Publicado por José Geraldo Magalhães em Expositor Cristão, Mídia - 04/06/2014

Expositor Cristão: Entrevista com o Diretor Geral das instituições educacionais metodistas

fonte: Marcelo Ramiro / 

A realidade educacional brasileira tem imposto a todas as instituições educacionais confessionais um ambiente de grande competição, graças à radical mercantilização da educação. Neste contexto adverso, o projeto metodista de educação se mantém na visão missionária cristã, tendo como princípio a transformação de vidas. Nos últimos anos, a consolidação da gestão compartilhada tem mostrado bons resultados e, também, enfrentado grandes desafios na sua construção e atuação gerencial. Esta entrevista com o Diretor Geral das instituições educacionais metodistas, Wilson ­Zuccherato, aponta a evolução das inciativas e as medidas frente aos problemas.

 

Quais são os principais desafios das instituições educacionais metodistas para 2014?

Wilson Zuccherato: No início de 2014, chegamos a mais de 55 mil alunos matriculados nas instituições metodistas de educação, com cerca de 45 mil estudantes na Educação Superior — presencial e a distância, 10.200 na Educação Básica. Após vários ciclos com números estáticos declinantes, crescemos 6,1% na Educação Superior presencial e 4,3% na Educação Básica, na evolução de 2013 para 2014. Os resultados operacionais tornaram-se positivos, graças ao trabalho realizado nos últimos anos. Porém, temos um alto custo financeiro que ­ainda é maior do que nossa geração de receita líquida, isso por causa do endividamento acumulado ao longo de muitos anos, o que exige medidas alternativas para buscarmos recursos adicionais. Não é possível manter a sustentabilidade apenas com as mensalidades praticadas.
 
E o que está sendo feito em relação a esse endividamento?
Há dois esforços que se completam nesta área. O primeiro foi a adesão aos programas de refinanciamento governamentais, tais como o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento das Instituições de Ensino Superior (Proies). Com isso, conseguimos alongar o prazo de dívidas fiscais que nos atrapalhavam bastante no dia a dia, aumentando a pressão sobre o fluxo de caixa. O segundo é que precisamos encontrar receitas que podem ser originadas com o melhor uso do patrimônio. Assim, um bem pode ser incorporado para o desenvolvimento de um empreendimento imobiliário, que pode ser vendido ou alugado sem impedir a continuidade do projeto educacional da Igreja naquela localidade. Por exemplo, no caso do empreendimento que está em curso em Piracicaba, no campus Taquaral, a área do terreno que ainda nos pertence tem um valor de mercado maior do que todo o terreno anterior, porque os residenciais, shopping center, centro de convenções e hotel, que estão sendo construídos ao lado, valorizaram naturalmente a região. Temos menos área, mas um patrimônio total maior. Além disso, esse projeto ajudará o desempenho das atividades educacionais, porque o campus da Unimep estará inserido num contexto muito melhor do que o era antigamente. Portanto, devemos lembrar que trabalhamos com três ênfases que se complementam: o alongamento do perfil da dívida para termos condições melhores de pagá-la; o melhor uso do patrimônio que possuímos e a con­tínua melhoria e modernização de nosso projeto educacional. 
 
Além dos empreendimentos imobiliários em Piracicaba/SP, há outras perspectivas em vista?
Dentro dessa ênfase de gestão imobiliária, a Cogeam aprovou a realização de estudos de vocação imobiliária para alguns imóveis, dentre eles estão as propriedades usadas pelo Bennett e pelo IPA. Uma renomada empresa internacional de consultoria fez avaliações de diferentes usos, levando em conta todas as restrições locais de edificação, especialmente eventuais limitações importantes para a preservação do patrimônio histórico, algo que defendemos com vigor. Com esses parâmetros em mãos, foi aprovada a continuidade dos trabalhos na busca de interessados, sempre com o propósito de obter os melhores resultados para a Igreja Metodista.
 
