Publicado por José Geraldo Magalhães em Geral - 20/09/2013

Palavra Episcopal julho 2007

 

Roberto Alves de Souza, Bispo na 4ª Região Eclesiástica

"Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo" - 1 Coríntios 11:1

A grande ênfase no discipulado cristão é ser um imitador de Jesus Cristo, ser um discípulo ou discípula que reproduz exatamente o ensino de Jesus em nosso modo de falar, andar, relacionar e expressar a fé.

Mas é relevante refletir sobre o que é ser um imitador. Essa é uma palavra que tem sua raiz do latim "imitare" e pode ser traduzida por "reproduzir exatamente o que outrem faz", "tomar como modelo", "reproduzir", "copiar", "seguir o exemplo de", "arremedar" e "falsificar".

Como podemos observar, é uma palavra que tem vários significados que podem ser aplicados em diferentes contextos. O nosso objetivo é falar do discipulado como uma imitação, tendo como referência o Senhor Jesus Cristo. Vamos buscar entender o que isto significa dentro do contexto cristão.

Antes, porém, destacamos que há uma prática de discipulado no meio cristão que distorce o verdadeiro ensino de Jesus Cristo, pois é uma imitação que falsifica, adultera, que dá aparência enganosa a ações que não correspondem com a realidade do discipulado como um estilo de vida, como um modo de vivenciar os ensinos de Jesus Cristo.

No discipulado temos um modelo a ser seguido, não estamos perdidos sem referência. Quando os ensinos de Jesus Cristo são vistos em nós, através das nossas atitudes, do nosso modo de falar, de agir, podemos afirmar como o apóstolo Paulo: "Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo" (1 Coríntios 11:1).

Sabemos que em toda a sua vida Jesus Cristo é uma referência para nós, pois sempre estava ensinando algo a seus discípulos, à multidão e a todos e todas que chegavam a sua presença com situações aparentemente insolúveis, complicadas, mas Jesus com sua calma, paciência, humildade e sabedoria usava aquelas situações e as transformava em uma lição de vida.

Vejamos algumas destas lições que Jesus nos deixou como desafios a serem reproduzidos por todos nós, discípulos e discípulas: "Sede meus imitadores.."

a. Seguir o exemplo na obediência:

Bonhoeffer, analisando a obediência dentro do chamado de Jesus aos seus discípulos, afirma que muitas vezes o que falta em nós para seguir esse chamado de Jesus "não é falta de fé, mas falta de obediência". Em Filipenses 2:8, o apóstolo Paulo afirma que Jesus "humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz".

Seguir o exemplo da obediência é desafiador a todos nós hoje, pois vivemos um período de profunda desobediência às decisões estabelecidas através de fóruns democráticos; constantemente vemos maus exemplos de pessoas dentro de nossas comunidades de fé se rebelando contra as decisões da Igreja e pior, se rebelando contra as doutrinas, contra os dogmas, contra a Palavra de Deus.

Isso revela algo cruel, pois quando me torno um rebelde, um desobediente, é por que me falta compromisso. Em nosso caso, compromisso com Deus, com a Igreja e com o próximo.

b. Seguir o exemplo do seu caráter:

Seguir o exemplo do caráter de Jesus Cristo só é possível através de um discipulado que me faça cada dia mais conhecer Jesus Cristo. Mas, como conheço a Jesus Cristo? Gosto muito da resposta de Jó: "com os ouvidos eu ouvia falar de ti; mas agora te vêem os meus olhos" (Jó 42:5).

Andar com Jesus é ter a mesma experiência de seus discípulos, é ter o privilégio de desfrutar de sua intimidade e conhecê-lo sem reservas. Quando você vive com alguém há uma relação de intimidade que não oculta nada, não há timidez, não há pudor.

É difícil ver o caráter de Jesus Cristo em pessoas com atitudes covardes, que sempre agem por de trás, não têm a dignidade de olhar "olho no olho", de encarar o outro(a) e dizer a verdade. Os sem caráter tentam criar armadilhas, unem-se a outros sem caráter e tentam assim, de maneira covarde, fazer prevalecer sua filosofia.

Precisamos do discipulado que restaure o caráter de Jesus na vida de muitos de nós: pastores, pastoras, leigos e leigas, discípulos e discípulas do Senhor Jesus Cristo.

c. Seguir o exemplo da sua compaixão:

Ter compaixão é sentir a dor perante o mal alheio, sentir a dor do outro, ter piedade. Jesus Cristo nos deu vários exemplos quando esteve com os leprosos, endemoniados gadarenos, o paralítico em Cafarnaum, a mulher enferma, a filha de Jairo, os dois cegos, o mudo endemoninhado e tantas outras pessoas com problemas semelhantes.

O ministério de Jesus Cristo foi integral: ensinava, pregava e curava. Jesus esteve presente e curou os endemoniados (possessos de demônios/problemas no espírito), os lunáticos (maníacos/problemas mentais) e os paralíticos (sofre de paralisia/problemas físicos). Nosso ministério não pode ser parcial, mas tem que evidenciar esses sinais; faz-se necessário um ministério pastoral onde os milagres aconteçam, pois ainda hoje há poder que salva, cura e liberta o ser humano em nome de Jesus Cristo.

Não podemos limitar o discipulado e tratar o ser humano de forma parcial, mas entendemos que o verdadeiro discipulado segue o exemplo de Jesus e tem compaixão de todos e todas que sofrem de doenças espirituais, emocionais e físicas.

Não podemos entender um discipulado apenas misericordioso ou apenas piedoso, mas somos desafiados a seguir o exemplo de Jesus e vivenciar um discipulado integral que trate o corpo, a mente e o espírito de cada ser humano.

Tornamo-nos ineficientes quando esquecemos essa lição de Jesus aos seus discípulos, quando praticamos apenas um "evangelho social" onde a evangelização é vista como proselitismo. Cometemos o mesmo erro quando apenas enfatizamos um "evangelho espiritual", onde o que importa é o céu e o além. O Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo é integral: traz cura e libertação ao corpo, a mente e o espírito de cada ser humano que vivencia no discipulado de Jesus Cristo a rica experiência de uma nova vida.

Que possamos alcançar através da obediência, do caráter e da compaixão de Jesus Cristo a vivência declarada pelo apóstolo Paulo quando afirmou: "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim". (Gálatas 2:20)

Esse é o verdadeiro desafio de um discipulado como estilo de vida que parte da prática de sermos imitadores de Cristo, de reproduzirmos exatamente o que Jesus fez. Que Deus nos abençoe e nos ajude a imitarmos a obediência, o caráter e a compaixão de Jesus Cristo na vivência do discipulado como metodistas em nossas diversas comunidades locais em solo brasileiro.


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