Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 20/09/2013

blog ecumenico repercussões do Concilio Geral

 

A decisão conciliar de retirar a Igreja Metodista de organismos ecumênicos nos quais a Igreja Católica estiver presente "mostra que há uma grande confusão teológica sobre a natureza da Igreja de Cristo. Muitos pastores e algumas lideranças leigas não percebem que a Igreja ou é ecumênica ou deixa de ser igreja".

O comentário é do líder leigo metodista Anivaldo Padilha, perguntando para onde vai a Igreja Metodista brasileira. A decisão do 18. Concílio, reunido em Aracruz, no Espírito Santos, dias 10 a 16 de julho, motivou reações, trocas de emails e, inclusive, a criação de um blog (Metodista & Ecumênico - http://metodistaecumenico.blogspot.com/) para debater o assunto. 

"O que podemos e devemos sempre discutir é qual deve ser a política ecumênica da nossa igreja", recomendou Padilha, que participa há quase 50 anos do movimento ecumênico e que, por causa desse envolvimento, se viu forçado a ter mais clareza da sua fé e identidade metodistas.

Ele aponta uma contradição na conseqüência da decisão conciliar metodista: "O ecumenismo, que tem como um de seus princípios a busca da unidade visível da Igreja, tornar-se fator de conflito e de divisão", embora reconheça que na atual conjuntura da Igreja Metodista do Brasil o problema não é o ecumenismo. "O tema ?ecumenismo? foi e provavelmente continuará a ser usado como arma na luta pelo poder", afirma.

Para o reverendo Paulo Dias Nogueira, da Catedral Metodista de Piracicaba, São Paulo, a Igreja Metodista perde, com a decisão conciliar, uma de suas principais características: a tolerância. Ele se reporta a palavras do fundador do metodismo, o reverendo João Wesley, que dizia: "No essencial, unidade; no não-essencial, diversidade; em tudo, caridade".

No sermão sobre a fé, Wesley admitiu que o catolicismo ensina tudo necessário para a salvação. Daí que o acadêmico da Faculdade de Teologia metodista, Roy de Oliveira Duarte, lamenta a decisão conciliar, porque, argumenta, o ecumenismo está presente na história da Igreja Metodista "muito antes desse surto fundamentalista/moralista que está fazendo nossa igreja retroceder em sua caminhada".

Sem a experiência ecumênica, alerta Duarte em artigo postado no blog Metodista & Ecumênico, "nos assemelhamos a ostras (daí a palavra ?ostracismo?), tornando-nos pessoas fechadas em si mesmas, escondendo a jóia preciosa que nos foi dada - Jesus Cristo - doador da vida abundante".

Indignado, o articulista Peri Mesquita, de Curitiba, propõe uma renovação que comece pela formação de pastores e pastoras, que tenham uma "visão profunda da fé metodista e do mundo no qual vivemos", que se saibam diferentes dos seguidores de outras denominações, mas sem exclui-los, mas respeitando-os "como partícipes das hostes divinas que lutam para a construção do Reino de Deus, aqui e agora".

Anivaldo Padilha também identifica na decisão conciliar "certa precariedade na formação ecumênica" de pastores, que não debita à falta de excelência acadêmica da Faculdade de Teologia, mas vincula-a "ao contexto geral da sociedade brasileira e do campo evangélico em particular, que fomenta a intolerância e prioriza a conquista de espaço no mercado religioso em detrimento da formação de comunidades de fé".

O líder leigo metodista destaca que o ecumenismo é um movimento do Espírito "que promove em nós a conversão e a renovação e que abre nossas mentes e corações para ver e sentir não só a nossa condição de pecadores, mas, também, o pecado e limitações que existem nas igrejas-instituições que criamos".

"Nós, metodistas, não somos católicos, não aceitamos a veneração aos santos, a centralidade e a infalibilidade do papa, a celebração de missas para ajudar quem já morreu, mas nós somos amigos dos católicos, respeitamos os católicos e sua fé, mesmo não concordando com parte delas", arrola Ronan Boechat de Amorim, pastor da Igreja Metodista de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Não é a Igreja nem a sua doutrina que salva, "mas tão somente o Senhor Jesus", frisa.

O teólogo, sociólogo e bacharel em Direito, Lair Gomes de Oliveira, aponta, numa extensa análise legal, que a decisão do 18. Concílio metodista sobre o ecumenismo é inconstitucional porque fere o Cânone da Igreja. A retirada da igreja de organismos ecumênicos onde a Igreja Católica e grupos não-cristãos estiverem presentes foi decidida por 79 votos a favor e 50 contrários. Lair de Oliveira pergunta se foi observado, no caso, o quorum de dois terços para a aprovação de tal matéria.

O acadêmico Roy Duarte confessa seu amor pela Igreja Metodista e a causa metodista. Mas, acrescenta, "acima de todas as denominações e instituições, eu sou cristão e entendo que é parte da vida cristã conviver, aceitar e trabalhar com as diferenças. Somos diferentes em nossas denominações, mas somos um em Cristo. Por isso, eu continuarei ecumênico", proclama.

Setores da Igreja Metodista brasileira esperam que a decisão seja revista em outubro, quando o 18. Concílio, por não ter vencido a pauta no encontro de Aracruz, voltará a se reunir.

Fonte: Agencia Latinoamericana y Caribeña de Comunicación

LEIA MAIS: Rescaldo do Concílio (texto do Bispo Nelson Luiz Campos Leite). 

O futuro das religiões (artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo) e um comentário sobre este artigo, sob a ótica metodista, pelo pastor Omir Wesley, da Pastoral do IALIM.   Clique aqui se preferir ir direto ao texto do Rev. Omir Wesley.

Um ponto de vista jurídico sobre as decisões do Concílio acerca do ecumenismo - (artigo do Pr. Lair Filho, publicado no site Metodistas&Ecumênic@s )

Parecer Jurídico - (artigo do Pr. Dino Ari Fernandes em resposta ao artigo do Pr. Lair)

 


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