Publicado por Marcelo Ramiro em Expositor Cristão | 05/02/2015 às 14:04:07

Expositor Cristão: Resgatando o Zelo Evangelizador na vida da Igreja

A Bíblia, nossa regra de fé, estabelece ênfases missionárias. A primeira dentre todas elas, é a do perfil evangelizador que a Igreja cristã precisa assumir (Mateus 28.19-20, Marcos 16.15-16, Lucas 24.47).
 
Em uníssono dessa determinação bíblica, a Igreja Metodista assume como sua ênfase primária o estímulo ao zelo evangelizador na vida de cada discípulo e discípula, e como marca fundamental de cada Igreja local. Por isso, somos encorajados/as a reconhecer que o que justifica nossa presença no mundo (como servos ou servas, ou ainda como Igreja) é o nosso ministério reconciliador, confiado pelo Senhor Jesus (2 Coríntios 5.18-19).
 
Nesta perspectiva, penso que há uma análise crítica a ser feita em três níveis (o pessoal, o ministerial e o eclesiástico): de fato, estamos fazendo o que a Bíblia manda, e o que nossa denominação reconhece como ênfase primária? Estamos estimulando e proporcionando que o Evangelho seja difundido, e isso sob o caráter de prioridade?
 
Nível pessoal
De forma mais clara, em nível pessoal, quando fala-se de zelo evangelizador, não se fala de um programa ou de algo passível de planejamento: fala-se de uma escolha individual! Nesta perspectiva, entende-se que todos/as os/as metodistas são encorajados/as a adotar como seu estilo de vida um perfil evangelístico, reconciliador, discipulador. Trata-se da opção pessoal à qual cada um/a de nós é convidado/a a priorizar, e isso independe de quais são os dons que temos, e quais os ministérios nos quais movemos tais dons.
 
Nível ministerial
Já em nível ministerial (quando menciono ‘ministério’, estou falando da nossa organização em ‘Dons e Ministérios’), precisamos ser pessoas críticas e maduras no sentido de classificar se nossas atividades estão ou não enfatizando que as vidas sejam alcançadas para o Senhor. Vivemos um visível tempo de transição em nossa Igreja Metodista. O valor fundamental da atenção aos/às não salvos/as tem sido resgatado, e este processo histórico não pode ser ignorado naquelas que são algumas de nossas frentes de desenvolvimento da missão, os ministérios. Com isso, compreendo que todo planejamento ministerial tenha de ter por prioridade aquilo que a Igreja Metodista assumiu como ênfase e que biblicamente é nossa prioridade.
 
Nesta perspectiva, é comum que alguém seja levado a crer que determinados ministérios são exclusivamente internos à vida da Igreja. Quem sabe tal visão se dê exatamente pelo equívoco no qual foi construída a cultura ministerial em algumas de nossas comunidades! E, quem sabe, perdeu-se um pouco da compreensão do valor da cooperação interministerial para ações mais abrangentes. Lembra-se de Atos 6? Um novo ministério precisava surgir (vs. 1-3) para atender uma demanda que não poderia ser suprida pelos apóstolos, que deveriam perseverar ensinando e orando (v. 4). E o currículo necessário (v. 3) continha exigências bem maiores do que ‘experiência em servir comida’. Por conta disso, desponta-se Estêvão (v. 8), não só servindo mesas, mas agindo em favor de pessoas. Em outras palavras, mesmo fazendo parte de uma parceria na qual os apóstolos seriam os mais prováveis pregadores, Estêvão fez o Evangelho acontecer em uma área considerada improvável!
 
Nível eclesiástico
Como pastor local, tenho o hábito de perguntar aos/às líderes ministeriais, quando de nossas reuniões de planejamento: quantos ‘não crentes’ seu ministério pretende atrair com esta programação? Tenho aprendido que, se queremos salvar pessoas, precisamos ir até elas e sermos atraentes a elas! Em suma, se queremos uma Igreja evangelizadora, não podemos enfatizar atividades que sejam meramente internas! É bem verdade que Jesus teve ‘momentos internos’ com Seus discípulos. Veja um bom exemplo disso quando em Mateus 13.3-9, Jesus fala para toda a multidão, mas a partir do verso 10, a reunião é com os mais próximos, os discípulos, aos quais ministra o mesmo ensino, porém, com maior profundidade (vs. 18-23).
 
Mas, de forma geral, se compararmos a proporção de ações evangelísticas versus ações internas de Jesus, vamos ter por muito claro a que nosso Mestre deu ênfase! Ele preferiu gastar Seu tempo com pessoas carentes de sua ação evangelística!
 
Em nível pessoal, ministerial ou eclesiástico, precisamos enfatizar o que a Palavra de Deus enfatiza. Se perdemos, precisamos recuperar. Se fazemos, precisamos potencializar e fazer com maior eficiência ainda. E, em todo tempo, sermos contagiantes não só para ganhar pessoas para Jesus, mas para ganhar evangelizadores/as, assim como nós! 
 
Pr. Paulo Amendola Filho
Igreja Metodista Central em Presidente Prudente/SP
 

                 

 

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