de oportunidades sem  preconceito e discriminação racial; de inconformismo com o destino que se tem dado às crianças e juventude negras; e,  novas de boa vontade para construção de igrejas realmente inclusivas.


Nossa oração: Senhor Jesus, que anunciaste teu rei

no entre nós, abre nossos olhos, nossas mentes e corações para que, inconformados e inconformadas com as manifestações de opressão sofridas pelo povo negro,  apresentemos nossos pés, nossas vozes, nossas mãos para anunciar um novo tempo onde reine a tua justiça.

Que a tua misericórdia sustente os pés daqueles e daquelas que proclamam e lutam pela vida plena a todas as pessoas, sem distinção de cor, raça, gênero, sexo, religião. Alimenta-nos cada dia na esperança de libertação das amarras sociais, emocionais, espirituais que nos imobilizam, para que, assim em liberdade, possamos ver novos horizontes onde reine a tua paz e a comunhão sincera e igualitária entre todos os povos.

Amém
Diná da Silva Branchini – Pastoral Nacional de Combate ao Racismo, Ministério AA-AFRO-3RE, da  Igreja Metodista


Recursos Litúrgicos


Ambientação do templo: podem ser utilizados panos coloridos, estampados, ou com cores da África, vasos de barro, instrumentos de percussão como adereços no altar  e/ou no chão em frente ao altar.


Ambientação sonora: sons de instrumentos de percussão: tambor, atabaque, pandeiros, chocalhos, etc.
Leitura responsiva
Evocação ao ritmo do tambor
 ( Adap. De Plegaria Afrocolombiana: coletivo “em Clave Afroamericana” Funsarep-Cartagena, por Luciano José de Lima e Luiz Carlos Ramos)

Ao ritmo do tambor, evocamos a história e a cultura negra
dos reinos pujantes da longínqua África
Ao toque do tambor, evocamos os sonhos e visões das antepassadas e dos antepassados...


Recordamos nossas festas tribais, os ritos ancestrais, o contato profundo com a terra, seus bens e seus males ...


Nos dias de festa, cantávamos e dançávamos.
Com nostalgia infinita contávamos histórias
 e, assim, reconstruíamos parte de nossa vida.


Reconhecemo-nos nessa história: primeiro, de liberdade, depois, de terror, de desterro, de silêncio ...
Deram-nos a conhecer um Cristo aliado do branco, do negreiro ...


Mas um dia, Jesus se fez um de nós, o Deus de nossos cantos.
Nossa fé enegrecida nos fez descobrir a presença de Deus na nossa história negra, do nosso povo afro.
E nos dá alegria de ser, de sentir, de pensar, de dançar e sonhar como afro-americanas e afro-americanos ...


E nos faz lutar e seguir caminhando com sorriso nos lábios,
 na cadência formosa do nosso passo altivo.
Deus se fez carne nossa, carne negra.
E nós somos povo no caminho, povo afro-americano.
Amém

Cântico: Bate-batuque: (CD Todas as Crianças – Sede Nacional)

(Ana Eloisa Ribeiro Santana, Dalton Neiva, Diná da Silva Branchini, Elci Pereira Lima, James Adilson Rodrigues, Neusa Cezar da Silva, Telma Cezar da Silva Martins);Adaptação de Diná da Silva Branchini

 
Bate-batuque,bate
Bate batuque ô (3x)

1.    Entrem todos nesta roda é a roda do amor
Cristo chama a toda gente
Pra viver em mútuo amor


2.    Temos nossa diferença
Na cultura, jeito, cor
Cada um é importante nesta roda do amor

Cântico: Rubro Sangue de Jesus
Música HE: 36; Letra Diná da Silva Branchini
 
Cristo, nós te bendizemos
Servo justo, filho de Deus.
Abandonado, sozinho
Rubro sangue na cruz verteu.
Manchas de amor tão imenso
Que venceu a morte vil
Pois com seu rubro sangue
Sobre a morte vida nos deu.
 
Rubro sangue derramado
Puro manto carmesim.
Nutre de amor nossas vidas,
Amor, amor sem fim.
 
Perdoa os nossos pecados,
Tu, Ó Deus, que és puro amor.
Que o sacrifício de Cristo
Nos liberte do mal opressor.                  
Livra-nos de intolerâncias
que geram  sofrimento e dor.
Que o rubro sangue de Cristo
Dê-nos vida em mútuo amor.
 
Nutridos pelo Teu sangue
Vivamos em amor
Vem quebrar os preconceitos
Que impedem nossa união
Sim, neste sangue buscamos
Forças para bem viver,
Que nossos corpos se ergam
Confiantes na força do bem.
 
 


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