Tivemos uma notícia recente na imprensa de Porto Alegre/RS sobre possível leilão de imóvel do Colégio Metodista Americano, fato que foi revertido no mesmo dia, mas trouxe preocupações e especulações junto a algumas pessoas. O que o senhor tem a dizer sobre esse caso?

Trata-se de uma falha operacional havida em nossos controles e acompanhamento dos processos. Nós temos uma quantidade razoável deles e cometemos um erro quando de uma publicação legal, havida em setembro de 2013. A redação não foi entendida como se o processo tivesse atingido o ponto de que sua garantia, no caso, o imóvel onde funciona o Colégio Americano, pudesse ser executada. Entre essa data e a ocasião em que foi publicada a marcação do leilão, não houve mais qualquer informação da Justiça, o que não permitiu que pudéssemos ter agido de forma a evitar essa notícia lamentável. O importante para todos nós é que a dívida foi paga no dia seguinte e fizemos uma publicação no mesmo Jornal, com o objetivo de reafirmar nosso compromisso com a Educação, como parte de nossa missão. Eu acredito que o alívio da pressão sobre o fluxo de caixa, mencionado há pouco, assim como a melhoria da forma que acompanhamos os processos, nos ajudarão a evitar que casos semelhantes voltem a acontecer. 
 
A venda ou empreendimentos imobiliários em Instituições educacionais da Igreja Metodista quitariam toda a dívida?
A situação está sob controle e é muito importante que todos/as nós saibamos disso. O que estamos fazendo em cada uma das muitas frentes de atuação é criar opções para que as melhores decisões possam ser tomadas. E queremos avançar em cada área de modo que a maior parte do patrimônio das instituições metodistas seja mantida. Mas, respondendo diretamente a sua pergunta, nós temos patrimônio superior às nossas dívidas. Ou seja, o problema é financeiro e não econômico. Apesar disso, lutamos por cada centavo e cada metro quadrado de nossas propriedades. Por exemplo, em alguns poucos casos ainda temos enfrentado o bloqueio de contas da Igreja por decisões judiciais, algo que buscamos ao máximo evitar. E estamos sintonizados com secretários e tesoureiros regionais e na Área Nacional para assegurar que não haja prejuízo para a Igreja. Há um alinhamento muito grande, neste momento, entre a área executiva da Rede, o Consad, Conselho Diretor de todas as nossas Instituições, a Cogeam e o Colégio Episcopal. As decisões são tomadas após todas essas instâncias serem consultadas e participarem de discussões, que eu avalio como muito produtivas.
 
Como o senhor visualiza a situação econômica das Instituições educacionais da Igreja Metodista em longo prazo?
Nós temos avançado muito nesses últimos anos em todos os aspectos. Temos mais alunos, melhores resultados, estamos pagando nossos passivos e temos cursos cada vez melhor avaliados. Estou seguro que temos condições de oferecer opções para que os órgãos decisórios da Igreja estejam numa posição confortável sobre a melhor estratégia a seguir no longo prazo. 
 
A Igreja Metodista consegue cumprir o papel missionário por meio das Instituições de Ensino?
Eu não tenho a menor dúvida disto e que podemos avançar ainda mais. Nós estamos trabalhando de forma muito profunda, em conjunto com o Colégio Episcopal e as pastorais, para fortalecer em todos os aspectos as marcas de nossa confessionalidade, em cada uma de nossas escolas. Nós queremos seguir os ensinamentos de John Wesley, tendo unidade na essência da expressão de nossas confessionalidades e doutrinas. Precisamos de oração para superar esse tempo de deserto. Queremos que os alunos que estudam ou venham a estudar conosco e suas famílias sejam marcados por toda a vida pela oportunidade de conhecerem o Evangelho e serem transformados pelo amor de Deus quando estiverem em nosso meio e que estas sementes transformadas frutifiquem a trinta, a sessenta e a cem por um, impactando nossa sociedade e o nosso querido País. 
 
 
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