Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 13/09/2013

Estresse pastoral em Clérigos(as)

Entrevista com o pastor e psicólogo, Cesar Roberto Pinheiro, cedida ao Expositor Cristão em junho de 2010, p. 8 e 9.

O exercício do ministério pastoral gera stress?
Antes de responder gostaria de destacar um postulado de Cooper e outros pesquisadores da área do stress ocupacional, o qual afirma que, qualquer tipo de trabalho possui agentes potencialmente estressores para o indivíduo. Logo o pastoreio também está sujeito ao stress. Os dados obtidos indicam que 50% da população pastoral metodista, tende a estressar-se no exercício do ministério. Este percentual obtido é sobremaneira elevado, considerando-se dados de pesquisas recentes sobre o tema. De acordo com o estudo realizado pela Dra. Marilda Lipp, do Laboratório de Estudos Psicofisiológicos de Stress, da PUC-Campinas, a média do nível de stress na cidade de São Paulo é de 35%. Logo a presença de stress na amostra pesquisada encontra-se significativamente acima da média da população geral de São Paulo, e isto é muito preocupante.

Quais são os sintomas com maior freqüência?
A sintomatologia do stress é definida da seguinte forma: sintomas físicos (p.ex.: dores de cabeça, boca seca, tensão muscular, etc...); sintomas psicológicos (p.ex.: ansiedade, vontade de fugir de tudo, hipersensibilidade emotiva,etc...; sintomas físico-psicológicos (quando os anteriores estão presentes). Desta forma ao verificarmos à prevalência de sintomas, descobrimos que 48,65% do grupo com stress, apresentou sintomas psicológicos (com predominância entre as mulheres), 37,84%, sintomas físicos e 13,51%, estavam entre aqueles com ambos os sintomas. Um detalhe significativo é que, dentre as mulheres participantes da pesquisa, o segmento das clérigas casadas revelou maior índice de stress (78,5%) em relação às clérigas solteiras (45,45%).

Existe um período (em anos de ministério) mais estressante para o/a Clérigo/a?
Sim. De acordo com minha pesquisa, os primeiros 5 anos do ministério pastoral tendem a ser os mais estressantes. Dentre a amostra estudada, 50% relatou que os primeiros cinco anos foram os mais estressantes do seu ministério. Cabe destacarmos ainda que o parte do grupo (17%) referiu o período entre 6 e 10 anos como o mais estressante do seu ministério.

Existe um grupo de risco quanto as patologias? Se há um grupo de risco, quais são as propostas ou possibilidades para se tratar essa questão?
Penso que todo o corpo pastoral da Igreja Metodista, merece atenção tanto da liderança nacional, quanto regional, no que tange a questão da saúde. Porém, no atual contexto, destaco dois grupos: os pastores e pastoras formados/as há pouco tempo e as clérigas casadas. Precisamos intensificar o acompanhamento ao grupo de pastores/as recém-formados. Para isso devemos aprimorar e otimizar os recursos disponíveis em nossa igreja brasileira (humanos e institucionais). Da mesma forma, quanto à clérigas casadas, que exercem uma tripla jornada. O primeiro passo quanto a este público é ouvi-lo. Saber de suas expectativas e necessidades. A partir daí realizar ações preventivas e de apoio a este segmento.

O nível de stress do clérigo/a pode repercutir no lar? Como evitar essa questão?
O stress nada mais que um estado de tensão que produz uma ruptura no equilíbrio interno do organismo. Uma metáfora interessante é a da febre. Quando estamos febris, é porque alguma coisa não vai bem em nosso corpo. O stress é uma reação psico-fisiológica, indicando que estamos perto ou ultrapassamos nosso limite físico e psicológico.
Desta forma se não lidamos com o stress, todas as áreas da nossa vida, tendem a se complicar. Fisicamente somos atingidos, baixa a nossa produtividade no trabalho e comprometemos nossos relacionamentos em todos os níveis, especialmente com a família.
Um aspecto importante no tratamento do stress é identificar as fontes do mesmo. Fonte de stress é aquilo que origina o stress. Podem ser internas ou externas. Algumas vezes conseguimos até identificar o que nos estressa, porém não sabemos como lidar com o problema. É preciso buscar apoio psicológico especializado no assunto, pois através deste, a pessoa aprenderá a enfrentar seus estressores de uma forma mais adequada.
Além disto precisamos considerar alguns aspectos importantes no controle do stress: - alimentação, descanso, exercícios físicos, apoio psicológico e o cuidado pastoral. A fé é um aliado poderoso no processo de enfrentamento do stress.

 

pr. José Geraldo Magalhães Jr.

 



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