Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 13/09/2013

Os passos da juventude na bíblia, nas origens metodistas, no contexto brasileiro e norte-americano

1 Na Bíblia [1]
Impossível mencionar sobre a juventude, sem citar a Bíblia. O livro de Juízes no capítulo 6, versos 11 a 16 nos relata a história do jovem Gideão. A Bíblia o descreve como um varão valoroso, que viveu em uma época difícil para o povo de Israel (vs.1-6). Foi um período de servidão dos israelitas aos medianitas, que por sua vez, era um povo que conhecia outros deuses (v.2). Deus interessado em resolver a situação do povo de Israel, envia um anjo a falar com Gideão, quando ele trabalhava no campo de seu pai (v.11). O anjo disse-lhe: “O Senhor é contigo, varão valoroso. Mas Gideão responde dizendo: Mas se o Senhor é conosco, por que nos aconteceu todo este mal?” (v.12s).

Não é de surpreender a preocupação de Gideão, pois muitas vezes também é a nossa. Se Deus está conosco, por que todas essas dificuldades diante do povo? Será que Deus olha somente para uns e esquece-se de outros? Mas Deus nos surpreende em sua resposta. O texto continua com a resposta de Deus: “Vai, nesta tua força, e livrarás a Israel da mão dos midianitas” (v.14). Um dos aspectos interessantes desse texto está exatamente em Deus ver que Gideão tinha em si força para livrar seu povo. Deus estava trazendo para Gideão a solução para o problema do seu povo, como prova inequívoca de que Deus ainda era com eles.

A juventude é a força motriz das sociedades. E Gideão não fugiu à regra: jovem que era, foi chamado para libertar seu povo. “Vai nesta tua força.” Deus estava se referindo na força espiritual, força interior. Deus viu em Gideão a FÉ. Uma fé que traz mudanças, uma fé capaz de remover montanhas. Provavelmente foi isto que Deus viu em Gideão, e que continua vendo na juventude de todo o mundo, aliás, também nas mulheres e homens de uma maneira geral.

Deus viu em Gideão fé e coragem moral de dizer NÃO à corrupção, à violência, às drogas, ao sexo irresponsável e às injustiças. Será que na juventude de hoje, existe essa mesma força? A juventude é esperança para um mundo mais livre, justo e igualitário, pois a nossa fé pode impregnar a humanidade com tais valores. No entanto, é preciso desenvolver essa fé; aumentar o conhecimento para que, o percurso da vida, às vezes nada agradável, não ofusque as convicções de mudança.

A Bíblia é palavra de Deus que, se faz esperança àqueles(as) que se encontram sem uma perspectiva de vida. Jesus deixa um exemplo claro para os discípulos, que estavam sem visão, sem rumo, no caminho de Emaús (Lc 24:13-35). Jesus se faz próximo, escuta a tristeza dos dois homens que caminhavam cabisbaixos. Uma pergunta do nada: “que é isto que vos preocupa à medida que caminhais?”, em contrapartida, uma resposta de perplexidade: “És o único que estando em Jerusalém ignoras as ocorrências desses últimos dias?” (17-18). Jesus escutou (19-24) e em contra-resposta, surge o convite inesperado: “fica conosco” (29). A conversa que fez aqueles homens enxergarem foi ao redor da mesa: na eucaristia, no partir do pão! Jesus se faz próximo dos sem identidade, pergunta pela vida, escuta, relembra a história, renova o compromisso com a fé na vida e, sobretudo, reinstala a prática da partilha.

A Bíblia fornece vários exemplos, onde a juventude é vocacionada de uma maneira especial por Deus. O chamado vocacional, tanto no AT como no NT, acontece em muitos casos a pessoas jovens ainda. Por exemplo: Jacó (Gn 28.13-17), Moisés (Ex 3.1 a 4.17), Samuel (ISm 3.1-21), Isaías (Is 6), Jeremias que disse não passar de uma criança (Jr 1.6), Rute (Rt 1.16), Maria (Lc 1.26-38) entre vários outros. No entanto, é preciso destacar a vocação do jovem Timóteo, que viveu uma realidade parecida com a nossa. Primeiramente porque ele conheceu Jesus através de Paulo, não pessoalmente; tal qual é também a nossa experiência. Em segundo lugar, ele tinha um relacionamento com a igreja de mais perto e, nessa época a mesma começava a configurar-se em dons e ministérios. E por último, Timóteo foi um discípulo de Paulo sendo considerado seu próprio filho (I Co 4.17 e Fp 2.19-20). Portanto, fiel a Deus e a missão[2].

1.1 Em nossas origens: John Wesley e o movimento metodista[3]

"Se teu coração é como meu, dá-me tua mão.” - John Wesley

Trabalhadores cumprindo uma carga horária de 16 horas por dia, um país que estava atravessando uma tamanha crise social. Eram mineiros e operários trabalhando por um salário de fome e miséria. Não pára por aí, havia também milhares de crianças trabalhando e morrendo de chagas e frio. Por outro lado, a nobreza, aquela que estava dominando os menos favorecidos, dominando-os com um único objetivo: que a classe desprotegida e pobre, fosse os meios de produção da nobreza.

Essa era a Inglaterra no século XVIII. As classes populares eram grosseiras e ignorantes e desordenadas, pois havia herdado as agitações políticas do século anterior, com isso uma elevada tendência aos alvoroços. Mas não era somente isso, Mateo Lelièvre[4], ao escrever sobre a vida e obra de John Waley, ele descreve sobre a classe popular:

"O vício e a embriaguez era notório no meio da classe popular. Meio século depois de ter sido introduzido o gim, os ingleses consumiam mais de 30 milhões de litros por ano. Nos cartazes à entrada das tabernas, as pessoas eram convidadas a entrar e embebedar-se por duas moedas e a beber até cair no chão por quatro; e recebiam gratuitamente a palha para dormirem. Os vendedores de gim costumavam levar ao sótão os que ficavam embriagados, sem possibilidade de caminhar, para dormirem até passar a crise do álcool. Não se podia andar pelas ruas de Londres sem se encontrar com seres abjetos, inertes e desacordados no chão; só a caridade dos transeuntes os salvava de morrer afogados na lama ou esmagados pelas rodas das carruagens".


No ano de 1736 uma em cada seis casas de Londres era uma taberna. O governo tentou proibir a venda do gim, mas em todas as partes da Inglaterra havia um comércio clandestino organizado, onde, seus representantes jogavam no rio aqueles que se atreviam a denunciar. Essa atitude era tão ameaçadora, que o governo teve que revogar a lei.

Assim, em um contexto de exploração e crise social na Inglaterra surgiu o Movimento Metodista. Aconteceu na Universidade de Oxford. Um grupo de estudantes preocupados com aquela situação vivenciada na Inglaterra, sob a liderança dos irmãos e John e Carlos Wesley, passaram a se reunir para a prática da piedade cristã. Eles realizavam leituras da Bíblia, oravam, jejuavam e visitavam os presos e doentes.

João Wesley nunca teve a intenção de deixar sua igreja para fundar outra, mas iniciou uma prática, com o objetivo de renovar o espírito cristão daqueles que participavam da religião oficial que era o anglicanismo. Seus métodos e práticas levaram o grupo a ser conhecido como "Clube Santo". Eles tinham uma identidade, por exemplo: dias fixos para praticar o jejum, hora certa de ler a Bíblia, orar, uma vez na semana separavam o dinheiro do lanche para ajudar aqueles que precisavam, entre outras. Com isso, esse grupo foi apelidado de “Metodistas”, ou seja, aqueles que seguem um método.

A expressão criada por João Wesley: “O Povo Chamado Metodista”, ecoa até hoje! Uma comunidade religiosa representada em mais de cem países, os metodistas segue o pensamento de Martinho Lutero, o líder da Reforma Protestante do século XVI.

John Wesley nasceu no ano de 1703 numa pequena cidade da Inglaterra, Epworth, onde seu pai, Rev. Samuel Wesley era pastor e, sua mãe Suzana Wesley filha de pastor. Talvez por essa razão, tornou-se clérico da Igreja Anglicana. Aos 11 anos, Wesley foi estudar em uma escola pública de Londres como aluno interno: a Charterhouse. Não demorou muito para adquirir grande conhecimento no latim e grego. Isso o beneficiou muito, para seu ingresso aos 17 anos na Universidade de Oxford, onde concluiu seus estudos teológicos e decidiu pelo ministério pastoral.

Apesar de grande conhecimento em Bíblia, pois lia os originais em hebraico e grego, ele tinha uma dificuldade que era uma carência espiritual. Sua igreja era um pouco fria e não desafiava às pessoas a mudarem de vida. Daí a procura de resolver sua carência espiritual sendo missionário na América. Lá ele passou mais de dois anos, embora sem sucesso, mas, para o Rev. Duncan A. Reily, as diversas ocorrências durante esse período justificam a designação da Geórgia como um “momento decisivo” para o metodismo. Reily cita em “Momentos Decisivos do Metodismo”, o saldo de dois anos e a frustração de Wesley registrado em seu diário em 24 de janeiro de 1738, poucos dias antes de retornar à Inglaterra:

Fui à América para converter os índios; mas quem, ó quem, se converterá a mim? Quem ou o que me livrará desse coração discrente? Eu tenho uma bela religião de verão. Posso andar bem, e até crer, quando nenhum perigo está perto. Mas quando me encontro cara a cara com a morte o meu espírito fica conturbado. Não posso declarar o morrer é lucro.

Chegando à Inglaterra, um líder moraviano, Pedro Bolher, deu vários conselhos para Wesley. Conhecidos pela grande confiança em Deus e na Graça redentora de Jesus Cristo, os moravianos, em muitas oportunidades de conversas com Wesley, convenceram-no a receber a graça e o perdão, ou seja, uma das bases teológicas do Movimento Metodista: a fé salvadora.

Pr. José Magalhães*

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Notas

* Teólogo formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Na Igreja Metodista é nomeado para a Assessoria de Comunicação e pastor em Vila Planalto, São Bernardo do Campo, SP.

1 Bíblia Sagrada / Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. 2ª ed. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.

2 Pastoral da Juventude IVRE. Sonhos e Esperanças no Caminho: Reflexões para o desenvolvimento de uma Pastoral da Juventude Metodista. Belo Horizonte, 2000. pg. 64.

3 REILY, Duncan Alexander. A influência do metodismo na reforma social na Inglaterra no século XVIII. Junta Geral de Acão Social da Ig. Metod., 1953. 18pg

4 LELIÈVRE, Mateo. João Wesley sua Vida e Obra. 1ª ed. São Paulo, 1997, pg.13.



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